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Seguindo Tainá para os andares mais acima, ficava me indagando. Pra que eu saí de lá? Eu deveria ter ficado deitada esperando Joaquim, se é que ele iria aparecer para se despedir de mim.
Uma onda de medo percorria meu corpo. Por algum motivo sentia que Tainá estava irritada comigo, não sei o porquê.
--- Entre --- Tainá dizia em um tom de ordem.
Ela estampava um leve sorriso, mas eu podia sentir sua ira de alguma forma.
Um pouco confusa e receosa, entrei na sala.
Tainá entrou na sala batendo a porta atrás de nós. A porta fez um grande estrondo e ela partiu para cima de mim me puxando pela gola do vestido.
--- DIGA LOGO QUEM VOCÊ É! --- Tainá gritava ferozmente em Glienses me sufocava contra a parede com seu antebraço.
--- Eu... --- Minha pressão já não estava boa, após aquilo, sentia como se todo meu fôlego fosse roubado. --- Eu... --- involuntariamente meus olhos se fechavam e meu corpo amolecia devido a falta de ar.
Ela afogou um pouco a pegada e eu recuperei o fôlego como um louco.
--- Você diga quem é! Diga o que faz aqui! --- Ela olhava no fundo de meus olhos. Era como um caçador olhando sua presa indefesa.
--- Eu digo... Mas preciso sentar... --- Minha respiração ofegante falava por si, meus lábios secos. Provavelmente estava com uma expressão deplorável.
Tainá largou a gola como se lutasse contra ela mesma. Se afastou me deixando à vontade para escolher onde sentar.
Havia uma mesa central e uma cadeira do outro lado e duas à frente da mesa. Eu puxei uma cadeira e Tainá na outra. Sem tirar os olhos de mim, Tainá pôs os cotovelos apoiados no joelho, sua mandíbula estava marcada devido a força que fazia com elas.
--- O que você quer saber? --- falei um pouco baixo e receosa de que ela me ataquesse novamente.
--- De onde você é? --- Ela respondeu rápido e seco. Dessa vez, em português.
--- Eu sou... De Gliese. --- Não estava mentindo.
--- Quem é sua família? --- Ela apertava mais ainda as mandíbulas.
--- Minha família... --- Respirei fundo --- São apenas comerciantes.
--- Como você soube da comunidade? --- Tainá franziu o cenho novamente.
Sua expressão me deixava claro que ela já sabia de algo, estava apenas perguntando algo que ela já sabia.
--- Eu trabalhei nos muros de Gliese, junto aos outros... Foi assim que soube. --- mantive a postura, mas não muito, afinal, quem não iria ficaria um pouco nervoso depois de ser sufocado?
A cada mentira que eu contava, Tainá se demonstrava mais irritada. Talvez ela já soubesse de tudo, afinal, quem me garante que certo alguém não tenho me cagoetado?
--- Por que disse que era da cidade baixa?
--- Eu precisava que você confiasse em mim. Por isso menti, tive medo de algo ruim me acontecer...
--- Confiança... --- Tainá olhou para o teto e depois de um longo suspiro olhou para mim novamente. --- Você sabe por que te chamei, Aurora?
--- ... não --- Falei um pouco nervosa.
Eu estava quase me mijando nas calças. Eu não sabia se mentir seria uma boa ideia, sentia como se Tainá fosse me arrancar as tripas com as unhas. Meu estômago se revirava devido a tensão.
Tainá suspirou irritada. Ela se levantou e foi até a mesa pegando um papel da mesa.
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Um amor que transcende o tempo
Science-fictionAurora, uma estudante do ensino médio que acabou viajando no tempo sem perceber. Lá ela encontra um mundo totalmente diferente do dela e um belo garoto pelo qual ela se apaixonou. Temas corriqueiros da história: Liberdade, justiça e sentido de vida.
