ESPECIAL DE NATAL - PT 01

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** DIAS ANTES DA CARTINHA. **

LUIZA.

Quando foi que as horas no relógio resolveram correr? Prendo a tarracha do meu brinco enquanto pulo em um pé só, procurando o outro sapato. A gritaria rolava solta; Valentina tentava acalmar o caos, e a casa estava de cabeça pra baixo desde que nossa empregada pediu demissão.

— DONIZETTE, NÃO. — O bichinho de quatro patas passa voando com meu salto na boca. — Vem aqui agora, seu cachorro filho da mãe! — Corro atrás dele até sentir meu corpo travar quando algo entra no meu pé. — LEONARDO CAMPOS ALBUQUERQUE, QUANTAS VEZES EU JÁ FALEI PRA VOCÊ NÃO DEIXAR SEUS LEGO ESPALHADOS PELA CASA? ESSAS MINIS PEÇAS PODEM MATAR ALGUÉM! — reclamo, pulando de dor.

— É LEONARDO! — Helena grita de algum cômodo, só pra implicar com o irmão.

— FICA QUIETA HELENA, DESCULPA MAMÃE... EU VOU PEGAR! — O garotinho sai recolhendo.

Depois de me recompor e recuperar o meu salto, finalmente consigo calçar e desço até a sala. Alana pulava no sofá só de calcinha, toda descabelada. Helena corria pela casa com o cachorro, quase derrubando meu vaso de porcelana, e Leo seguia pegando as peças de LEGO espalhadas.

— A gente precisa dar um jeito nessa casa, é sério! — digo com um suspiro, entrando na cozinha, onde Valentina abanava com as mãos a fumaça que saía da frigideira.

Valentina me olha por cima do ombro com a testa franzida, o cabelo preso de qualquer jeito e a espátula na mão como se estivesse lutando pela própria sobrevivência.

— Isso aqui era pra ser um omelete. — Ela aponta para a coisa preta grudada no fundo da frigideira. — Mas virou... sei lá... carvão gourmet.

Dou um beijo rápido na bochecha dela, desviando de mais um pouco de fumaça.

— Cariño, larga isso. Vamos comer na padaria.

— Não. — Ela insiste, teimosa como sempre. — Eu me recuso a ser derrotada por um ovo.

Antes que eu possa responder, Alana aparece na porta da cozinha, jogando a chupeta longe e se rendendo ao choro.

— Mamãin Tini... Doni tomeu o bicoito da Laninha. — Valentina revira os olhos.

— De novo, Alana? Eu acabei de te dar outro porque o anterior ele pegou, a mamãe já falou pra você parar de oferecer pra ele seus biscoitos. — A pequena cruza os bracinhos, ofendida.

— Pecisa dividir quexeu?

— Ele pegou mesmo, mãe. Eu vi. A Alana tava dançando a música da Patrulha Canina e deixou o biscoito cair. Aí o Donizette pensou que era pra ele e NHAC, pegou em uma bocada só. — Helena surge atrás dela, o cabelo mal amarrado igual o de Valentina.

— Pronto. Recolhi tudo. Mas alguém pisou numa asa do meu foguete. — Leo aparece na cozinha um pouco desapontado.

— Não, esse foguetinho ai que se enfiou embaixo do meu pé. Quantas vezes já falei que não é pra você deixar esses legos espalhados? Principalmente porque sua irmã pode colocar na boca.

— Mamãe Lulu, eu acho que meus brinquedos têm vida, é sério. Deixo tudo junto, mas eles se espalham sozinhos.

— Os brinquedos não têm vida seu cabeça de abacaxi, só em toy story e isso é um filme, não é real.

— É real sim, porque o Peixoto e a amora vivem se escondendo da gente.

— Você é tão bobinho Leo, as mamães que escondem pra poder namorar!

— HELENA!!! — Eu e a Valentina falamos em coro. Ambas vermelhas.

— Eu to mentindo? Eu mesma já vi. — Engasgo.

— A gente namorando? — Prgunto preocupada eu sempre verifico a porta.

— Nãooo, vocês escondendo o Peixoto e a Amora.

SIMPLESMENTE ACONTECE - VALUHistórias para pegar e não largar. Descubra agora