Capitulo 26

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      Batendo os dedos sobre minha barriga , com as mãos entrelaçadas e observando o teto de meu quarto ainda estava pensando sobre para onde ir. Afinal, a festa e o espetáculo já seria sábado à noite, depois de amanhã.

E por incrível que pareça, os dois no mesmo horário.

   Me levanto da cama decidida. Chego ao primeiro andar e analiso se Eduarda encontra-se lá. Tudo limpo. Avisto Lúcia na cozinha com um papel em mãos.

Respiro fundo e caminho até ela sem fazer muito barulho com os passos.

 Finjo ser alguém que não quer nada e pego um copo de vidro despejando água da jarra nele. Coloco-à de volta na geladeira. Bebo a água e  encosto na pia, ouço um som vindo de tia Lúcia.

Soa como um grunhido de desprezo e raiva.

- Que foi tia?

- A conta de luz veio um absurdo. - ela responde sem olhar para mim. - E olha que não assisto televisão todo dia.

Tento encontrar as palavras mas como não às acho, falo apenas minha opinião que ficou sobrando.

- Ah, sabe como é tia. Com todas crises que vem acontecendo, eles sempre aumentam os impostos - Ela apenas concorda. Espero um pouco para dizer sobre a festa.

- Bem, er... Tia... - olha para mim e faz um gesto para mim continuar à falar - A Maethe me chamou para ir à uma festa de seu amigo junto com ela, os meninos também vão. Eu posso ir?

Tento ser o mais direta possível e falo mais rápido para não gaguejar e fazer papel de bobona.

- Uma festa? Sim, pode sim. Fico feliz que tenha feito amizades. Maethe é uma menina muito boa. Mas, que dia será? - Nãããããããããããoooo, por que ela tinha que perguntar isso? Calminha.

- Então.... Vai ser amanhã. - falo um pouco mais baixo, prevendo que levarei um NÃO bem bonito. Sem nada à fazer, falo tudo de uma vez. - E descobri que vai ser na mesma hora do show no teatro da Eduarda.

    Fechei até os olhos para não ver sua expressão e me sentir culpada. Abro o esquerdo e ela parece estar pensando. Depois se pronuncia.

    - Bom, Mellany, se você quer ir, pode ir, sabe que eu deixo... Mas, acho que seria legal você conversar com sua prima, sabe, para não ficar chato isso. - diz. Finalizo com um "tudo bem" e me retiro para meu quarto.

      Vou acabar morando nesse quarto, não faço mais nada à não ser ficar só nele.

Antes de me afundar na cama aproveito para ir falar logo com Eduarda, senão vou acabar esquecendo e o nervosismo ganha.

   Ela estava descansando, pois acabara de chegar do ensaio de hoje, eu também estava cansada pela reunião, mas não irei deixá-lo me vencer.

Batendo na porta de seu quarto espero sua permissão para entrar, quando escuto já entro. Ela está deitada de bruços na cama e começo à puxar assunto.

  - Está preparada para sábado? - como hoje ainda era quinta lhe pergunto.

  - Oh, sim. Todos as apresentações tem sua ansiedade e medo, sabe? Mas, já enfrentei alguns bem piores. - responde dando um pequeno sorriso.

  - Eles pegam muito pesado? Depois que chegou, simplesmente desmoronou na cama. - faço graça e ela ri.

  - Eles exigem muito da gente. Mas vão dar um descanso amanhã para todo mundo. Estou vou ter um tempo. - sorrimos as duas.

Eduarda era legal, mesmo sendo bem mais velha que eu, sempre estava brincando comigo.

Lembrando do verdadeiro motivo de estar ali, resolvo contar.

Overturn || Rafael Lange/CellbitOnde histórias criam vida. Descubra agora