POV. PÉROLA
Entre no metrô no horário certo, ainda faltava meia hora para a aula começar, coloquei meus fones e cheguei na escola sem atraso. Meu avô sorriu quando passei pelo portão, orgulhoso da minha conquista, me senti até em uma daquelas corridas em que tem que passar a linha de chegada. A diretora também esboçou algo que eu posso chamar de sorriso, mas foi quase isso.
— Bom dia, Pérola — Nicolas cumprimenta assim que jogo minha bolsa na mesa.
Sim, preciso comer muito feijão para chegar no horário que o Nicolas chega.
— Bom dia.
Apenas cinco minutos depois, minhas amigas passam pela porta, as duas tão focadas no celular que vão direto para suas cadeiras. Então, me apresso para ir até elas. Aparentemente, a Ranah cortou o cabelo, agora chegando quase na ponta da orelha. É diferente, combinou com seu rosto comprido, parece uma garota italiana que anda em uma Vespa laranja pelas ruas de Veneza.
— Você chegou cedo hoje. — Sasha tira uma cartela de goma de mascar e nos oferece, mas ambas recusamos.
— A minha mãe me puxou da cama — Pego a cadeira da mesa vazia ao lado para me sentar perto delas. — Ela literalmente invadiu o meu quarto e saiu me arrastando. E vocês? Por que chegaram juntas?
— A Sasha dormiu lá em casa. A minha avó viajou e fiquei com medo de dormir sozinha.
— Por que não me chamaram?
— Ah, não sei. Foi algo decidido de última hora.
— Podemos marcar uma noite do pijama esse mês, aí nós três participamos. Cara, a Ranah roncou a noite toda, ainda bem que você não estava lá, porque nem teria conseguido dormir.
— A Ranah parece fofa por fora, mas por dentro é a Fiona do Shrek.
Ela dá um tapa no meu ombro, rindo com sua risada escandalosa. Quando ela conta uma piada, mesmo que seja a mais sem graça de todas, a gente ri, pois sua risada é muito contagiante.
O professor entra na sala, e me adianto para voltar ao meu lugar, onde o Nic não se mexeu durante todo esse tempo, permanece resolvendo exercícios da apostila, que está praticamente no final. Quando ele terminar a apostila, fico pensando: o que ele fará nas aulas seguintes?
A mesma coisa acontece depois que a explicação no quadro acaba. O Nic volta a resolver seus exercícios com tranquilidade, como se estivesse assistindo a um bom K-drama de romance. Eu não sei como alguém gosta de ficar fazendo isso. São literalmente contas enormes de matemática, e ele já está finalizando, enquanto eu nem consigo começar as que foram passadas para casa.
— Me ensine como utilizar essa fórmula, pelo amor de Deus?
É o intervalo, e o Nic está aqui. Ele é bom com exatas, então por que não aproveitar essa sorte ao meu lado?
— É Bhaskara. Quando você aprende, já não acha um bicho de sete cabeças.
— Tenho certeza que é, meu resultado está dando diferente.
— Deixa eu ver como está fazendo. — Ele pega o meu caderno e analisa os números escritos todos tortos e voando das linhas. Vejo que um sorriso surge em seus lábios. — Pensava que a minha letra era feia, mas a sua...
— A minha letra é linda, mas quando é sobre números, não capricho muito.
— Consigo perceber.
— Ei!
Ele continua sorrindo enquanto apaga o meu trabalho de vinte minutos em uma única questão.
— Primeiramente, precisa escrever direitinho para não confundir o seu "dois" com o "cinco". Depois você...
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Absolutely nothing
Romance(esse livro começou a ser editado, porém, não foi finalizado a correção) Pérola é livre, quando sua mãe permite, e gosta de viver cada minuto. Vem de uma família comum, semelhante à de quase todo mundo, sempre se metendo em confusões e tentando sair...
