A água chegou ao meu queixo. Estava tão frio que meus dentes não paravam de bater me fazendo ficar constantemente com aquele gosto de sal na boca. Eu estava com eede, minha barriga roncava alto e meus olhos lutavam para ficar abertos. Eu sabia que no momento que cochilasse seria o meu fim.
Hoje completava dois dias que eu estava aqui. Como sobrevivi? Não sei dizer, mas toda noite era um inferno lutando para não me afogar. Eu precisava sair dessa cadeira e só tinha uma tentativa para quebrá-la. Eu tinha que me jogar no chão com tanta força que ela partiria, mas se isso desse errado seria meu fim porque eu não conseguiria levantar.
Esfreguei meus pulsos machucados e eles arderam. Eu não podia vê-los mas tinha certeza que estavam em carne viva devido a meus puxões. Sem planejar muito eu dei um impulso forte para frente e depois para trás de uma maneira que a perna da cadeira entortou e ela quebrou. Caí de cara no chão, a pedra fria cortando meu rosto fazendo sangue escorrer pela minha bochecha e a minha vista embaralhar.
Com o pé da cadeira quebrado eu consegui enfim ficar em pé mas minhas pernas não tinham força para sustentar meu peso devido aos dias que fiquei sentada privada de água e comida
— Deus, por favor me tire daqui
Fiquei jogada na pedra chorando até a água voltar a subir e eu precisar levantar. As noites sentadas foram ruins, mas a noite em pé foi a prova viva de que o inferno existia. Meus joelhos queimavam e eu não tinha o que fazer, não tinha forças mais e só queria que aquilo acabasse.
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Abominável
FantasyLina sempre viveu em uma gaiola de ouro graças a seu pai e seus irmãos protetores. Ela jamais imaginou que um baile traria tantos problemas Thomas é arrogante, ambicioso e não se importa com nada além de sí mesmo. Quando seu pai decide que passará...
