Lina sempre viveu em uma gaiola de ouro graças a seu pai e seus irmãos protetores. Ela jamais imaginou que um baile traria tantos problemas
Thomas é arrogante, ambicioso e não se importa com nada além de sí mesmo. Quando seu pai decide que passará...
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Demorei quase uma semana para receber uma resposta da carta que enviei para Lina. Fiz questão de abrir o envelope na frente do meu irmão e ele me olhou feio quando viu o sinete de cera cinza com brasão do reino do ar
Thomas,
Confesso que não esperava receber uma carta sua, a surpresa foi tão grande que me perguntei por dias se aquilo era mesmo real ou somente um sonho. Nunca pensei que você fosse o tipo que se declara por cartas, mas estou muito contente pela sua iniciativa, acho que teria vivido o resto da minha vida guardando meus sentimentos sobre aquela noite. Ainda não sei muito o que te dizer sobre tudo isso, você já deve imaginar que nunca troquei cartas com garoto nenhum, eu sequer tinha beijado alguém até aquela noite. Espero que a gente se encontre no baile do reino da água para podermos conversar melhor, te prometo que manterei meus irmãos e meus pais o mais distante possível.
Com amor, Lina
A carta tinha o perfume dela e a caligrafia era tão bonita que parecia ter feito com muita calma, pensando em cada palavra. Me surpreendi por não ter encontrados várias linhas com declarações, mas a garota agora estava em dúvidas sobre seus sentimentos e precisava de tempo para entender tudo melhor.
Meu irmão continuava me olhando irritado e eu dobrei a carta com muita calma com um sorriso de lado para ele antes de coloca-la no bolso do casaco
— não sei o que você está aprontando, mas fique longe da Lina
— não sei do que está falando
— você é um sociopata incapaz de sentir qualquer coisa Thomas, então não se meta com ela
— cuida da sua vida, Felipe
— Você vai magoar a garota, o pai e os irmão dela ficaram furiosos. Vão iniciar uma guerra contra nós e o reino da terra vai se foder
— Só vamos nos foder se você for o rei
— Isso não é sobre quem vai ser rei, pare de pensar só em si mesmo
A Estela entrou no salão e se sentou ao meu lado
— Caramba, vocês sempre estão brigando
—o Thomas está enviando cartas para a Lina
A Estela abriu a boca algumas vezes mas não disse nada
— você já sabia de tudo — ele a acusou — Tem noção do que isso vai causar na nossa vida?
— me cansei desse assunto, vou arrumar algo mais útil para fazer
— vou contar para nosso pai
— Claro que vai - murmurei levantando
— Se disser qualquer coisa eu vou contar que você transou com a Olivia no meu banheiro
— A princesa Olivia? do reino da água? — questionei — meu irmãozinho não é mais um virgem
— vai se foder, Thomas — respondeu irritado — abra sua boca e contarei do seu beijo no Remulo, Estela
— Parece que todos temos segredos então
Levantei da cadeira e deixei os dois lá discutindo. Eu sabia que quando meus pais descobrissem eles fariam de tudo para me impedir, então precisava agir mais rápido e parecer que finalmente estava me tornando um humano normal. Sai pelo corredor e fui até o escritório do meu pai, ele estava sentado em sua cadeira com minha mãe em seu colo e os dois se beijavam e davam risadinhas
— podemos conversar? — questionei chamando a atenção dos dois
— Thomas, não sabe bater?
— Eu bati, mas vocês estavam ocupados demais para responder
— o que você quer? — questionou sem soltar minha mãe que tentava levantar
— quero voltar a cuidar dos guardas, ou qualquer outra função que você tiver para mim
— você arrumou briga em todos os lugares que te coloquei, estávamos perdendo o respeito dos soldados
— me de outra chance - pedi
— não, já te dei muitas chances durante sua vida
Virei as costas para sair mas minha mãe me chamou
— Thomas, espere — ela olhou para meu pai com aquela carinha de cachorro e ele bufou
— já falamos sobre isso varias vezes, amor
— Theo, ele é seu filho
— vou pensar, você não tem me provado ser digno de nada
— certo, obrigado
Fiz uma cara de quem estava chateado e sai do escritório em direção aos meu quarto. Eu não tinha um cavalo como meus irmão porque nunca consegui me apegar a nada, nem aos animais. Então escolhi qualquer um e coloquei a cela, depois sai cavalgando pela floresta sem destino. Sempre fazia isso e acabava em algum bordel, mas hoje fiz diferente e parei em um córrego e fiquei ouvindo a água correr enquanto fumava. Peguei a carta da Lina no meu bolso e a cheirei, era algo doce como morango e me fez sentir bem de uma forma estranha e incomoda
— eu sou o tipo que me declaro por cartas? — questionei rindo friamente — garota tola
Peguei o isqueiro e comecei a queimar as bordas do papel, logo o cheiro de morango foi substituído por fumaça e aquela estranheza que percorria meu corpo finalmente desapareceu.