POV. PÉROLA
Talvez o meu pé tenha se machucado devido à minha falta de atenção. E também talvez eu fiquei aqui ao invés de ir embora pela minha percepção em relação a um sentimento novo que está se fingindo de invisível dentro de mim, como se eu não fosse percebê-lo, mas eu sou boa em entender os meus próprios sentimentos quando nascem de repente, em relação a isso sempre fui muito rápida, não fico confusa por muito tempo ou negando eles, acho que seja uma qualidade minha. Então, sei que esse sentimento com o Nicolas não é nada comparado com o Ravid. Não é no sentido romântico, aparentemente. Com o Ravid sinto uma ansiedade, uma revirada de estômago com as famosas borboletas que tomaram energético. Já com o Nicolas, é mais uma... não tenho uma palavra para descrever ainda.
— Se você contar para alguém que chorei assistindo Dory, comprarei a sua casa.
Levanto as sobrancelhas.
— Que tipo de ameaça estranha é essa?
— Não vale arriscar virar uma sem teto... — Sua voz sai perturbadora.
Ao invés de medo, sinto vontade de rir.
— Se for para comprar a minha casa, reforme ela. Porque o verdadeiro dono nem se preocupa com a goteira do meu quarto. Quando durmo em dia de chuva, é como escutar samba.
— Sembá? — Pronúncia a palavra cautelosamente.
— Sam-ba. — Corrijo — Nunca ouviu? — Ele nega com a cabeça, assustado com a expressão que faço. Realmente me sinto supresa com a revelação do gringo nunca ter ouvido falar de samba antes.
— O que seria Sembá?
Não vou ensiná-lo a falar corretamente a palavra samba, Nic que fale do jeito que quiser, o mais importante agora é apresentar a ele esse hino brasileiro.
Alcanço o meu celular.
Samba não é o resumo do Brasil, nem mesmo futebol e Rio de Janeiro, mas é algo que se deve pelo menos apreciar. Até entendo o porque dele não conhecer morando aqui, é difícil quando na nossa cidade as pessoas compartilham diferentes gostos para gênero de música, preferem algo mais regional, o que me surpreende é lá fora não ter visto em algum lugar sobre o samba ser algo típico.
— Isso que é samba?
— Sim! — Faço minha dancinha com os ombros. — Como assim não sabe do nosso maior estereótipo?
Ele me observa, não consigo saber no que está pensando, seus olhos focam no meu rosto enquanto Viola em Bandoleira toca ao fundo, não é nada romântico e não sei porque esse pensamento passa na minha cabeça, mas de repente uma propagando interrompe a música.
"Se você precisa de um mês grátis sem interrupções e com liberdade para...."
— Que saco! — Começo a sair do MusicBond para não precisar escutar aquela mulher falando do próprio aplicativo como se ele já não estivesse baixado no meu celular, quando o Nicolas tira o aparelho da minha mão, sem reação, apenas o assisto mexer nele como se o pertencesse.
— Está fazendo o quê?
Balanço o pé, ansiosa, por acaso me convenço em deixá-lo à vontade com o meu celular, não sei mesmo o que se passa na minha cabeça. Não sou aquelas adolescentes que fazem coisas erradas no celular, as únicas coisas que possuo de indecente na minha galeria são fotos de ídolos sem camisa, só que eu acho que não conta muito. A minha mãe provavelmente brigaria por eu ter a barriga do Lee Jong Suk nos meus favoritos do álbum de foto, aliás, uma vez dei a burrada de colocá-lo de papel de parede na tela principal, não na de bloqueio porque aí seria o ápice da tolice. Hoje em dia o meu papel de parede é uma música da Lana Del Rey que tirei print, então estou mais lite. O Nicolas não me julgaria por isso, sendo que uma vez durante a aula vi ele mexendo no celular, sua tela principal é uma foto de Veneza, nada mais idoso que isso não existe.
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Absolutely nothing
Romance(esse livro começou a ser editado, porém, não foi finalizado a correção) Pérola é livre, quando sua mãe permite, e gosta de viver cada minuto. Vem de uma família comum, semelhante à de quase todo mundo, sempre se metendo em confusões e tentando sair...
