O mundo era dourado e azul quando tudo aconteceu. Ela estava no topo do mundo, observando todos sem qualquer preocupação, mas a queda foi desastrosa, e seu coração esmagado por mãos que deveriam ama-la.
Maxine Verstappen sentiu-se traída, sendo ven...
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Quanto mais você fala, menos eu sei Aonde quer que você vagueie, eu te seguirei Estou implorando para você pegar minha mão Arruinar meus planos, esse é meu homem
Willow
Se Maxine Verstappen fosse mais medrosa, não precisaria se preocupar com o que aconteceria com seus pais quando a assistisse perder o controle do carro em Spa. Nunca sentiu nervosismo ao ver as luzes apagarem, ou ver de longe o troféu que a esperava tão paciente. Estava no sangue acelerar fazendo sol ou chuva, então fazia exatamente isso. Acelerava nas curvas da Bélgica como se tivesse feito aquilo por toda uma vida, repetidas vezes, ignorando todos os acidentes e lembranças ruins. Os buquês de flores jamais a assustaram, muito menos homenagens. Ela ficava em silêncio junto dos outros para depois competir.
A tempestade tentava assusta-la, querendo que recuasse na direção da segurança, porque era isso que faziam, mas ela pisava no acelerador e ouvia o motor responder seus comandos brutalmente. Alguns perdiam o controle pelo caminho, quase perdendo a vida no processo. Muitos se negavam em continuar competindo em Spa, buscando maneiras de destruir o sistema invencível. Ela só pensava em vencer.
No fim do grid, o carro vermelho escalou com maestria. Ela não estava sozinha, mas queria que fosse assim.
Havia criado uma grande rivalidade entre a Ferrari e a Mercedes. Não soube exatamente se surgiu quando socou Louis, ou porque as pessoas se cansaram de ver a Red Bull apontando o dedo sem medo. De qualquer maneira, ela tentou ignorar Louis Klein. Ele estava tão perigosamente perto, que se Maxine desacelerasse, ambos morreriam. Juntos. Como Romeu e Julieta.
Morrer em Spa era quase uma tradição.
A chuva desabou prejudicando a visão. Ela sabia que todos iriam desacelerar de maneira prudente, mas Louis estava perto. Borrões azuis e verdes pintavam a pista. Carros em alta velocidade preferindo permanecer no canto seguro, abrindo espaço por conta da água. Com as mãos ensopadas, virou o volante para a próxima curva, mudando a marcha do carro. Ele naturalmente desacelerou para se manter.
Aaron levantou a viseira, ignorando as gotas geladas nos olhos.
Maxine havia ido tão brutalmente contra os pneus, que seus dedos ficaram dormentes. Engoliu em seco, e mexeu os dedos dos pés. Não queria viver aleijada. O cheiro de fumaça chegou até seu olfato, e se desesperou. Tentou mover-se para fora, porém notou que estava presa nas ferragens do carro.
— Estou presa. – disse, sem saber se alguém a ouviria, porque não via ninguém.
Mexeu-se novamente, dessa vez com mais força. Não havia dor, porém não parecia haver algo.
Esse era os perigos do automobilismo. A demora. O sentimento da solidão. O cheiro da morte. A incerteza do destino.
Pilotos saiam das chamas ou apagavam o próprio fogo. Ela esteve perto de acidentes aterrorizantes, assim como ouviu grandes pilotos defenderem a vida de um amigo.