Capítulo 29

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E se o jeito como você me abraça for o que é sagrado?Se um eterno sofrimento é o que querem de mimEles não sabem como você tomou conta dos meus pensamentosEu escolho eu e você, religiosamente

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E se o jeito como você me abraça for o que é sagrado?
Se um eterno sofrimento é o que querem de mim
Eles não sabem como você tomou conta dos meus pensamentos
Eu escolho eu e você, religiosamente

Guilty as sin?



Aaron voltou para onde um dia foi sua casa.

O carro esperava por ele. O sol estava tão quente quanto se lembrava. O mar continuava o mesmo. A areia estava quente. As pessoas mantinham-se presas em suas rotinas. Seu tio permanecia no mesmo lugar.

Ao entrar em casa sentiu o aroma pesado de maresia. Sentia saudades.

Pegou o troféu do seu terceiro campeonato vencido. O dia que bateu o recorde do tio e todos se emocionaram porque acontecera em Interlagos. Colocou-o com cuidado na caixa personalizada retangular que Enzo lhe deu antes de viajar.

Aproveitou para pegar alguns itens importantes na mala, fotos, objetos antigos, hq's que colecionava desde criança. Peças bem-vindas do seu passado. Esticou a mão até um dos seus brinquedos favoritos.

— Aaron.

Olhou por cima do ombro ao ouvir a voz.

— Oi.

— Veio dizer adeus?

— Eu vou me sair melhor quando chegar a São Paulo.

— Não precisa.

Tirou a poeira da caixa com cuidado, vendo que ainda estava tudo intacto, apesar de esquecido. Pegou no closet papel de presente. Embalou esperando que Maxwell gostasse tanto quanto ele gostou quando ganhou no natal.

— Preciso dizer adeus da maneira certa, tio.

— Não precisa se importar tanto. Nada disso é real.

— Eu preciso dizer adeus.

Fechou a mala, finalmente levantando-se do chão e encarando de frente sua alucinação perfeita. O rosto familiar de Ayrton continuava fortemente vívido, quase como se pudesse toca-lo caso esticasse a mão na direção do rosto jovem. Ele era estranhamente diferente dos irmãos, menos intimidador, e mais amigável.

— Seria ruim se você levasse algo meu?

— Estou levando, mas mesmo se não levasse, não esqueceria você. Nunca.

Fechou as janelas do quarto e as portas duplas da varanda. O quarto tornou-se pura escuridão densa como no passado. Fizeram o mesmo em todos os cômodos, protegendo itens valiosos para que a maresia não destruísse durante o passar dos dias. Naquela casa residia grande tesouros, não só para Aaron e sua família, mas para sua falecida avó, e iria respeita-la.

Verstappen ✔Histórias para pegar e não largar. Descubra agora