POV. NICOLAS
Os meus pais chegaram de surpresa à cidade devido a um problema familiar que se resume ao meu irmão não querer mais participar das reuniões remotas da empresa. Graças à espiã favorita deles, Grace Hansen, os dois também souberam da nova rotina do Everton, que se resume a passar o dia todo no quarto. O garotinho festeiro agora não sai nem para ver a luz do dia.
Recebi uma rara ligação do meu pai hoje à tarde, pedindo especificamente que eu os buscasse às duas e meia. Achei bem estranho essa manifestação deles em me envolver, já que preferem o meu irmão no volante para não quebrar a lei do país sobre menor de idade dirigindo. Foi quando concluí que o Everton realmente não está a fim de sair do quarto para ser motorista particular.
Infelizmente, há uma confusão na rua principal que nos leva de volta para casa. Uma caminhonete estacionada de forma errada está atrapalhando o trânsito, além de uma comoção de pessoas. Eu realmente gostaria de saber o que há de errado com essa cidade às vezes, porque são coisas estranhas acontecendo o tempo todo.
— Minha nossa, está tendo uma briga. — Minha mãe comenta do banco de trás.
Tento firmar a visão na confusão, mas a dificuldade para enxergar com a distância ataca, já que estamos do outro lado da rua. É difícil quando não tenho os óculos comigo; a minha mente nunca ajuda a lembrar de trazê-los. Levo o carro mais próximo da cena, que é particularmente engraçada e chama mais atenção do que eu esperava, porque conheço aquelas pessoas. São três garotas contra um cara grandão de avental. Ele tenta de alguma forma fazer uma luta normal, porém é difícil quando se tem uma garota no pescoço, outra grudada no cabelo e mais uma puxando o seu braço para te impedir de se livrar de tudo.
Os meus pais estão preocupados, comentam sobre o fato dos pedestres estarem filmando ao invés de ajudá-los. Não que eles precisem de ajuda, afinal, não estariam lutando se precisassem.
Gostaria de saber como chegaram a esse momento, qual é o motivo das agressões e quem são elas. São familiares demais.
— Elas não estão usando o uniforme da escola em que te matriculamos, Nicolas? — Ele questiona com a mão na maçaneta do carro, querendo sair para ajudar.
— Bem, é o que parece. — Gostaria de ver só um pouco menos embaçado. — Vocês estão conseguindo ver mais alguma coisa além do uniforme?
— Hm... acho que a mais alta precisa realmente de ajuda, aquele moço não pode ficar a atacando daquela forma, coitadinha. Isso não é crime?
— Ligamos para a polícia? — O celular já está na mão do meu pai, mas eu os deixo no carro e vou até onde acontece a confusão. À medida que a distância diminui, a cena começa a ficar em foco.
Espera aí... Pérola?
De novo, garota?
Pela segunda vez apenas neste mês, envolvo os meus braços na cintura fina da garota para colocá-la de lado, pensando que se a afastar primeiro do homem será mais fácil. Enquanto isso, eu me pergunto o que ela tem para atrair tanta confusão. O problema aumenta porque ele não está disposto a deixar isso assim. Pelo visto, quem começou toda essa bagunça foi ele, inclusive é descontrolado por não saber o quão erradas são suas ações contra três mulheres. Elas não estão tão inocentes assim também; conseguiram tirar bastante sangue do rosto dele, com marcas de unhas nas bochechas.
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Absolutely nothing
Romance(esse livro começou a ser editado, porém, não foi finalizado a correção) Pérola é livre, quando sua mãe permite, e gosta de viver cada minuto. Vem de uma família comum, semelhante à de quase todo mundo, sempre se metendo em confusões e tentando sair...
