58. Esconderijo final

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                " a morte chegou mais cedo "

                " a morte chegou mais cedo "

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A voz de Harry continuou a dizer: "Dobby... Dobby...", mesmo sabendo que o elfo se fora para um lugar onde já não poderia atender o seu chamado.

Passados um minuto ou pouco mais, ele percebeu que, afinal, tinha vindo parar no lugar certo, porque ali estavam Gui, Fleur, Dino e Luna, rodeando-o junto ao elfo.

– Hermione , Ayla ? – perguntou ele, repentinamente. – Onde elas estão ?

– Rony levou-as para dentro – disse Gui. – Vai ficar bem.

Harry tornou a olhar para Dobby. Esticou a mão e puxou a faca afiada do corpo do elfo, então despiu o próprio blusão e, como se fosse um cobertor, estendeu-o sobre Dobby.

O mar batia contra rochas em algum lugar ali perto; Harry ficou escutando, enquanto os outros discutiam assuntos pelos quais ele não conseguiu se interessar, e tomavam decisões. Fleur se apressou em acompanhá-los; agora Gui dava sugestões para o enterro do elfo. Harry concordou, sem realmente saber o que estava dizendo. Ao fazer isso, olhou para o corpinho de Dobby e sua cicatriz formigou e ardeu, e uma parte de sua mente avistou, como se olhasse pelo lado contrário de um telescópio, Voldemort punindo aqueles que tinham ficado na Mansão dos Malfoy. Sua fúria era medonha e, no entanto, a dor de Harry pela perda de Dobby pareceu atenuá-la, transformando-a em uma tempestade distante que lhe chegava da outra margem de um vasto oceano silencioso.

– Quero enterrá-lo como deve ser. – Foram as primeiras palavras que Harry teve plena consciência de pronunciar. – Não por magia. Vocês têm uma pá?

E pouco depois, ele começou a trabalhar, sozinho, abrindo uma cova no lugar que Gui lhe apontara no extremo do jardim, entre moitas e arbustos. Cavou com uma espécie de fúria, sentindo prazer no trabalho manual, envaidecendo-se com essa antimagia, porque cada gota de suor e cada bolha que se formava eram para ele uma oferenda ao elfo que salvara suas vidas.

Sua cicatriz ardeu, mas ele dominou a dor; sentiu-a, sem dela participar. Aprendera finalmente a se controlar, aprendera a bloquear sua mente a Voldemort, exatamente o que Dumbledore tinha querido que aprendesse com Snape.

Da mesma forma que Voldemort não conseguira possuir Harry quando o garoto se consumira de pesar por Sirius, tampouco agora seus pensamentos conseguiam penetrar Harry, enquanto chorava por Dobby. O pesar, aparentemente, repelia Voldemort... embora Dumbledore, é claro, tivesse dito que era o amor...

Harry continuou a cavar cada vez mais fundo a terra dura e gelada, subordinando sua dor ao suor, negando a dor na cicatriz. No escuro, tendo por companhia apenas o som da própria respiração e das ondas quebrando, reviu o que acontecera na casa dos Malfoy, o que ouvira voltou à sua lembrança e a compreensão floresceu na treva...

O movimento compassado dos seus braços acompanhava o ritmo dos seus pensamentos. Relíquias...
Horcruxes... Relíquias... Horcruxes... entretanto, ele já não ardia com aquele desejo obsessivo e estranho. A perda e o medo tinhamno extinguido: sentia-se como se tivesse levado um tapa para despertar.

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