POV LUIZA:
Antônia me olhava vidrada, de uma forma tão profunda e chocante que eu me sinto retraída, olho ela sem jeito e a mesma mal piscava. Nesse momento todo meu corpo se arrepia e uma sensação esquisita surge fazendo meu estômago borbulhar.
- Como...eu achei que você...que vocês...- Ela olha pro Léo.
- Desculpa, mas eu não estou te entendendo, a gente se conhece? - Olhava ela atenta e começo a me preocupar.
- Mãe, o que está acontecendo? - Juliana pergunta sem entender.
- Essa garota... - As mãos da mais velha tremiam apontando pra mim. - Ela, o posto, o menino...todo aquele sangue...achei que estavam mortos! - Antônia dispara encarando as próprias mãos que estavam abertas e por um momento um flash vem como um clarão na minha mente.
~ FLASHBACK ON
Estava na rua indo ao encontro da minha prima Karina, era a reta final das aplicações de acordo com o que ela tinha me instruído, mas tinha acabado as dosagens da substância e eu precisava de mais.
Estava fazendo tudo o que é contra indicado para uma mulher grávida nessa fase de gestação, como pegar o carro e sair dirigindo, mas a verdade é que eu não me importo nem um pouco.
No meio do caminho sinto uma pontada tão forte na barriga, que perco todo meu fôlego, e fecho meus olhos com firmeza segurando o volante de uma maneira tão forte que as pontas dos meus dedos ficam esbranquiçadas.
Puxo todo o ar que eu conseguia e abro meus olhos assustada, por sorte naquela pista só tinha o meu carro e quando eu menos espero outra pontada, minha barriga fica enrrigecida e eu grito alto, mais uma vez sem fôlego, eu precisava parar, mas onde? Não tinha nada ali naquela pequena estrada, até que lá na frente com dificuldade enxergo um posto de gasolina.
Coloco o pé no acelerador antes de sentir de novo uma outra pontada, eu tentava me concentrar na minha respiração, mas isso não estava funcionando é quando um líquido forte sai entre minhas pernas e não podia ser, eu não acreditava nisso.
Sim, minha bolsa estourou e quando a terceira contratação vem eu me dou conta que estava em trabalho de parto, ali, naquele carro, naquela estrada, tentando chegar no posto logo a frente.
Freio o carro imediatamente quando grito alto com a forma que a contração vem agora, eu só precisava chegar naquele posto, então volto a acelerar sem me importar com o limite de velocidade.
Chego no posto e saio do carro eu mal conseguia andar, os frentistas estavam ocupados e eu caminho em direção ao banheiro, coloco a mão sobre minha barriga e tentava fazer minhas pernas se movimentarem, eu não tinha força pra andar. Depois de muito esforço entro no banheiro que tinha exatamente uma pia com espelho e três cabines, lavo meu rosto na tentativa falha de aliviar tudo o que estava acontecendo agora.
O ar me faltava, minha vista começa a querer embaçar e eu estava tão tonta, coloco a mão entre minhas pernas por baixo do meu vestido, minha calcinha estava molhada assim como minhas coxas.
- Ajuda... - Minha voz sai falha pego meu calular e tento ligar pra Duda, mas meus dedos estavam escorregadios depois de eu sentir o molhado das minhas pernas e eu não conseguia discar, ou ao menos raciocinar pra secar minhas mãos.
Outra contração veio e eu sinto um medo e um desespero tão grande, não era pra isso estar acontecendo agora, não assim, meu corpo já não recebia os meus comandos, eu precisava me sentar, mas quando estou caminhando em direção a uma das cabines, minha vista fica escura e eu caio ao chão desacordada.
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SIMPLESMENTE ACONTECE - VALU
Roman d'amourElas não estavam procurando por amor. Estavam tentando sobreviver. Luiza construiu um império na Europa e aprendeu a ser forte, fria e inabalável. Valentina aprendeu cedo que o mundo não perdoa mulheres sozinhas - e muito menos mães. Separadas por o...
