Capítulo 91 - Sentimento Desconhecido

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*Quinta - Feira | 6 dias depois

POV LUIZA:

Os dias passaram como um jato, pisquei e já era novamente o meu dia favorito da semana. Eu espero pelas Quintas - Feiras igual uma criança espera ansiosa para poder abrir os presentes no natal. Eu estava me sentindo bem, expor uma verdade minha pra Valentina foi a melhor coisa que eu fiz. Só por poder dividir esse peso com alguém.

Estou em casa com as crianças esperando a Valentina voltar da produtora. Como eu sou a minha própria chefe e posso fazer meus horários. Fiquei responsável por sempre buscar os pequenos na escola, já que a Valentina muitas vezes está presa no trabalho.

Eu estava ansiosa para um acontecimento de hoje e parece que com isso as horas não passavam. Estava no quarto me arrumando pra aula de dança quando escuto alguns passinhos se aproximando.

— Mamãe, joga com a gente? — Léo diz entrando no closet e Lelê aparece logo atrás.

— Vamos jogar ludo. — A pequena sorri.

— Claro, quem sabe assim o tempo não passa mais rápido. — Sorrio. — Deixa só a mamãe terminar de se arrumar, está bem? — Observava os dois.

— Por que? Você já está linda, mamãe! — Léo dispara.

— Você tá sempre linda, mamãe Lulu! — Helena diz dando um sorrisinho sincero.

— Como são puxa saquinhos esses meus filhoooos. — Me abaixo puxando os dois em um abraço e depois encho ambos de beijos.

— Podemos jogar? — Os dois me olhavam com aquela carinha de gatos de botas.

— Tá booom! — Lelê dá um pulinho. — Deixa só eu colocar a roupa. Vão indo pegar o jogo e montar o tabuleiro.

— Pode ser no nosso quarto?

— Ah não Léo, vamos jogar lá embaixo!

— Mas eu prefiro no nosso quarto...

— Tá... — A baixinha revira os olhos.

— Então vão logo, porque assim que a mamãe Valentina chegar, nós já vamos sair pro clube.

— Tá, eu vou rápido montar o jogo igual, o flash! — Léo sai correndo.

— Eu acho que eu não quero mais fazer ballet, mamãe. — Lelê suspira.

— Por que, princesa? Você gosta tanto! — Digo subindo minha calça legging.

— Eu gosto... — Ela olha pro chão e respira fundo. — Mas eu sou a única diferente lá.

— Como assim diferente? — Prendia meu cabelo em um rabo de cavalo alto.

— Eu sou a única que não usa a roupa de ballet. Eu queria poder usar igual as outras meninas, e igual a mamãe Valentina também. Mas eu não consigo. Não quero ir com esse vestido bobo. — Ela diz arrancando o vestidinho laranja. Jogando ele no chão e ficando só de calcinha.

— Vem aqui, filhinha. — Me abaixo e seguro na mãozinha dela puxando ela pra mais perto.

— Eu não queria ser diferente. — Diz segurando o choro e seus olhinhos se encherem.

— Mas você não é diferente, pequena.

— Se eu sou a única menina que não usa a roupa de ballet enquanto todas as outras usam, eu sou diferente sim. — Rebate.

— Tem razão,nesse caso é... mas meu amor, olha pra mamãe. — Ela segue encarando o chão. — Ei, olha pra mamãe, filha. — Ela respira fundo e levanta o olhar. — Você sabia que existem muitas crianças que também tem uma sensibilidade mais forte com as coisas, igualzinho a você? — Ela negou com a cabeça. — Pois é, um montão. Você não é a única que passa por isso. E a mamãe promete que vai fazer sempre o possível e o impossível pra ajudar vocês. — Logo sinto aqueles bracinhos envolverem meu pescoço e eu abraço minha filha com força. — E filha, o legal mesmo é ser diferente, já tem um montão de gente igual no mundo!

SIMPLESMENTE ACONTECE - VALUOnde histórias criam vida. Descubra agora