POV. PÉROLA
Flagro o Nicolas me observando enquanto devoro todos os camarões que estão no prato. Não me importo muito, porque é a melhor comida que já experimentei. Não vou tentar fingir uma etiqueta agora. Estava com fome enquanto assistíamos àquele filme. Foi uma das melhores coisas ter sido chamada para jantar. E essa comida não é daquelas que faz pouca lambança.
— Parece que gostou. — O seu rosto está apoiado no dorso da mão e, por esse motivo, o relógio do pulso fica à mostra.
Tento engolir o mais rápido possível toda a comida da minha boca e comento:
— Gostei do relógio. É bonito. Combina com você. E olha que não sou fã de relógios, porque sempre me passam a energia de homem que não presta.
— Gostou? — Ele olha para o acessório com orgulho. — Foi presente da Grace, ela comprou quando morávamos lá. Disse que viu em uma feira de mercadão e achou a minha cara.
Já notei que o Nicolas gosta de elogios, ele fica todo pimpão quando ganha um. E ele gosta de explicar sobre algo que tem. Isso o deixa animada. O que eu não entendo é porque ele fica desconfortável em lugares com um grande público, mas gosta da atenção de outras maneiras. Como elogios, bajulação e quando demonstra interesse nele.
— E o que você mais gostou na Itália?
— A arquitetura...
— Imaginei. Seus pais também gostam das construções, não é? — Pego um guardanapo de pano e limpo meus dedos sujos. — Sua casa tem uma decoração meio europeia.
— É verdade, talvez porque somos da Dinamarca, acho que todos da família apreciam o modelo clássico.
— Você tem avós? Ou algum membro da família além de seus pais e irmãos?
— Meus avós são falecidos, mas eu tenho uns doze tios e tias.
Arregalo os olhos e bebo um gole de suco para me recuperar.
Doze.
Uau.
— Muitos tios, eu sei... — Ele sorri e encosta na cadeira depois de se lembrar de manter a postura reta. — Mas não mantemos contato com nenhum. Digamos que não somos muito apegados a parentes. Se perguntar ao meu pai, ele vai dizer que é filho único.
— A minha família não possui tantos assim, tenho no máximo cinco tios de cada lado e uns dez primos, meus avós e os que não são de sangue que vão entrando.
— Imagino que sejam bem espirituosos...
— Digamos que sim. Todo ano ocorre uma briga feia.
Nossa conversa correu como um rio, harmoniosa e divertida, um fluxo bastante bom. No fim da noite, já estávamos falando de animais de estimação, e o Nicolas disse que prefere gatos, mas que está sendo obrigado por uma pessoa a cuidar de um cachorro. Apenas pisquei, fingindo minha inocência.
— E ele tem uma mãe irresponsável que até hoje não apareceu para vê-lo — Me acusa — Acho que precisaremos de uma divisão de guarda, porque você está me deixando sozinho na criação.
— Quanto drama — Cruzo os braços, sentindo a minha bexiga prestes a estourar de tanto suco que eu bebi. — Eu só... fui comprar cigarro.
Ele ri, e abaixa os olhos para o prato vazio que antes tinha um pudim de chocolate.
— Vou te levar na justiça.
— Eu vou vê-lo, prometo, apenas preciso arrumar um tempo na minha agenda.
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Absolutely nothing
Romansa(esse livro começou a ser editado, porém, não foi finalizado a correção) Pérola é livre, quando sua mãe permite, e gosta de viver cada minuto. Vem de uma família comum, semelhante à de quase todo mundo, sempre se metendo em confusões e tentando sair...
