Capitulo 23

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- Fi-filha? - pergunto ainda pasma. Eu nunca soube dela. Antes dela me responder, escutamos a voz de alguém.

- Mellany? Quem é? - minha tia começa à vir em minha direção então saio da frente e lhe dou perfeita visão de Eduarda. As duas simplesmente congelam, não mexem nenhum músculo se quer.

Se parecem um pouco, mas se não as conhecessem não diria que são mãe e filha. Se isto for verdade mesmo.

Posso notar que uma pequena lágrima se desprende do olho direito de tia Lúcia. Já iria perguntar o que aconteceu quando ela dá passo largos e rápidos e abraça Eduarda em um abraço caloroso e amoroso. De primeira ela fica em estado de choque, mas em poucos segundos foi subindo suas mãos e retribuindo o abraço. Aquela cena estava me deixando emocionada. Do jeito que sou, com essa coração mole, não consigo me segurar às vezes.

Escuto o barulho do celular vindo do meu quarto. Seco as lágrimas que caíram sem querer por conta da emoção e subo as escadas rápido.

Entro nele e quando ía atender, a ligação desliga. Quando olho no visor, está o nome de Maethe. Fico com medo, pois depois do 'bolo' que levei ontem não sei se seria legal conversar sobre isso. Mas talvez, ela pode ter tido seus motivos. Antes de pensar se retornava a ligação, ouço o barulho de mensagem.

Abro e leio em seguida.

XxMensagemxX

"Oi Mel. Desculpa mesmo não ter ido te ver ontem. Estava ocupada e me esqueci completamente. Quando lembrei já estava tarde da noite. Espero que entenda... :) Depois me liga.Beijo da Maethe."

Acho que estava certa. Meu humor melhora pois vejo que ela não fez de propósito não ter vindo aqui em casa.

Pouso o aparelho novamente na escrivaninha e desço para o andar animadamente.

Eduarda e minha tia conversavam animadamente. Escuto minha tia dizendo "Ela é sua prima...". Acho que estavam falando de mim. Pelo jeito, Eduarda não me conhecia até agora.


- O que aconteceu com a tia Tina então? Por quê ela também não está aqui? - Eduarda diz eq sinto uma corrente de choque e tristeza me atingir. Vou direto para a cozinha, em passos fortes, pegar um copo d' água. Afinal, não era culpa dela, mas acho que fiz muito barulho e me escutaram e pararam de conversar.

- Acho que já vou indo. Não posso faltar ao trabalho hoje. Me desculpem meninas queria ficar com vocês aqui, mas tenho um compromisso sério hoje. - tia Lúcia diz se levantando do sofá e parece meio triste em ter que ir agora.

- Tudo bem. Te entendo perfeitamente. - diz Eduarda se levantando também, sorrindo. As duas se abraçam forte de novo.

Quando se separam minha tia vem em minha direção.

- Se cuida. - dá um beijo em minha testa e um pequeno abraço.

Observamos ela sair pela porta e depois que a mesma bate se fechando a sala de estar fica em silêncio.

- Quer tomar café? Tudo na mesa está uma delícia. - digo dando um sorriso à convidando para comer.

Ela afirma com a cabeça e nos sentamos.

{ ... }

Eduarda é muito legal, mais do que pensei. Divertida, engraçada, responsável e honesta. Conversamos muito durante o café-da-manhã, me contou tudo sobre ela.

Ela tem vinte e um anos e não mora aqui no Brasil, mora em Londres. Explicou que quando tinha quatorze anos, foi chamada para uma bolsa de estudos para dança e agarrou essa oportunidade de primeira, disseram que ela tem muito talento. Mas, tia Lúcia não queria de jeito nenhum e não deixava ela ir. Bom, nisso Eduarda arrumou um jeito de ir embora e as duas ficaram brigadas desde então.

Overturn || Rafael Lange/CellbitOnde histórias criam vida. Descubra agora