Capitulo 14

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     O moreno de olhar misterioso (foto multimédia) não tirava os olhos de mim. Já estava fervendo de tanta vergonha. Minha tiabe seu amigo não paravam de conversar. Parecia que não se viam há um bom tempo.

       Aquele menino só pode estar de brincadeira comigo. Ele não para de me olhar. Tudo bem, eu já estou acostumada com isso. Abaixo minha minha cabeça, coloco as mãos atrás das costas e observo meus pés. Olho de relance e ele está sorrindo, não um sorriso de deboche, como se fosse um de sinceridade, meio bobo. Eu não sei dizer, mas sei que era bonito. Me encolho cruzando os braços. Queria sentar. O menino não parava de dar aquele sorriso, mas agora olhava, ao meu lado, a parede atrás de mim. Quando finalmente sai do seu mundo paralelo, acho que vê que eu já estava morrendo de vergonha, ele olha para os adultos e limpa a garganta de um jeito que eles escutam. Eles param e olham para nós, minha tia parecia surpresa.

      - Quem é esse menino?- ela olha com os olhos arregala apontando para o menino de casaco e camisa com listras vermelhas.

      - Lúcia, eu não troquei de filho! Sabia?

     - Isso eu sei, mas tem certeza que é você Michael?

      Ele se levanta do sofá e caminha até eles.

     - Sou eu sim tia!! - eles se abraçam. Espere aí!! Tia? Como assim tia?

       - Nossa que saudade de você! Você está tão lindo! Ainda bem que você puxou mais sua mãe. Tadinho de você se fosse igual ao seu pai! Sofreria bullying o tempo todo. - ela diz ainda abraçando, e o senhor não tem uma expressão muito boa no rosto, está bem sério.

    - Eu ouvi isso tá?! - ele diz ainda bravo, mas quando o vejo sorrindo entendo que só estavam brincando.

      - Eu sei. - fala minha tia rindo, e o menino também. Solto uma risada. Eles olham para mim, como se nem tivessem me visto ali antes. Paro de rir na hora.

     - E essa moça bonita? Quem é? - fala o senhor apontando para mim. Minha tia faz um sinal para ir até lá. Começo à andar contra minha vontade.

      - Carlos, essa é minha sobrinha Mellany, filha da minha irmã. Mellany esse é o Carlos meu cunhado e Michael, seu filho. - digo um oi e Carlos assente como comprimento. - Ela vai morar aqui comigo agora! - ela diz em um tom bem animado.

        - E o que há trás Lara morar nessa "humilde cidade? - ele diz fazendo aspas com as mãos. É verdade São Paulo não é lá essas coisas, mas também não precisa debochar.

       - É uma longa história!- diz minha tia, abaixando a cabeça e eu faço o mesmo engolindo em seco. Não é bom ficar lembrando disso. Sinto-me culpada. - Depois te explico Carlos.- ele só assente. Creio que entendeu o recado de que não é coisa boa.

       - Espera! O que vocês estão fazendo aqui? Martha me disse que você pediu para avisar que o vôo foi cancelado!- tia Lúcia diz e faz cara de desentendida. Até eu estou.

      - Oh sim. Eu pedi ela para te enganar dizendo que não vim, para te fazer uma surpresa. - diz Carlos, sorrindo.

       - Você sabia que é muito feio mentir? Deveria ficar de castigo mocinho.- ela diz colocando o dedo indicador apontando para seu rosto.

        - Eu disse isso, mas ele não me ouvi. - agora quem diz é Michael. Ele parece ser bem tímido. Que que eu tô falando? E eu não sou não? Bem tímida mesmo.

       Todos se calam. Minha tia convida eles para almocarem mas eles tem compromisso. E então dizem que talvez vão na hora do jantar. Eles vão embora, mas quando Carlos se despedi de tia Lúcia, meu olhar se encontra com o de Michael. Ficamos um tempo nos olhando, até que eu viro o rosto e eles saem porta à fora. Ele tinha um olhar vem sincero. Não olhava com desprezo para mim. Saio dos meus pensamentos. Tia Lúcia se senta na sua mesa. À fico olhando.

       - Fique à vontade querida.- diz fazendo um gesto com a mão. Me sento no sofá.

