Uma criança chorava abaixo de um carvalho, com o joelho e testa sangrando, arfando desesperada. O joelho fora fraturado, tendo a ponta do osso despontando para fora, rasgando a pele.
A visão era de revirar o estômago, com as artérias expostas, a carne molhada pelo sangue, e o rasgo transbordando através da fratura.
Tinha tanto sangue saindo do machucado que a visão a causou um desconforto descomunal.
Era uma garotinha tão pequenina, de cabelos loiros e pele clara. Ela se aproximou dela, vendo a menina ofegar aflita, com as mãos sobre a laceração brutal.
O pequeno e frágil corpo tremia em espasmos brutos pela dor que deveria a dilacerar sem piedade alguma.
Alguém gritou distante, se virou para além da garotinha no chão, buscando a voz vindoura.
Um bosque. Estavam em um bosque, que parecia tão familiar e ainda assim desconhecido, com outra figura surgindo, indo ao encontro da garotinha machucada que gritava em dor.
— Deuses! O que houve? — a figura mais velha, uma fêmea, se ajoelhou ao lado da menina, exigindo saber.
— Eu tentei subir até o galho mais alto e cai! — em meio ao choro a criança tentou explicar.
Se aproximou tentando enxergar o rosto sem face das duas, quando de repente, a garotinha ergueu a cabeça e o mundo pareceu explodir em luz.
— Estou com medo vovó!
A fêmea ofegou temerosa com a visão dos olhos esféricos refletindo a mais pura e feroz das luzes, vindo dos olhos da garotinha.
Gwen então assistiu paralisada a fêmea mais velha erguer a mão, repleta de luz em sua palma e pressionar contra o joelho da mais nova.
De repente, os olhos da mais velha eram chamas, ao invés de luzes, chamas queimavam em puro poder.
Chamas alaranjadas.
Sorrindo, ela acariciou o rosto da garotinha, que aos poucos foi se acalmando enquanto a outra a curava com seu poder.
— Vai ficar tudo bem, Gwen. — a mais velha sussurrou no ar.
Gwen.
E o mundo se desfez, com as sombras surgindo em um furacão de névoa, fúria e escuridão a levando para longe daquela lembrança.
Ela tentou voltar, tentou sair daquele aglomerado de sombras que a envolviam em uma onda sufocante.
Vai ficar tudo bem, Gwen.
Aqueles olhos esféricos cheios de luz dourada pareciam impregnados em sua mente como um arauto.
— Ela é uma ameaça. — ouviu uma voz familiar, em meio a escuridão, encontrando a figura de Poltrix, um dos anciões, apontando o dedo em riste. — Sua presença em nosso povo nos trará desgraça!
— Junto a ela, o caos vira. — Godric, de cabelos vermelhos, outro dos velhos anciões surgiu na penumbra.
— O que querem dizer? — A avó de Gwen surgiu bem atrás dela, os fitando com desdém.
— Acabe com tudo isso Gillyn. Termine com todo esse ciclo de uma vez. — Poltrix vociferou.
— Você está dizendo para...
— Mate essa criança. — ele a cortou atroz. — Acabe com essa ameaça e com tudo isso.
Gwen arfou em um tremor.
As sombras a levaram para um riacho tão familiar, onde a mesma fêmea de antes, ensinava duas crianças a se equilibrarem sob as imensas rochas.
— Sejam um com a correnteza. — a avó de Gwen disse em um comando para os dois. Skye possuía um equilíbrio perfeito. Enquanto Gwen tremia pelo frio que a água emanava.
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SOMBRA DE CINZAS
FantasySequência do livro "Sombra de Asas", é necessário ler o primeiro livro para a compreensão desse. AVISO: Apesar de ser um livro de fantasia, onde o romance não é o foco. Diferente do primeiro livro, há cenas de sexo explícito! Então, esteja ciente di...
