Capítulo 76 - Camadas

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POV LUIZA: 

Estavamos todas sentadas na mesa enquanto as crianças brincavam na sala de tv, eu me controlo pra deixar o Léo respirar um pouco, já que queria ficar agarrada com ele a maior parte do tempo, conversávamos sobre toda essa situação e o quanto sentimos medo, e pela primeira vez a Valentina mostra sua vulnerabilidade pra mim em relação a isso, ela foi tão forte, me trouxe tanta segurança, que apesar de parar pra pensar, eu não imaginei de fato como ela também teve medo, a Valentina foi tão importante pra mim, que se ela não estivesse aqui, eu sem dúvida teria desistido, teria me rendido e me perdido ainda mais em minha própria mente. 

- OLHA, GENTE OLHA! - Helena gritava da sala de tv e nós quatro corremos imediatamente até ela. 

- O que foi meu amor? - Pergunto preocupada. 

- O homem mal tá aparecendo na tv! - Ela aponta. 

- MAMÃE, MAMÃE SOCORRO, O OTÁVIO! - Léo corre desesperado em minha direção me pedindo colo. - NÃO DEIXA ELE ME PEGAR MAMÃE, NÃO DEIXA! - Ele começa a chorar me agarrando forte. 

- Calma filho, ele não tá aqui! - Tentava acalmar ele. 

- Pode ficar tranquilo maninho, se Otávio vier pegar você de novo eu bato com a amora na cabeça dele, ela é bem dura e forte...Ó! - Helena pega a boneca e bate com a cabeça dela na mesinha de centro fazendo o maior barulho. 

- HELENA, TÁ MALUCA? MINHA MESA É DE VIDRO! - Valentina diz prontamente. - Não faça mais isso filha! 

- Viu só? Ela é forte. - A pequena encara a boneca orgulhosa ignorando o fato de ter quase cometido um acidente. 

- Por que ela é sempre tão atentadinha? - Duda dispara. 

- Deixa eu ouvir gente! - Catarina diz aumentando o volume. 

A reportagem confirma a morte do Otávio, dizendo seu nome e com imagens, e é contado que ele estava fugindo da polícia após estar sendo procurado por sequestro, e que a criança já tinha sido resgatada que ela não estava no veículo.

Dou graças a Deus quando não citam o meu nome ou o do Léo, eu não queria mais esse barulho, e nesse momento eu me sinto tão esquisita. 

- Espero que esse imundo queime no fogo do inferno! - Duda dispara. 

- Caramba... - Catarina diz sem piscar.

- Amor, tá tudo bem? - Valentina pergunta preocupada ao me ver sentar lentamente no sofá com o Léo no colo. 

- Eu tenho muito medo do Otávio mamãe! - Ele esconde o rostinho no meu pescoço. 

- Lu? - Valentina me chama mais um vez. 

- Ele... - Passo a olhar Valentina enquanto uma película de lágrima se forma em meus olhos. - Morreu? - A lágrima escorre, minha voz sai falha e Valentina confirma com a cabeça. 

- Sim amor. - Ela segura minha mão que suava. - Mãe desliga a TV por favor! - Valentina pede suavemente. 

- Cariño... - Começo a chorar. - Eu não queria estar sentindo isso! 

- O que você tá sentindo meu amor? - Ela se senta ao meu lado. 

- Eu não me sinto aliviada ou em paz. - Respiro fundo. - Eu...eu me sinto feliz, eu desejei a morte de uma pessoa e agora estou feliz que ela morreu, e isso me parece errado! - Choro ainda mais. 

- Luiza... - Valentina fecha os olhos e respira fundo. - Olha pra mim, ou melhor, olha pra tudo o que você passou durante sua vida com o Otávio, olha pras marcas que estão no braço do nosso filho, olha o estado que ele está desesperado no seu colo agora, eu entendo que parar pra pensar e desejar pela a morte de alguém pareça algo horrível, então se for te deixar mais aliviada, se o Otávio não morresse nesse acidente de carro, eu mesma teria sido capaz de matá-lo com minhas próprias mãos, e eu espero do fundo do meu coração que ele tenha tido uma morte sofrida, e bem lenta, porque a morte pro Otávio foi fácil demais, perto de tudo o que ele fez voês dois passarem! - Ela acaricia as costas do Léo e aperta a minha mão.

SIMPLESMENTE ACONTECE - VALUOnde histórias criam vida. Descubra agora