Cap 50 - Primeiro ato

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--- O que mais ela te contou? - Ele fechou a porta.

--- Que só tenho um ano de vida!

Ele me olhou surpreso.

--- Pra que mentiu pra mim? - Olhei triste para ele - Agora que sei disso, não posso viver um dia da minha vida sem pensar em minha morte!

--- Calma... estamos vendo um jeito de te manter viva.

--- Retirando meu poder divino? Não acho que isso seja um jeito de me manter viva.

Ele engoliu seco.

--- Isso não é ideia minha. - Ele andou pelo quarto.

--- Como?

--- Isso não é ideia minha! - Ele se aproximou de mim - Meu pai quer fazer isso, mas a ideia veio de Fátima.

--- Como quer que eu acredite em você depois de tantas mentiras e omissões?

--- Aurora... - ele pôs a mão em meu rosto - Você pode até me deixar irritado com algumas atitudes suas, mas eu nunca iria fazer algo que pode tirar sua vida.

--- Você já fez! Você já fez, Estevão! - Meu olhos encheram d'água - Quando me pôs nos experimentos, estava arriscando minha vida!

--- Não, não fui eu... - Seu olhar estava baixo - Se faço o que faço, é porque ainda estou sob o controle de meu pai.

--- Tudo isso é ideia de Estefano? É isso que você quer me dizer?

--- Sim, você sabe! Sabe como sou fanático por seu pai, eu nunca ousaria fazer mal a você, Aurora! - Seu olhar suplicante estava quase me convencendo - Eu não queria nada disso... Quando vi você passando mal com os experimentos, tive medo de te perder. - Ele beijou minhas mãos.

--- Medo de perder a mim, ou ao meu poder?

Ele lançou um olhar sedutor para mim.

--- Medo de perder seu poder... - Ele arrumou sua postura - É isso que você quer ouvir, não é? - Ele dizia baixo, mas eu conseguia ouvir.

--- Eu quero ouvir a verdade, Estevão!

--- Então vou dizer. - Ele se aproximou do meu ouvido - Talvez, eu tenha medo de perder você... - Ele olhou em meu olhos - Talvez, você tenha me conquistado... - Seu olhar era triangular, olhava em meus olhos e meus lábios - Você está me conquistando na dificuldade. Eu realmente não sei o que você vê nesse garoto, que eu não possa te dar em dobro. - Sem perder tempo ele beijou minha bochecha.

Me afastei um pouco e ele percebeu.

--- Não gosto de Samila, se isso vai te ajudar a não se sentir traída... mas você já não pode dizer o mesmo em relação a Joaquim. Sei que ama ele, então não minta para mim. - Ele acariciou meu rosto - Como pretende conviver comigo gostando de outro?

--- Eu não gosto dele - Desviei os olhos - Sinto pena dele, só isso!

--- Sente pena? - Ele arqueou as sobrancelhas.

--- E em relação a nós. Eu posso mudar e você também... - Com dificuldade olhei em seus olhos - Você foi tão amável comigo no início... por que não continua daquele jeito?

--- Porque não sou daquele jeito! - Ele pegou minhas mãos novamente - Se quiser, não me importo de sermos um casal de faixada. Todos são - Ele tornou a beijar minhas mãos.

Ora fechava os olhos enquanto as beijava, outrora beijava enquanto me encarava.

--- Estevão... - Meu tom de voz estava baixo e falhado.

Um amor que transcende o tempoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora