Cap 11- Me dê um Abraço de despedida

115 15 1
                                        

Alguns minutos se passaram e decidimos que não iríamos partir todos juntos.

--- Não dá pra todos irem... - Ruan diz um pouco irritado por ter que aceitar a ideia de Lucas- Se formos todos vamos ter que levar a bagagem, e tem muitas coisas aqui. A viagem é longa e é certeiro que vamos ser pegos pelos monstros no caminho, com essa bagagem toda, vamos acabar perdendo tudo. Por outro lado, se deixarmos as coisas aqui e levar somente o essencial, vamos acabar sendo saqueados pelos outros povos, ou até por espiões

--- Por que não colocamos tudo no porão e trancamos a porta?- Dei a ideia para eles

--- Não é ruim a ideia, mas digamos que nem todos confiam em você...- Joaquim passa a mão pelos cabelos - Eu tentei convencê- los, mas você sabe como eles são

--- Tudo bem... - Me senti constrangida

---Vocês estão prontos?- Paulo diz de dentro da caminhonete, já ligada lá fora

--- Vamos dar umas instruções e já saimos- Joaquim a diz a Paulo

--- Então, continuando- Ruan da uma pausa- Vamos deixar para ficar por aqui, Mada, João, Mayron e Aurora.


"O que? Se eles desconfiam de mim por que vão me deixar?"

--- Por que eu vou ficar?- Mayron reclama

--- Eu também não entendi isso- Mada reclama

--- Calma- Joaquim faz um sinal com as mãos- Precisamos que vocês fiquem aqui, de preferência no porão. Não saiam de lá até que a gente chegue novamente. Vamos abrir a porta para vocês e vocês vão sair, tudo bem?

--- E se vocês morrerem? Vamos ficar presos naquele inferno de porão?

--- Tenho certeza que vocês vão achar um método de sair de lá, mas não saiam. - Joaquim diz sério- Não sabemos como as coisas estão aqui... Levem essas armas e suprimentos lá pra baixo. Vamos levar conosco só o essencial.

Bufando, Mada e João, começaram a trabalhar levando as coisas lá para baixo. Mayron foi chorar aos pés de Paulo, para que ele convencesse os outros dele ir.
Enquanto isso fiquei paralisada, sem saber o que fazer. Por um lado era bom, tínhamos água, comida e armas para nós proteger caso houvesse um invasor. Por outro lado, me sentia mal por saber que Joaquim iria se afastar, e por mais que soubesse que era valente, eu ainda me preocupava por ele.

--- Ei, não fique assim- Joaquim sorri de forma doce - Daqui a pouco estamos de volta...e você ainda tem João como companhia. - Ele diz com os olhos brilhantes

--- E pensar que eu queria ficar naquela montanha... - Olhei para o chão

--- É verdade - Ele ri e eu acabei rindo também - Vou sentir sua falta...

--- Você diz isso como se eu fosse de repente voltar ao meu planeta natal... -

Todas as vezes que lembrava disso, um misto de sentimentos me cercavam. Aqui com certeza não era o melhor lugar do universo, mas eu gostava das pessoas aqui, não sei por quê. Por outro lado, pensava em como minha mãe e minhas irmãs estavam... Eu gostava delas, não queriam que ficassem preocupadas. Confesso que mesmo as vendo todos os dias, estava com saudades delas...

--- Voltar pro seu planeta natal? - Ele diz com uma expressão meio desanimada- Você deve sentir saudades de lá...

--- Um pouco...

Ele fica um pouco surpreso com minha resposta.
Eu pensei em dizer algo, mas estava sem ideia do que dizer, ele parecia igual, mas diferente de mim, ele não parava de me encarar. Aquilo estava me deixando nervosa, aquele garoto não percebia o quão bonito era? O quão difícil era encara-lo por muito tempo sem se deixar levar por sentimentos estranhos?
Ele parecia querer balbuciar algo, quando Lucas avisa que já iriam partir. Na mesma hora senti minha menstruação descer.
Eu não queria deixar ele ir sem uma despedida descente. Julia já havia entrado no caminhão, nem um abraço em seu irmão ela deu.

Um amor que transcende o tempoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora