** DIAS ANTES DA CARTINHA. **
LUIZA.
Quando foi que as horas no relógio resolveram correr? Prendo a tarracha do meu brinco enquanto pulo em um pé só, procurando o outro sapato. A gritaria rolava solta; Valentina tentava acalmar o caos, e a casa estava de cabeça pra baixo desde que nossa empregada pediu demissão.
— DONIZETTE, NÃO. — O bichinho de quatro patas passa voando com meu salto na boca. — Vem aqui agora, seu cachorro filho da mãe! — Corro atrás dele até sentir meu corpo travar quando algo entra no meu pé. — LEONARDO CAMPOS ALBUQUERQUE, QUANTAS VEZES EU JÁ FALEI PRA VOCÊ NÃO DEIXAR SEUS LEGO ESPALHADOS PELA CASA? ESSAS MINIS PEÇAS PODEM MATAR ALGUÉM! — reclamo, pulando de dor.
— É LEONARDO! — Helena grita de algum cômodo, só pra implicar com o irmão.
— FICA QUIETA HELENA, DESCULPA MAMÃE... EU VOU PEGAR! — O garotinho sai recolhendo.
Depois de me recompor e recuperar o meu salto, finalmente consigo calçar e desço até a sala. Alana pulava no sofá só de calcinha, toda descabelada. Helena corria pela casa com o cachorro, quase derrubando meu vaso de porcelana, e Leo seguia pegando as peças de LEGO espalhadas.
— A gente precisa dar um jeito nessa casa, é sério! — digo com um suspiro, entrando na cozinha, onde Valentina abanava com as mãos a fumaça que saía da frigideira.
Valentina me olha por cima do ombro com a testa franzida, o cabelo preso de qualquer jeito e a espátula na mão como se estivesse lutando pela própria sobrevivência.
— Isso aqui era pra ser um omelete. — Ela aponta para a coisa preta grudada no fundo da frigideira. — Mas virou... sei lá... carvão gourmet.
Dou um beijo rápido na bochecha dela, desviando de mais um pouco de fumaça.
— Cariño, larga isso. Vamos comer na padaria.
— Não. — Ela insiste, teimosa como sempre. — Eu me recuso a ser derrotada por um ovo.
Antes que eu possa responder, Alana aparece na porta da cozinha, jogando a chupeta longe e se rendendo ao choro.
— Mamãin Tini... Doni tomeu o bicoito da Laninha. — Valentina revira os olhos.
— De novo, Alana? Eu acabei de te dar outro porque o anterior ele pegou, a mamãe já falou pra você parar de oferecer pra ele seus biscoitos. — A pequena cruza os bracinhos, ofendida.
— Pecisa dividir quexeu?
— Ele pegou mesmo, mãe. Eu vi. A Alana tava dançando a música da Patrulha Canina e deixou o biscoito cair. Aí o Donizette pensou que era pra ele e NHAC, pegou em uma bocada só. — Helena surge atrás dela, o cabelo mal amarrado igual o de Valentina.
— Pronto. Recolhi tudo. Mas alguém pisou numa asa do meu foguete. — Leo aparece na cozinha um pouco desapontado.
— Não, esse foguetinho ai que se enfiou embaixo do meu pé. Quantas vezes já falei que não é pra você deixar esses legos espalhados? Principalmente porque sua irmã pode colocar na boca.
— Mamãe Lulu, eu acho que meus brinquedos têm vida, é sério. Deixo tudo junto, mas eles se espalham sozinhos.
— Os brinquedos não têm vida seu cabeça de abacaxi, só em toy story e isso é um filme, não é real.
— É real sim, porque o Peixoto e a amora vivem se escondendo da gente.
— Você é tão bobinho Leo, as mamães que escondem pra poder namorar!
— HELENA!!! — Eu e a Valentina falamos em coro. Ambas vermelhas.
— Eu to mentindo? Eu mesma já vi. — Engasgo.
— A gente namorando? — Prgunto preocupada eu sempre verifico a porta.
— Nãooo, vocês escondendo o Peixoto e a Amora.
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SIMPLESMENTE ACONTECE - VALU
FanfictionQuando duas almas, sem pretensão alguma, estão destinadas a se encontrar, nada e nem ninguém pode mudar o que simplesmente acontece. Duas mulheres, de vidas e lugares diferentes. Uma que mora na Europa e outra no Brasil, são destinadas a ficarem jun...
