Trabalhar muito se tornou o meu principal objetivo. Desde que assumi a coroa muita coisa mudou no reino da terra e o que eu mais focava era resolver os problemas que tínhamos nas épocas de chuva. A população cresceu e começaram a fazer casas em lugares perigosos que alagavam com as cheias dos rios, alem dos deslizamentos de terra
— você pode desviar o rio para cá, não temos nada nessa área — falei para o Frederico
— não da, já te falei que com essas árvores todas não consigo
Ele me ajudava muito com os desvios que fazíamos nos rios para tirar as pessoas de risco e nesse momento estávamos os dois com vários mapas na minha mesa estudando uma maneira de diminuir os estragos
— todos os anos você tem esse problema, não é melhor simplesmente realocar as pessoas?
— já tentei mas ninguém quis sair
— me de uns dias, vou pensar em algo
— tudo bem
— agora preciso ir, tenho algumas coisas para resolver no reino do ar
Eu sabia que havia algo rolando entre ele e a Lina, então essa simples frase me deixou mais incomodado que qualquer coisa. Eu sequer consegui disfarçar a minha cara
— Thomas...
— tudo bem, é só me mandar uma carta quando decidir o melhor
— nos precisamos conversar
— não
— mas....
— eu não me importo, Frederico
— quero me casar com ela — segurei meu lápis com tanta força que ele quebrou na minha mão — a Lina é ....
— perfeita — completei rápido
— não quero que você me odeie nem nada do tipo
— tenho uma reunião agora, a gente conversa depois
— é sério, temos que falar sobre isso
— a felicidade dela é a única coisa que me importa — respondi sem o olhar — Mas já fique sabendo que se a magoar eu vou quebrar a sua cara com tanta força que você sequer conseguirá falar porque não vai sobrar um maldito dente nessa boca
Deixei ele sozinho no meu escritório e sai sem rumo. A minha cabeça doía tanto que eu só queria bater com ela na parede até isso tudo sumir.
Olhei ao redor e eu estava no meio do labirinto. Andei tão rápido e sem direção que sequer notei como cheguei aqui. Como era época de chuva a grama estava bem verde, algumas flores brotavam pelos cantos e tudo estava muito silencioso. Me sentei na escada do coreto e cruzei os braços sob os joelhos, depois deitei a cabeça e fiquei observando a água cair.
— Thomas?
— me deixe em paz, Ciro
— o que você esta fazendo aqui?
— como você sempre me acha?
— eu te encontrava nos bares mais aleatórios do reino, o castelo não é nada comparado a isso
— o Frederico disse que quer se casar com a Lina
— já faz mais de dois anos, você tem que seguir em frente
— eu não quero
— você não sai mais de casa, Thomas
— não preciso sair, você consegue resolver tudo para mim
— mas você precisa
— me deixe em paz
Ele veio até mim e sentou ao meu lado
— sei que hoje é seu aniversário de 26 anos
— e dai?
— vamos comemorar, conheci um bar bem divertido
Eu não saia de casa desde que vi a Lina com o Frederico no baile de coroação. Tinha medo demais de presenciar os dois juntos novamente, meu coração não ia aguentar tanto sofrimento mais uma vez.
Eu nunca falava para ninguém do meu aniversário, mas o Ciro ultimamente tinha sido a única pessoa com quem eu conversava e de alguma e por ter sido meu guarda por tantos anos ele me conhecia muito bem
— me deixe em paz — te pedi
— ok, mas saia dessa chuva pelo menos
Caminhei para meu quarto ignorando todos que tentavam falar comigo. Assim que cheguei arranquei as roupas molhadas e após um banho quente caí na cama para dormir.
Eu sempre era assombrado por pesadelos, antes eram gritos agoniados mas agora eram sempre sobre a Lina, sobre ela me desprezando completamente e sobre nossa filha me odiando. Acordei soado e com uma dor de cabeça infernal, então decidi me trocar e ir trabalhar no meu escritório
— o que está fazendo aqui? — perguntei vendo meu pai parado próximo à janela
— sua mãe quis vim te ver, chegamos agora pouco
— aí decidiu entrar no meu escritório no meio da noite
— pensei que estivesse dormindo
— quem dera
Não conversamos muito desde que melhorei da facada que o Felipe me deu. A minha mãe as vezes me escrevia uma carta mas ninguém vinha me visitar a muito tempo
— Thomas, como você está? — minha mãe entrou e me abraçou
Ninguém tocava em mim a muito tempo, então quando ela me abraçou eu simplesmente não consegui soltar. Fiquei lá com a cabeça apoiada em seu ombro e os olhos fechados
— está tudo bem querido
Ela me apertou mais e só soltou quando me afastei
— o que vocês estão fazendo aqui?
— ontem foi seu aniversário, viemos te ver
— vocês não vieram no ano passado, o que mudou?
Ela olhou para o meu pai e depois para mim
— o Ciro nos mandou um mensageiro, ele está preocupado com você
— e só por isso vieram
— viemos porque amamos você
— deveriam ter ficado por lá, eu estou ótimo
— você não sai de casa a mais de um ano
— não tenho nada para fazer lá fora
— você é jovem, tem uma vida e pessoas para conhecer
— não tenho tempo para isso
— queremos que venha passar uns dias na nossa casa no interior
— como eu disse, não tenho tempo
— Thomas...
— vocês devem ter chegado cansados da viagem e eu tenho várias coisas para resolver, a gente conversa amanhã
Encerrei o assunto e depois de ficarem me encarando por um tempo eles saíram do escritório. Sentei na cadeira bufando e me servi um copo de bebida.
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Abominável
FantasyLina sempre viveu em uma gaiola de ouro graças a seu pai e seus irmãos protetores. Ela jamais imaginou que um baile traria tantos problemas Thomas é arrogante, ambicioso e não se importa com nada além de sí mesmo. Quando seu pai decide que passará...
