20 - PERSEGUIDOR

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AVISO IMPORTANTE: ESTOU REPUBLICANDO OS CAPÍTULOS, POIS PASSARAM POR UMA REVISÃO E EDIÇÃO. ASSIM, OS CAPÍTULOS ANTERIORES A ESTE SOFRERAM ALTERAÇÕES QUE PODEM MODIFICAR COMPLETAMENTE O QUE VOCÊ JÁ HAVIA LIDO E CONHECIDO SOBRE A HISTORIA. EU RECOMENDO RELER, PELO MENOS DO CAPÍTULO 6 ATÉ O ULTIMO QUE PUBLIQUEI. OS PRÓXIMOS CAPÍTULOS SERÃO REPUBLICADOS COM O TEMPO. POR FAVOR, TENHAM PACIÊNCIA.❗❗❗❗❗❗❗❗

POV. PÉROLA

Claro que o cachorro ficou com o Nicolas; decidimos dividir a guarda dele. O Nicolas fornecerá moradia e comida, já que eu não tenho dinheiro para isso, e o resto ficará comigo. Uma troca justa, facilitando para ambos os lados.

— Você está passando muito tempo com aquele garoto. — Meu irmão fala quando entramos em casa.

A sala de estar está com cheiro de fritura, e eu já sei que minha mãe fez peixe frito para o almoço. Me adianto em correr para a cozinha, pois estou quase desmaiando de fome. Meu irmão me segue, dou uma olhada em sua direção, tentando entender onde ele quer chegar com essa conversa, e recebo apenas a curiosidade de todos os outros membros da minha família.

— O que foi?

— Está rolando algo entre vocês dois? — Ele dá um empurrãozinho no meu ombro, quase fazendo com que eu caia com o prato na mão.

— Não! — Me adianto em dizer. — O Nicolas é só um colega de sala.

— Ele é uma gracinha de menino, pelo que percebi. É educado e bonitinho. — Travo minha tentativa de colocar arroz no prato para poder encarar minha mãe elogiando um garoto, algo que nunca aconteceu antes.

Quando foi que saí da relação mãe e filha e fui para a relação amiga e filha com ela? Isso nunca aconteceu entre nós. Tenho a liberdade de fofocar com meu pai sobre as minhas coisas, até mesmo com meu irmão, porém, minha mãe nunca me deu essa confiança. Agora, parece estranho conversar sobre garotos com ela.

— Não temos nada. Esqueçam isso.

— Duvido que ele não goste de você. Apenas tome cuidado com isso, está bem? — Toma um semblante sério. — Nossas famílias são de classes diferentes, e mesmo que os dois achem isso algo irrelevante, saiba que influencia muito na relação de um casal.

— Está tudo sob controle. Eu te garanto, ele é só meu amigo.


POV.NICOLAS

Paro na calçada para amarrar meu cadarço, que soltou durante a corrida. Não deixo de olhar para os lados da rua antes de me abaixar. Continuo no meu bairro, uma rua antes da casa da Pérola. É melhor correr nessa região devido às ruas em linha reta por longa distância. Tentei convencer meu irmão a vir comigo; no entanto, o garoto continuou enfiado debaixo das cobertas, apenas resmungou um "não" e voltou a dormir. E é claro que isso me preocupa. Não estou acostumado a isso. Infelizmente, tenho que confessar que sinto falta da época em que ele não parava em casa e todo mundo ficava preocupado com medo de algo acontecer.

Uma mão pega meu ombro por trás, pesada demais para ser de alguém que conheço. Pensei rápido que seria do Ravid, mas ele é barulhento. Já o dono dessa mão chegou de surpresa. Quando me viro, tenho a certeza de que não conheço esse moço de jeito nenhum. O homem é completamente suspeito. Por que alguém estaria todo agasalhado numa noite quente como essa, chegando de mansinho?

Levanto num pulo, atrapalhado com os cadarços ainda. Ele vem na minha direção pronto para me acertar uma ripa de madeira que não havia notado em sua mão. Tão de repente assim? Droga. Algo assim só aconteceu uma vez, mas foi com meu irmão. Estávamos de férias na Alemanha, descemos para brincar no parquinho do hotel, quando de repente dois homens surgiram, vindo em nossa direção. Pegaram ele para trocar por uma recompensa.

Consigo desviar do ataque, raciocinando que não vou conseguir derrubá-lo para chegar até minha casa correndo; preciso de algo mais rápido. Devolvo alguns ataques, passando mais tempo me protegendo, já que ele tem uma ripa de madeira e eu apenas as minhas mãos. Posso saber lutar boxe, mas isso aqui é um tipo de luta de rua. Começo a correr ruas abaixo, pegando velocidade na descida. Se você não tem chances, apenas corra.

A rua reta me dá vantagens na fuga, minhas pernas são mais compridas que as dele. Durante todo o caminho, olho para trás apenas uma vez, certificando-me de que continuo sendo perseguido. A casa da Pérola surge no meu campo de visão como um ponto de esconderijo perfeito. Então, acelero mais as passadas, meu coração batendo feito louco contra o meu corpo.

Sem conseguir parar, bato com força na porta. Apenas fui contra a madeira. Um... Dois... Três... Quatro segundos depois, alguém abre para mim. Não deixo nem ela falar, não olho quem me salvou, apenas entro e bato a porta para fechá-la, ficando na frente para bloquear a passagem de mais alguém.

— Nicolas?

Pérola está com uma toalha na cabeça, seu rosto iluminado apenas pela lanterna do celular; o resto da sala está um breu. Provavelmente estamos sozinhos aqui, e não sei se fico aliviado ou mais preocupado. Se o homem tentar arrombar a porta, será que estou colocando a vida dela em risco?

— Chave. Cadê a chave? — Minha voz sai mais desesperada do que eu imaginava estar.

Pérola sai mancando até uma estante que tem grudada na parede e joga o molho de chaves para mim. Quando consigo trancar, apenas tento voltar a respirar novamente. 

Alguém tentou me atacar. 

Alguém tentou me machucar. 

Acho que nunca senti tanta adrenalina correndo pelo meu corpo como agora. Ela ainda pulsa, consigo escutá-la com meus ouvidos.

— Pode me dar uma explicação?

— Tem... — Respiro. — Um cara... me seguindo.

— Quer água? Ou quem sabe ligar para a polícia?

Absolutely nothingOnde histórias criam vida. Descubra agora