- Pharn? Pharn...
Tony sacode o rapaz pelo ombro, ele continua de olhos fechados sem esboçar nenhuma reação.
- Por favor acorda, se não eu não sei o que fazer...
- Senhor, está me deixando mais tonto.
Pharn não abre os olhos, mas toca de leve uma das mãos que Tony usa para sacudi-lo.
- O que está sentindo? Precisamos ir ao médico?
- Não precisa Senhor, é só um resfriado.
Pharn acaba tossindo, confirmando que está mesmo indisposto.
- Você tem certeza?
- Daqui a pouco vou na farmácia comprar algum medicamento e tomar um banho frio que logo isso passa.
Pharn tenta levantar, mas não consegue, se sente bastante tonto, além do corpo dolorido e quente, mas sabe pela experiência, que é apenas um resfriado um pouco mais forte que o normal.
- Você além de tudo é burro mesmo não é? Eu mesmo vou a farmácia.
- Você é meu chefe... - a voz de Pharn vacila um pouco ele está bem rouco também. Acaba tossindo novamente ao fim da frase.
- Gear esta aqui? Não. Então não tem nenhum chefe, você entendeu? A partir de hoje quero que me chame de Tony seu bastardo.
- Tony, seu bastardo...
Pharn brinca com um sorriso no rosto quente e dolorido.
Tony não consegue reagir.
Alguma coisa no som do seu nome saindo dos lábios de Pharn o faz petrificar por um instante.
Pharn já havia dito seu nome antes? Se disse, sentiu essa mesma fisgada no peito ao ouvir? Tony estava absorto em pensamentos.
Pharn percebe o silêncio do outro.
- Senhor era brincadeira
- Tony, me chame de Tony.
Balançando a cabeça pra espantar as coisas, que passavam por sua mente ,ele se levanta.
Sai apressado de casa com uma lista que Pharn mesmo fez do que deveria comprar, por que ele mesmo não tinha a mínima ideia de como cuidar de alguém ou medicar uma pessoa, sempre quem cuidou dele foi Gear.
Não demora muito na rua por que não quer deixar o segurança sozinho em casa.
Logo que volta prepara também alguma coisa bem leve para Pharn comer antes de tomar o medicamento. Mal sabe se virar na cozinha. Mas o básico sabe fazer.
Volta para o quarto e Pharn ainda parece muito mal.
Pega uma toalha e uma bacia. Mas ao se aproximar da cama Pharn abre os olhos.
- O que vai fazer ?
- Acha que pode mesmo ir sozinho para o banheiro tomar um banho frio? Você nem aguenta levantar.
- Não precisa fazer isso.
- Está com receio de mim ou com nojo? Só quero ajudar.
Tony morde os lábios com força ao imaginar que Pharn mesmo queimando de febre, não quer deixá-lo tocar em seu corpo.
- Nem uma coisa nem outra... eu que devia estar te servindo, cuidando.
- E daí? Você está doente, pensa que eu sou tão mal a ponto de não ajudá-lo.
- Não penso coisas ruins sobre você Tony...
Outra vez, o som de seu nome nos lábios do outro é como receber uma pancada no peito. Seus olhos acabam se demorando nos olhos de Pharn.
Fica imaginando se o que sente é mesmo só gratidão pelo guarda costas ter salvado sua vida a dois meses atrás e protegê-lo desde então, até mesmo com o episódio da noite passada. A gratidão faria seu coração acelerar daquela forma que estava acelerado agora?
-Deixe eu fazer isso...
Tony tenta não pensar muito, retira a camisa de Pharn e trata de limpar ele. Pharn não protesta, parece realmente exausto e com dor.
Tony, morde com força a própria boca, até sentir o gosto do sangue, em uma tentativa de não deixar o pensamento fluir enquanto passa a toalha úmida desde o pescoço até o abdômen de Pharn, o mesmo não demonstra reação, parece estar com dor e sonolência.
Assim que termina, veste o segurança novamente, da a comida, precisa alimentá-lo, ele está sem força, Pharn que com dificuldade levanta um pouquinho o corpo e apoia a cabeça no travesseiro, aceita de boa vontade as colheradas de comida que lhe são dadas na boca, mesmo sendo difícil engolir não quer menosprezar os esforços do chefe e no fim da refeição, aceita também tomar os remédios e ajeita novamente na cama, não demora fecha os olhos esta cansado.
Sabendo que Pharn pegou no sono logo depois de tomar um pouco de água, Tony trata de fazer os serviços de casa que geralmente são função do guarda costas.
De vez em quando vai olhar se o outro está bem.
Se sente orgulhoso de si mesmo, quem disse que ele não podia ser responsável? Cuidar de alguém doente? Ou até mesmo cuidar de uma casa?
No fim da tarde levou mais um pouco de comida para Pharn, deixou do lado da cama, ia primeiro acordá-lo. O rosto antes avermelhado do outro agora estava pálido. Tocando em sua testa viu que a febre tinha sumido, provavelmente estava bem melhor agora e só dormia tranquilamente.
" Quando acordar e ver que cuidei de você tão bem, vai confiar mais em mim, quero ver se ainda vai tentar me controlar e vigiar pra contar tudo para meu irmão. "
- Obrigado por me salvar ontem.
Sussurrou ainda tocando a testa de Pharn.
Sua mão em contato com a pele do homem adormecido parecia formigar de leve.
" Se você não fosse tão chato, se não gostasse só de meninas, quem sabe eu não podia gostar um pouco mais de você ".
Tony riu com aquele pensamento, os dois eram o oposto um do outro e pensar que Pharn estava lhe acompanhando apenas porque recebia um salário ou queria agradar ao seu irmão mais velho lhe deixava um pouco triste. Sabia que não era alguém fácil de conviver, mas não queria baixar a guarda, sabia que cedo ou tarde alguém viria machucá-lo novamente.
- Pelo menos tenho você pra me proteger.
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Nos pertencemos
FanfictionFIC DE NÚMERO 2 Um trisal que apareceu do nada na história anterior, ganhou uma estória somente deles 🤭 Um estudante, um mecânico e um aspirante a mafioso, o que os três podem ter em comum? Talvez nada, talvez tudo, uma história que começou ao aca...
