9 - GENRO APROVADO

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POV. NICOLAS

    Quando paro o carro na frente da casa dela, uma estrutura quadrada com um tipo de chapéu em cima, a janela pequena mostra que é mais um cômodo no segundo andar. Possui um gramado bonito na frente com pneus cheios de flores, vasos criativos que eu nunca vi antes. A casa dela parece ser aconchegante e bem familiar. Consigo imaginar perfeitamente a cena do jantar deles, todos na mesa contando sobre o dia e comendo pertinho um do outro.

— O Ravid sentiu ciúmes hoje, então agora você não precisa mais de mim. — Comento antes dela abrir a porta para sair.

— Ele não sentiu ciúmes.

— Para mim, aquilo foi ciúmes.    

Ela finalmente tira a atenção da própria casa e se concentra em mim. Está segurando as sandálias nas mãos, o batom de quando a busquei não está mais em seus lábios, e o seu cabelo agora está preso em um nó caído ao lado do pescoço.

— Aquilo foi uma preocupação, não dá para confundir. Ele me conhece o suficiente para saber que eu não entraria em um quarto com qualquer um.

— Então você vai desistir? — Minha pergunta a faz desviar o olhar para a rua na nossa frente. — Vai ao jantar com meus pais?

— Ainda não tenho certeza se o Ravid não sente nada por mim, o que esclarece que você ainda não terá a sua parte.

— Mas, os meus pais chegam daqui duas semanas.

— E?

— Eu te ajudava. Você me ajudava.    

Ela ri.

— Eu ainda não entendi bem essa sua parte. Por que quer me mostrar para os seus pais? — Desmancha o sorriso. — É para dizer a eles que é humilde e fez amizade com a bolsista. — Brinca, se esforçando para quebrar o clima, assim como fez desde que entramos no carro. Diversas vezes fez piadas, comentando sobre as casas e puxando assunto. Ela quer que eu toque naquele assunto, mas eu não irei.

— Você sempre deduz que vivo de aparência e fica fantasiando como é a minha vida.

— Estou errada?

— Está. — Abro a porta do carro e saio para abrir a dela.— Meus motivos para querer um jantar com você e os meus pais não têm nada a ver com... — Paro de falar, porque, parando para pensar, será que não têm nada a ver com a aparência mesmo? É algo que ela com certeza não entenderia. Provavelmente começaria a rir da minha cara no exato momento que explicasse. Prefiro manter a explicação para lá, ela não precisa saber de nada, nosso acordo é assim e ponto.— Boa noite, Pérola.

Volto para o meu carro e dou partida sem esperar qualquer resposta dela. Quando já estou na frente da minha casa, digito uma mensagem para ela, que também não espero receber uma resposta.


Nic: Me desculpa por ter estragado o plano da festa e feito cena.


Ficar muito tempo com bastante pessoas ao redor é desesperador para alguém como eu que nunca conviveu com ninguém além das de sempre que tem na minha casa. Veio aquilo de novo, um pouco forte que o normal, então não consegui fingir por muito tempo na frente do Ravid e Pérola, e se tivesse demorado mais tempo lá dentro, não sei o que aconteceria. Eu nunca descobri o real motivo dessas coisas, elas apenas acontecem em momentos aleatórios. Em um minuto estava me camuflando atrás da escada, em outro já não conseguia controlar o tremor das minhas mãos. É meu primeiro ano estudando em uma escola, as coisas são novas e diferentes. Foi minha segunda festa. No máximo fui em comemorações das empresas dos meus pais no passado. No entanto, não acuso o lugar que estava, porque isso aconteceu outras vezes e eu estava sozinho e em casa. Apenas quando me deito na minha cama, depois de tomar um banho e tirar todo os cheiros que agarraram em mim durante a noite, recebo uma resposta da mensagem que enviei a ela mais cedo. Não estava esperando isso, confesso, porque depois que a deixei lá, uma vergonha caiu sobre mim devido à cena que fiz na frente dela. Não digo a parte de chorar, resumo a tudo, desde parecer um idiota riquinho que dá piti em festas até a parte de expor meu lado frágil a uma desconhecida. Eu não sei explicar direito o que foi aquilo, porque daquilo ou se é realmente porque sou um fresco.

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