Capítulo 85

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- Ei, vai dar tudo certo! - Falei apertando a mão de Bella e ela respirou fundo.

- Não foi assim que eu imaginei que apresentaria minha namorada para os meus pais um dia. - Ela respondeu com uma ponta de mágoa na voz e claramente chateada.

- Bel, a vida é o que é... Apesar da situação, eu to muito feliz que vou conhecer eles! - Respondi sinceramente, que sorriu fracamente em seguida.

- Tudo bem... então vamos lá. - Nós saímos do carro e pegamos as sacolas com presentes e com os quitutes que tínhamos levado para aquela tarde, todos preparados por Luigi que tinha feito questão de fazer várias coisinhas diferentes. Nós passamos pela porta do hospital, e Bella passou cumprimentando todas as pessoas pela frente, pessoas que ela provavelmente conhecia desde sempre e que tinha crescido ao lado. Todos se curvavam - exceto aqueles que estavam com pressa por causa de uma emergência - e nos parabenizavam pelo namoro e pela turnê de Bel. Ela passou entregando as lembrancinhas para aqueles que ela disse que sempre tinham ficado ao lado dela e foram importantes para que a infância e adolescência dela não fosse tão traumatizante, e a deixei em seu momento até que me chamasse. Passamos pelo andar de oncologia com as crianças e adolescentes que estavam em tratamento, e ela fez questão de cantar algumas músicas ali, além de entregar os presentes. Eu sentia que ela estava prolongando o momento de ver os pais e os tios dela o quanto podia, mas eu respeitava... ela estava nervosa e era a primeira vez que ela veria a mãe desde que tinha voltado de turnê, já que no dia que ela chegou em Milão foi dia de sessão de quimioterapia e os pais sempre proibiram que ela ficasse nesses dias. Mas era fato que a mãe provavelmente estivesse pior desde a última vez que ela a viu. Brinquei com algumas crianças e conversei com outros adolescentes, ouvindo todos com atenção e zoando com eles, que me zoavam de volta mesmo os pais repreendendo por eu ser a Rainha.

- Tudo bem... vamos lá. - Bel disse depois de mais um tempo e pegou minha mão, me guiando para o fim do corredor e chamando o elevador. Subimos mais alguns andares e paramos em um hall grande, ela cumprimentou mais algumas pessoas. - Como ela está? - Perguntou para os médicos de lá depois de cumprimentarmos todos e entregarmos os presentes e eles sorriram solidários.

- Doida pra te ver! - A médica respondeu fazendo carinho em seu rosto e Bel relaxou os ombros.

- Mas eu espero que você não tenha criado expectativas Belinha. - O outro médico acrescentou cuidadoso mas com carinho, ela negou.

- Vocês me conhecem, sabem que sou realista desde os dez anos. - Eles suspiraram e sorriram fracamente, apertei sua mão e ela sorriu. - Mas já é o décimo primeiro natal desde o começo... - Eles sorriem grande.

- É uma vitória a mais. - A médica concorda e Bel assente que sim, me puxando pela mão e me guiando para um dos quartos. Ela bate rapidamente e abre logo em seguida.

- Olha quem chegou! - Um homem alto fala se levantando da poltrona e ela vai em direção à ele sorrindo e o abraçando forte.

- Belinha!!! - Uma mulher grita pulando em cima da garota e ela ri a envolvendo nos braços.

- Oi tia. - Ela fala com carinho e outro homem vai em direção a ela, colocando as mãos em seu rosto e a avaliando.

- Você está tão linda e cheia de vida! - Ela não o deixa falar mais nada e o abraça, vejo lágrimas escorrerem e meu coração aperta.

- A minha garotinha voltou... - A mulher sentada na cama fala e Bel a olha com devoção.

- Oi mamãe. - Ela a abraça com cuidado e chora. A mulher passa as mãos em seu cabelo e faz um "shiiiiu" baixinho e acolhedor. - Eu senti sua falta.

- E eu então... Mas nós assistimos TODOS os seus shows! - Ela fala segurando o rosto de Bel e secando suas lágrimas.

- Majestade... é um prazer imenso. - O tio de Bel fala pra mim e quase me esqueço que estou realmente presente naquele momento familiar e deixo as sacolas de lado, quando eles se curvam.

O Destino me Aguarda - O FinalOnde histórias criam vida. Descubra agora