POV VALENTINA:
Vamos pra minha casa e no caminho a Luiza não deu uma palavra, na verdade talvez ela nem conseguia falar algo. Agora eu entendo seu medo e seu desespero, só de ver a forma que o Otávio segurou ela, e cuspia suas palavras até eu fiquei assustada. Minha vontade era dar na cara daquele infeliz, mas como Luiza sempre diz, eu não sei o que ele é capaz de fazer.
Estou focada no trânsito, mas a todo momento desviava o olhar pra Luiza que estava encolhida no banco olhando pela janela. Eu nunca imaginei ver ela assim, da outra vez quando cheguei ela já não estava mais em pânico. Só estava querendo fugir mesmo, mas agora ela parece nem estar aqui, parece estar tão longe, prisioneira de pensamentos que claramente lhe assustam.
- Adoro essa música sabia? - Digo dando um sorriso fraco pra tentar interagir com ela.
- Ela é boa mesmo...- Ela diz abaixando a perna e se ajeitando no banco respirando fundo.
Mas logo o silêncio volta a reinar e o único barulho presente ali era a música da sua playlist.
Chegamos na minha casa e Luiza se senta no sofá, seu estado me partia o coração, eu queria poder ter feito mais, ao invés de ficar parada que nem uma estátua enquanto o Otávio ameaçava ela.
- Toma meu amor, bebe um pouco de água. - Entrego o copo a ela e sento do seu lado.
- Desculpa...- É o que ela diz assim que termina de beber a água.
- Desculpa pelo o que, Lu? - Me sento mais ao seu lado e seguro sua mão que estava uma pedra de gelo.
- Era pra ser uma noite especial, não era pra acabar assim. - Ela me olha.
- Ei, tá tudo bem tá? Não se preocupa, eu tô aqui com você, nos momentos bons, ruins e estressantes também! - Dou um sorriso, e puxo ela acolhendo em meus braços e ficamos quietinhas assim por um tempo.
- Eu coloquei o Léo em uma aula de skate sabia? - Ela diz quebrando o silêncio e me olha enquanto eu acariciava seus cabelos.
- É sério? - Sorrio.
- Sim, ele ficou tão feliz com o skate que você deu, acho que ele vai gostar de aprender a andar igual você e a Lelê. - Ela me entrega um sorriso fraco.
- Você deveria fazer umas aulas, imagina você em cima de um skate? E descendo as rampas? - Dou risada. - Eu daria tudo pra ver essa cena.
- Nem em sonho eu subo em cima de um treco daquele. - Ela dá risada e para respirando fundo. - Eu tô com medo Valentina! - Ela me olha.
- Eu sei meu amor...eu sei...- Colo nossas testas e fechamos nossos olhos. - Mas vai ficar tudo bem, não se preocupa tá? - Ela balança a cabeça em concordância soltando um suspiro aflito.
- Obrigada por estar aqui comigo. - Ela sela nossos lábios brevemente e me abraça, finalmente estando um pouco mais calma.
- Obrigada você por me deixar ficar! - Lhe dou um selinho e me levanto. - Já sei algo que podemos fazer pra você se distrair.
- O que? - Ela me segue com o olhar.
- O que duas mães fazem quando estão sem os filhos em casa? - Olho pra ela sorrindo.
- Elas dormem! - Luiza diz e eu encaro ela. - Pelo menos eu durmo...você não? ou eu tomo um banho demorado também, depende do que estou necessitando mais no dia.
- Luiza! - Dou risada. - Tá, vou reformular a pergunta...O que duas mulheres fazem quando estão sozinhas em casa sem nada pra fazer e precisando se distrair? - Luiza me olha pensativa.
VOCÊ ESTÁ LENDO
SIMPLESMENTE ACONTECE - VALU
RomansaElas não estavam procurando por amor. Estavam tentando sobreviver. Luiza construiu um império na Europa e aprendeu a ser forte, fria e inabalável. Valentina aprendeu cedo que o mundo não perdoa mulheres sozinhas - e muito menos mães. Separadas por o...
