- Eu mesmo - diz animado - Em carne e osso.
Ele me abraça apertado. Retribui.
- Saudades, pessoa pequena - ele diz. Lhe olho saindo do abraço.
- Eu sou quase do seu tamanho - no abraço é claro que ele fica maior que eu, mas não frente à frente. Sei lá por quê isso acontece. Gosto de me sentir menores e mais ingênua do que as outras pessoas.
- Mas, eai, o que você está fazendo aqui? - pergunto para não ficar aquele silêncio chato (visto que com ele sempre havia algum assunto). Arrumo o sobretudo que amassou.
- Será porque eu moro aqui? - ele responde sarcástico. - Mas e você, o que está fazendo aqui, na terra da rainha?
- Será porque estou viajando? - respondo no seu mesmo tom e um sorriso de sarcasmo brota em meus lábios. Ele ri também. - Vim com Eduarda.
- Ah sim - ele ri afirmando com a cabeça - Ei, você quer sair daqui não? As pessoas estão olhando estranho para nós.
- Bem, agora elas sabem como me sinto com esse monte de gente falando um idioma estranho e que sou péssima - digo rindo - Mas como você sugeriu, vamos.
Saímos do local e novamente coloco as mãos nos bolsos por conta do frio.
-
- Ah, então foi por isso que depois daquela última vez que nos vimos, você sumiu tão de repente. - ele me olha com dúvida não entendendo. Ele também estava enrolado em seu casaco, seu rosto branco por conta da falta de sol em Londres, estava meio pálido. - Aquela vez do shopping.
- Oh sim - ele se lembra - Tive que voltar rápido para cá, para resolver alguns assuntos.
Não pergunto para não me intrometer.
Andamos tranquilamente pela calçada, ainda não sei se ele está me levando para algum lugar específico, ou se andamos sem rumo. Opto por observar os carros à passar pela rua.
- É a primeira vez que vem à Londres? - ele olha fixamente para mim. Creio que está tentando puxar assunto.
- Acho que meio óbvio, mas, sim, primeira vez e já estou adorando. - não escondo o grande sorriso - Na verdade, se pudesse moraria aqui para sempre, é tudo tão perfeito. - ele me acompanha no riso.
- Mas existem tantos lugar bem melhores do que Londres... Tipo, Paris - França, Roma - Itália, Bueno Aires - Argentina...
- Você diz isso porque, talvez, esse lugar já perdeu o brilho para você. - digo séria. Mas depois brinco. - Então, por favor não estrague meu sonho enquanto estou nele.
Ele ri assentindo.
Olho para uma espécie de local, em que aparentemente se vendia sorvete (não sou tão burra para não saber que sorvete em inglês é ice cream).
- Quer tomar sorvete? - pergunta Michael seguindo a direção em que o brilho dos meus estavam olhando.
- Queria muito - sorrio entusiasmada. Adoro sorvete - Mas, não tenho dinheiro aqui - digo abaixando o olhar. - Na verdade, em lugar nenhum.
- Oh, isso não é problema. - ele sorri. - Vem.
Michael segurou minha mão e atravessamos a rua. Estremeci com seu toque, aliás, não estava acostumada à andar de mãos dadas com alguém. Muito menos com um menino. Comecei à sentir uma sensação já conhecida por mim, mas veio de forma diferente. Era vergonha, mas não uma vergonha ruim. Com certeza minhas bochechas estavam à ficar rosas.
Pedimos nosso sorvetes e nos sentamos em uma mesa próxima.
- Eu deveria ter pedido de morango - o rapaz à minha frente revezava olhares entre meu sorvete de morango (meu sabor preferido) e o dele, de flocos. Tento sorrir meigo.
- Pode pegar uma colherada do meu se quiser, não sou egoísta - ofereço.
Ele leva a sua colher no meu sorvete a colocando na boca em seguida e sorri sentido o sabor.
O sorriso de Michael era incrível, e ficava perfeito quando entrava em contraste com seus lindos olhos em um castanho brilhoso e profundo. Enquanto ele saboreava o meu sorvete ainda, agora de olhos fechados, pude perceber as pequenas pintinhas alaranjadas, na região dos olhos e nariz.
- O que foi? - interrogou me tirando de um "transe de admiração".
- Não é nada. - desvio o olhar tentando engolir o sorriso. Falha total.
Eu estava sorrindo como uma idiota, só por ter presenciado o sorriso mais bonito do mundo, que veio do menino. Tudo bem, tudo bem, do segundo menino mais bonito do mundo.
É claro que é muito difícil competir com o Theo James... Porém, são olhos azuis que invadem minha memória.
Porque eu estava pensando nele de novo?!
Ele nem se lembra de mim, tenho certeza disso. Sou uma ridícula, por quê ele iria se dar o trabalho de se importar com uma idiota como eu?
Começo à sentir aquelas sensações de sempre quando me lembrava dele, e aquela vontade enorme de começar à chorar. Mas não podia. Não posso deixar. E não vou.
A tarde com Michael passou como um flash, não sei porque as coisas boas tendem a acabar tão depressa, e as ruins se estendiam por tanto tempo.
Conversamos sobre viagens, sorvetes, futuro, amizades...
Eu sei que não sou bonita, mas aquele garoto ali ao meu lado não se importou com isto. À cada dia conheço pessoas que realmente se importam do jeito que sou, não pela minha aparência. E eu lhes agradeço por isso. De todos os dias que sofri por conta disso, finalmente eles estão me deixando. Finalmente, o sofrimento está me deixando. Estou reconhecendo o lado bom da vida. Que há muitos coisas ainda para se aprender.
Mas... Além de tudo isso, sabia que Michael me considerava apenas uma amiga, e era totalmente recíproco de minha parte.
***
Chegamos na porta da casa. Michael sabia onde Eduarda morava. Ele também insistiu em me levar, não hesitei, pois eu iria acabar me perdendo de novo.
- Obrigada - agradeço-lhe pela companhia. - Eai? Será que dessa vez vou te ver de novo? - digo brincando.
- Mas é claro. - ele mostra um sorriso. - Depois me chame para podermos visitarmos alguns lugares.
Assenti afirmando. De um momento à outro ele coloca sua mão em meu ombro e se aproxima do meu rosto. Olha fixo para meus olhos. Eu simplesmente fico parada. Sem saber o que fazer, dizer e nem agir. Por um momento juro que iria me beijar, mas ele pisca parecendo perceber o que estava há fazer. Me dá um beijo na bochecha e se afasta.
- Tchau. - ele diz e sai virando a calçada acenando.
Levanto minha mão por impulso.
- Tchau. - não sei se ouviu, provavelmente não, pois minha voz sai como um sussurro pela tamanha confusão que está meu cérebro e sentimentos.
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Gente o capitulo ta curtinho mas tá legal vai?!
Bem, deixem suas opiniões POR FAVOOOOORR... E agradeçam @Thays_Marijuana pois ela que me ajudou à escrever o cap. Na verdade ela fez mais da metade dele. (PS: aproveitem para dar uma olhada nos livros dela. São todos ótimos, mas o melhor é Eu Odeio Amar Você, ainda está em andamento mas é o meu preferido).
Então, é isso gente, obrigada e beijão <3
Comentem e votem!! S2
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Overturn || Rafael Lange/Cellbit
FanfictionSabe quando o mundo ao seu redor só sabe te humilhar? Que todos te vêem como um monstro? Que você é maltratada todos os dias? Pois é, essa é minha vida. Eu só desejo uma coisa. Dar uma reviravolta! ________________________________________________...
