POV VALENTINA:
Quando eu deixei a Luiza e as crianças em casa, eu não fui até o meu estúdio, mas sim até uma joalheria próxima, chegando lá eu sentia mil e uma borboletas no estômago. Meus olhos brilhavam vendo cada uma daquelas alianças e eu fiquei em dúvida em três opções, com isso demorei horrores pra escolher, ainda bem que a vendedora foi super paciente comigo, mas conhecendo a Luiza como eu conheço e se ela estivesse aqui agora, com certeza escolheria a opção dois, ela já me disse que prefere ouro do que prata.
Volto para casa pra pegar ela e as crianças, minhas mãos suavam e eu estava tão nervosa, afinal, hoje eu ia pedir a mulher da minha vida em casamento, e eu precisava fazer isso antes da ida dela pra Europa, tudo bem que não iremos nos casar agora, mas viraríamos noivas nesta noite sem falta, se ela me disser sim, é claro!
Eu queria fortalecer tudo o que construímos até aqui, eu queria firmar essa aliança, colocar apenas dois lugares na mesa na hora do jantar perdeu o sentido pra mim, afinal não somos mais só eu e a Helena, agora somos quatro.
Eu não sei quanto tempo vai levar pra tudo se resolver e ela voltar, eu só quero que ela vá com a certeza que estarei aqui, que eu sempre estive e sempre vou estar aqui, a Luiza me tem por completo de um jeito que ninguém nunca me teve.
Pedir ela em noivado foi um turbilhão de pensamentos, sentimentos, e verdades, é bom demais você amar, mas é bom demais se sentir amado, e eu sinto que de fato encontrei, ou melhor, reencontrei a minha pessoa, hoje estamos tendo nossas vidas juntas, claro que com todas as turbulências, mas não teve um único dia que eu não tenha pensado em um "se eu to com ela, eu to em casa, vai ficar tudo bem", e casa é isso, não importa onde ou quem, mas é o lugar que você se sente seguro, e por muitos e muitos anos eu busquei me sentir em paz estando simplesmente em casa.
Meu corpo todo tremia, meu coração parecia pular pra fora do peito e quando ela disse o tão esperado "sim", eu me senti a pessoa mais realizada desse mundo, todas as borboletas no estômago se acalmaram, porque agora eu também tinha a certeza que eu tinha a Luiza por completo, fomos o encaixe perfeito uma na vida da outra, e eu não me imagino mais sem ela.
Logo nosso jantar chega e mal conseguíamos comer, estavámos nervosas demais pra isso, ficamos trocando algumas palavras e dizendo da nossa importância na vida uma da outra e não medimos nossas caricias, estavamos felizes, apaixonadas e noivas, por sorte esse restaurante era bem vazio e eu tinha reservado uma mesa mais "escondidinha", pra ficarmos confortáveis sem a preocupação de ter alguém nos observando.
- Sabia que eu gosto de você de um jeito diferente? - Dou um sorriso enquanto meus olhos estavam cheios e meus lábios trêmulos.
- De que jeito? - Ela diz acariciando meu rosto, então pego um papel e entrego pra ela, Luiza coloca a mão sobre a boca, chorando forte enquanto lia a carta.
De: Valentina Albuquerque
Para: Luiza Campos
Rio de Janeiro, algum dia feliz de 2008 (eu não lembro a data exata).
Oi Lua, espero que você goste desse bubbaloo de morango, é meu favorito.
Estou te escrevendo essa cartinha, mas na verdade nem sei se vou te entregar ela amanhã na escola.
Mas eu queria te dizer que eu gosto muito de você.
Gosto de um jeito diferente, acho que é igual as pessoas se gostam nos filmes, que no final sempre acabam casando sabe? Você não está vendo, mas eu estou sorrindo agora.
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SIMPLESMENTE ACONTECE - VALU
RomanceElas não estavam procurando por amor. Estavam tentando sobreviver. Luiza construiu um império na Europa e aprendeu a ser forte, fria e inabalável. Valentina aprendeu cedo que o mundo não perdoa mulheres sozinhas - e muito menos mães. Separadas por o...
