19 - DELEGACIA

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AVISO IMPORTANTE: ESTOU REPUBLICANDO OS CAPÍTULOS, POIS PASSARAM POR UMA REVISÃO E EDIÇÃO. ASSIM, OS CAPÍTULOS ANTERIORES A ESTE SOFRERAM ALTERAÇÕES QUE PODEM MODIFICAR COMPLETAMENTE O QUE VOCÊ JÁ HAVIA LIDO E CONHECIDO SOBRE A HISTORIA. EU RECOMENDO RELER, PELO MENOS DO CAPÍTULO 6 ATÉ O ULTIMO QUE PUBLIQUEI. OS PRÓXIMOS CAPÍTULOS SERÃO REPUBLICADOS COM O TEMPO. POR FAVOR, TENHAM PACIÊNCIA.❗❗❗❗❗❗❗❗


POV. NICOLAS

Entramos na delegacia com a voz da mulher soando alto. Agora, que estamos nós três de frente para um delegado, Pérola começa a discutir. Continuo me perguntando o que estou fazendo aqui, porque eu ainda não sei como tudo aconteceu. E em que momento eu saí da escola com a ideia de ir para casa e vim parar na delegacia?


Sentado em uma cadeira com almofadinha, a sala cheirando a ar condicionado e a papéis, reparo nas paredes descascando, sentindo-me envolvido por um déjà vu. Parece que já estive em uma delegacia antes, só que eu simplesmente não me recordo. E não sei se devo confiar na minha memória; minhas lembranças são, em grande maioria, sobre acontecimentos enquanto estive em casa, sobre minha convivência com meus irmãos e as mudanças recorrentes. De resto, são memórias imaginadas depois que alguém me contou sobre algo que fiz durante a infância, principalmente as de passeios, férias ou qualquer uma que se passe em ambiente externo.


É engraçado quando meu irmão conta sobre a gente brincar em parquinhos quando criança, porque para mim isso nunca aconteceu. Me pergunto se o meu cérebro odeia lembrar das memórias felizes.


— Ela que ia abandonar um cachorro, eu não fiz mais que a minha obrigação — Pérola explica, o homem apenas cruza os braços para escutá-la. — Essa maluca começou a fazer um escândalo me chamando de animal, tive que revidar e não vejo problema nisso.


Quando os policiais pediram para acompanhá-los até a delegacia, não mencionei que o carro estacionado atrás do carro da senhora era meu. Felizmente, não descobriram, mas infelizmente, agora ele está lá naquela rua sozinho. Não sei em que momento irei voltar para buscá-lo e nem se até lá estará inteiro. Uma vez o deixei estacionado em uma cafeteria, quando voltei, tinha um risco enorme na porta, aparentemente foi proposital.


Olho para Pérola, sentindo-me com raiva. Ela me enfiou nisso assim como no dia da suspensão. Será que entrarei em problemas todas as vezes que estiver com ela?


— ...o prefeito não faz nada a respeito agora que o filho dele é um cantor famoso idiota, ele acha que pode apenas ignorar que precisa cuidar de uma cidade.


Em que momento o assunto da briga virou sobre o prefeito? Abaixo a cabeça e resolvo apenas esperar.


— Basta. — O delegado solta um suspiro alto. — Estão liberados.


Quando levanto a cabeça, o policial na porta olha para nós com cara de "vão embora, crianças". Claro, estou do lado de Pérola. Aquela mulher é uma sem noção, mas defendo sempre ficarmos calmos e não entrarmos em brigas. O delegado só queria estar atendendo um caso de verdade, não uma briga de uma adolescente com uma idosa. Ele liberou já que nenhuma das duas registrou um boletim de ocorrência. Primeiro porque Pérola é menor de idade, ainda não pode, e segundo, a senhora estaria ferrada se fizesse isso, ela sabe que estava errada na história.

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