Capítulo 3 - Proposta

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POV VALENTINA:

São 06:40 quando o primeiro alarme toca, se teve uma coisa que a maternidade me ensinou no ódio, foi acordar cedo. Saudade da época quando eu podia acordar as 11:00 da manhã tranquilamente.

O Segundo alarme toca, então eu me levanto e agora são 07:15 da manhã. Vou pro meu banheiro fazer minha higiene pessoal e lavar o rosto pra despertar, depois vou até o quarto da Helena para acordá-la, por conta da minha agenda eu precisei  colocar a Lelê no período integral da escolinha, ela entra as 08:20 e sai às 15:00 e eu lutei muito pra aceitar isso, minha opção era deixar ela com uma babá, até que a Sofia disse uma coisa que é verdade, eu poderia deixar ela com uma mulher adulta que cuidaria dela e das suas necessidades ou deixar ela com outras crianças interagindo, brincando e libertando a criatividade. No final deixar ela esse período na escola não era um bicho de sete cabeças, e tá tudo bem...eu não tenho ajuda além da Sofia, essa é a minha realidade.

Assim como eu, Helena tem muita dificuldade de acordar cedo, isso sim me quebra um pouco.

- Ei princesinha, vamos acordar? - Digo colocando aqueles cabelinhos fininhos atrás da sua orelha e em seguida deposito um monte de beijinhos na sua bochecha.

Não paro os beijos até ela dar a primeira resmungada, e eu confesso que até resmungando de olho fechado ela conseguia ser a criança mais linda desse mundo.

- Filha, tá na hora de acordar meu amor. - Me deito na cama dela abraçando aquela criaturinha. - O sol já chegou sabia?

- Eu não quero ver o sol mamãe. - Ela sobe se deitando em cima de mim toda largada e eu envolvo ela em meus braços.

- Como não quer ver o sol? Ele sempre deixa o dia tão lindo pra você brincar bastante. - Me sento com ela no colo.

- A minha barriguinha tá doendo mamãe. - Ela diz ainda de olhos fechados.

- Filha... - coloco ela sentada na minha frente.

- É verdade mamãe! - Ela diz esfregando os olhinhos e soltando um bocejo.

- Poxa que peninha, então não vai dar pra gente fazer nada do que eu planejei pra hoje depois que você voltasse da escolinha.

- O que você pane...plan...como se diz? - Ela por fim abre os olhos.

- Planejou amor. - Sorrio vendo aquela criança descabela na minha frente.

- O que você planejou mamãe? - Pergunta curiosa.

- Como eu disse ontem, a mamãe tirou o dia pra gente passar juntinhas.

- Você não vai tirar fotos hoje? - Ela me olha com aqueles olhinhos claros assim como seu cabelo.

- Hoje não pequena.

- Obaaaaa!

- Por isso a mamãe ia te levar pra fazer uma coisa que amamos muito. - Ela me olha atenta.

- Que amamos muito? - Ela diz pensativa. Já sei! - Ela levanta o dedinho. - Andar de skate? - Ela pergunta animada.

- Sim, mas como sua barriguinha tá doendo, não vai dar pra gente ir né? - Nos últimos dias a Helena sempre vem arrumando alguma dor pra não ir pra escola, eu nem me esquento porque eu era igualzinha e é sempre assim, um drama sem fim pra sairmos de casa, mas na hora de sair da escola nunca quer também.

- Mamãe, tá doendo só um pouquinho tá? Eu consigo andar de skate mesmo assim.

Andar de Skate foi um hobby que eu trouxe comigo desde a adolescência, eu sempre amei esse tipo de coisa, tanto que meu primeiro veículo foi uma moto. Eu vivia indo na pista com meus amigos, eu sempre fui a garota fora da caixinha que gostava de moto, futebol e Skate ao invés de casinha e bonecas. Pra mim não tem sensação mais gostosa do mundo do que ser livre descendo aquelas rampas.

SIMPLESMENTE ACONTECE - VALUOnde histórias criam vida. Descubra agora