       - Tia - ela me olha - Como assim a senhora tem outro sobrinho e não me conta? Me senti ofendida agora. - faço uma brincadeira fingindo estar decepcionada colocando a mão no peito.

     - Awwn. Não chore eu su que você ainda me ama. Ele é irmão do seu tio, e eles estão ou estavam, não sei ainda, morando em Londres. Aqui no Brasil, creio eu, que só estão visitando. Era eles que eu estava esperando, mas quando chegamos Martha disse que avisaram que não viriam mais. O resto você já sabe.

      - Você gosta bastante do menino né?

      - Gosto sim, mas é bem tímido. Ele já sofreu muito.- ela fala parecendo lembrar de alguma coisa. A conversa acaba e ela volta à trabalhar. Eu fico um bom tempo sem fazer nada, ando pela sala observando observando cada detalhe. Não tinha visto antes, mas é bonita e aconchegante, a cara da minha tia. Sento na cadeira da mesa de frente dela. Começo à mexer naquelas bolinhas que vai e vem, sabe? Que você bate em uma e a do outro lado balança. De tanto tempo assim, adormeço.

      Acordo em um sofá em uma sala que não tinha ninguém, mas que estava mobiliada. Está meio escuro. A luz que ilumina o lugar está vindo do andar de cima.

      - Mellany! - alguém me chama do andar de cima. Não consigo identificar a voz. Mas ela tem um poder muito grande de eu querer ir lá contra minha vontade. Esse lugar é desconhecido, não posso sair andando por aí.

      - Mellany! - a voz me chama novamente. Eu quero ir e não quero aobmesmo tempo. Mas, infelizmente eu vou. Começo a subir as escadas, eram bem altas e estreitas, não tinham proteção alguma. Tomo cuidado para não fazer barulho pois o chão era de madeira. Aquela escada parecia acabar nunca, dava voltas e mais voltas. Um verdadeiro caracol. Quando estou na terceira volta, bem acima da sala de onde eu me encontrava à alguns minutos. Sinto uma coisa estranha, como se estivesse me empurrando. Caio da escada, indo em direção ao primeiro andar de novo, minha vida passa diante dos meus olhos.

      Acordo assustada novamente, agora na sala de minha tia em sua empresa. Olho para frente e ela me olhava por cima dos óculos com um olhar de "tudo bem?", com alguns papéis em mão.

      Eu estava toda esticada na cadeira.

     - Me desculpe, foi só um sonho. Odeio sonhar caindo, parece tão real.- digo esfregando as mãos nos olhos.

      - Ta tudo bem..- ela diz voltando a atenção aos papéis.

        - Quanto tempo dormi? - ela olha em seu relógio.

        - Três horas.- arregalo os olhos.

       - Credo, não pareceu passar nem quinze minutos.- digo e ela sorri.

      - É assim mesmo. Já está na hora de irmos. Vamos? - respondo com um sim, ela arruma seus papéis, pega sua pasta e saímos. A empresa está literalmente deserta, tirando os segurança. Eles acenam com a cabeça quando minga tia passa.

     Chegamos no estacionamento e entramos no carro. A viagem até em casa foi silenciosa.

        - Você quer jantar? - ela pergunta quando entramos e deixa sua pasta na mesa.

        - Não estou com fome, mas acho que à qualquer momento ela chega.- tia Lúcia ri da minha piada sem graça e fala para eu ir banhar, para depois jantarmos. Subo para o quarto.

     Entro no banheiro, e tomo um banho, daqueles bem tomados mesmo. Saio e visto roupa. Desço e janto macarrão com almôndegas com a minha tia. Quando termina pede licença pois diz estar muito cansada.

      - Boa noite tia.

     - Boa noite querida. - ela sobe e eu lavo as louças, ela não pediu mas não custa nada ajudá-la.

     Quando termino subo e como ainda não estou com sono, pego meu livro na minha mala que havia esquecido.  Leio bastante. Quando olho no relógio está bem tarde. Guardo o livro e apago o abajur indo deitar. Durmo.

Continua.....

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Overturn || Rafael Lange/CellbitOnde histórias criam vida. Descubra agora