7- UMA PROPOSTA

4.8K 438 208
                                        

POV. PÉROLA

  Saí da plateia e entrei no prédio da escola para procurar por Ravid, que estava ao meu lado em um segundo e depois já não estava mais. Queria uma foto com ele, mas como sumiu de repente, não tive a oportunidade. Acredito que, pela pressa, ele tenha ido ao banheiro ou beber água, talvez?   

O salto está me matando. É bem provável que eu já tenha perdido dois dedos nessa brincadeira de andar pelos corredores da escola atrás de um cara. 

Ajeito a coroa na minha cabeça e continuo observando a minha volta; ele deve estar aqui em algum lugar, afinal, existe apenas uma entrada para o pátio. Escuto ruídos vindo da sala do sexto ano, a última do corredor do primeiro andar. Me encolho ao máximo para ficar bem escondida enquanto espio e vejo um terno vermelho prensando alguém na parede.   

Que nojento!   

Beijando alguém na sala das crianças.   

O Ravid também estava com um terno vermelho.   

A verdade me atinge em uma pancada quando finalmente entendo a cena na minha frente, igual quando se desce pela primeira vez em uma montanha russa e sente aquele impacto. Ravid beijando alguém não é uma novidade; sempre fico sabendo que ele ficou com não sei quem, mas é que agora eu vi. Meus olhos viram. E eu não sei se gostaria de ter visto isso.    Me encosto na parede ao lado da porta, fechando os olhos por um instante. Não vou dizer que não estou decepcionada, ou sei lá, de coração partido. Ele sempre foi o filho dos amigos da família; todos esperavam que tivéssemos alguma coisa pelo tempo de convivência, e eu também esperava isso. Claro que ele beijando outra pessoa não quer dizer nada, não estraga nada, porque ele é solteiro, mas mesmo assim não é legal ver um crush com a língua na boca de alguém.

— Isso não é errado? — Alguém pergunta ao meu lado.

— Ai que susto! — Abro os olhos de uma vez, quase tendo um treco.

— Você gosta dele... — Ele dá uma espiada rápida dentro da sala e volta a me encarar com curiosidade.

— O que vai fazer com essa informação? — Grito sussurrando. — Isso é por eu ter derramado água na sua mesa?   

Ele se afasta da parede como se pudesse conter germes, então para na minha frente.

— Está fazendo o quê aqui? — Levanto o queixo. — Está querendo levar um chute no saco?

— Você é engraçada... — Isso aciona a imagem do tanquinho dele por algum motivo. 

Droga. 

Devo parar de ler fanfic.

— O que você quer comigo, Nicolas?

— Você já beijou alguém?

— Já. — A mentira derrete fácil, igual pastilha.

— Então se eu te beijar agora, vai saber o que fazer? — Ele olha para a minha boca.

— Claro. Mas não vou te beijar, porque você não faz o meu tipo. Além disso, é o tipo de cara que lavaria a boca após beijar alguém, com medo de pegar uma doença.

— Você está de novo tirando conclusões sobre mim... — Olha para os meus olhos.

— Seu esquisito, cai fora. — O clima todo se quebra. Ele passa a mão na boca e solta um suspiro.

— Boa sorte aí com o carinha lá dentro.     

Enquanto o Nicolas se afasta, uma ideia me vem à cabeça. Não é uma das melhores que já tive, mas não consigo me resistir. Dou uma corridinha me equilibrando nos saltos e puxo o braço dele para pará-lo.

Absolutely nothingOnde histórias criam vida. Descubra agora