Acordei com a cabeça doendo e a claridade fez meus olhos doerem. Eu demorei um pouco para conseguir olhar ao redor e quando fiz isso observei um pequeno espaço de palha, não havia janelas e eu estava de costas para a porta. Olhei para meus pés e vi que havia água até meus tornozelos, mas tudo que eu sentia era a pedra fria sob meus pés
— eiiiiii — gritei alto — alguém me ajude
Não passou muito tempo e passos foram se aproximando
— vejo que acordou — um homem disse — você é bem dorminhoca
— quem é você? O que quer de mim?
Observei um homem passar por mim e parar na minha frente. Ele era muito parecido com o papai, tinha olhos verdes como os meus e o cabelo escuro estava penteado para trás
— é um prazer finalmente conhecê-la, sobrinha
— tio Felipe?
— me surpreende muito você saber meu nome já que seu pai me apagou da história
— você tentou matá-lo
— não é com se ele não tivesse merecido
Ele deu uma risada e sentou em uma outra cadeira na minha frente
— eu esperei tanto pela oportunidade perfeita e você sozinha criou todo um cenário
— o que você quer de mim?
— nada, apenas que suma de uma vez por todas
— e o que eu estou fazendo aqui?
— é uma cabana no meio do mar, tem uma vistão tão bonita
— me solte
— seu pai tirou tudo de mim, eu era um príncipe e ele me jogou na cadeia, depois me obrigou a viver como um fazendeiro e um soldado qualquer. Minha missão é acabar com ele e agora que você está aqui irei atrás do seu irmãozinho
— deixe ele em paz
— me deixe te contar com o que você realmente deveria se preocupar. Aqui é um lugar cheio de tubarões, a água a noite vai subir tanto que você morrerá afogada e demoraram dias para encontrar seu corpo congelado
— vai se foder
— a boca suja puxou para o pai
— vai se foder — repeti cuspindo na cara dele
Em resposta levei um tapa. Tentei invocar meus dons mas era como se não existisse nenhuma fonte ali perto
— é uma cabana em uma ilha de pedra no meio do mar, você não vai encontrar um grão de terra aqui e está fundo demais para usar a areia — riu — agora vou nessa, foi um prazer te conhecer sobrinha
Ele me deixou sozinha e eu comecei a pular na cadeira tentando me desamarrar. Meus pulsos ficaram machucados de tanta força que fiz e o sangue pingava na água deixando em um tom de rosa ao redor dos meus pés.
— IDIOTA — gritei frustrada
Não sei quanto tempo passei gritando e pedindo por ajuda mas era um silêncio completo ali. Eu só ouvia o som do mar, sequer havia pássaros, o que mostrava o quanto eu estava longe de uma praia.
Enfim me cansei, a minha cabeça doía e a garganta arranhava dos gritos excessivos que dei para o nada. Um sentimento de culpa e arrependimento me perseguia já que aquela situação era toda culpa minha. Tentaram me proteger tanto que eu mesma me coloquei em uma situação de risco e agora iria morrer aqui sozinha.
Parei para analisar ao meu redor e decidi que precisava parar de encarar aquela parede de palha. Com muita dificuldade fui dando pulos na cadeira na intenção de que ela quebrasse mas isso só me fez ficar mais machucada. Ao menos eu consegui virá-la de frente para a pequena porta onde era possível ver o horizonte azul e o sol indo embora.
A água começou a subir rápido, em poucas horas já estava nos meus joelhos e a escuridão completa chegou. Não conseguia ver nada, meus dentes batiam de frio e eu enfim me conformei que aquele era o último dia da minha curta vida.
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Abominável
FantasíaLina sempre viveu em uma gaiola de ouro graças a seu pai e seus irmãos protetores. Ela jamais imaginou que um baile traria tantos problemas Thomas é arrogante, ambicioso e não se importa com nada além de sí mesmo. Quando seu pai decide que passará...
