Capitulo 33

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- Finalmente terra firme. - digo me jogando e beijando o chão depois de descer uma escada laranjada totalmente estranha. Eduarda ria muito atrás de mim.

- As pessoas vão achar que você é uma maluca aí jogada. - ela diz se curvando de rir.

- Não foram elas que quase morreram dentro de um avião que estava caindo. - digo lhe olhando, mais ainda no chão.

- Não estava caindo. - ela me olha de deboche sorrindo.

- Você estava dormindo, eu que senti todas aquelas turbulências e caídas, ou sei lá como aquilo se chamava
- ela começa à rir de novo. As pessoas olhavam feio para nós.

- Vamos. Temos que que nos retirar da pista de vôo. - ela ajuda à me levantar e vamos em direção ao hall do aeroporto. Fazemos todo aquele procedimento chato e sem graça que ninguém liga.

    Saímos para o lado de fora e a brisa fria nos atinge.

- "Ehem" - digo evolvendo-me com os braços.

- É melhor se acostumar. - diz Eduarda com um sorriso. Entramos em um táxi e Eduarda fala algum tipo de endereço em inglês.

    Coloco o rosto no vidro, literalmente, e começo à admirar aquela paisagem linda.

- Uau. - é sério, é tudo lindo. Muitas coisas diferentes. Na verdade, tudo diferente.

Mas afinal, o que não é diferente neste país? Ah é, lembrei. Meu papel de trouxa. Esse é igual em todo lugar.

- Legal, não é? Também sei como é ótimo conhecer coisas novas - diz Eduarda. O motorista faz uma careta estranha quando escuta outro idioma.

  Passamos por ruas e ruas. Cada uma com sua beleza diferente. Casas de dois andares, varandas brancas com a grama sempre verde.

   O carro anda mais um pouco até chegar em uma casa pequena. O carro para.

- Bem, não sou rica. Mas pelo menos consegui ter uma casa - diz Eduarda abrindo a porta. Ela sai - Vamos.

A acompanho. O taxista nos ajuda à tirar as malas do carro e carrego para a porta da casa.  Vejo Eduarda lhe pagando.

  Era um rua normal, com casas normais. Não é porque é outro país, que, tudo é tão perfeito assim.

Cada cultura com seu jeito.

A casa de Eduarda podia ser pequena, mas era bonita e aconchegante por dentro.

- Ainda não acredito que estou na Inglaterra. Alguém me belisca. - digo extremamente feliz. Era como tudo um sonho, só que saio dele quando sinto uma dor no meu braço. Solto um grito quando vejo Eduarda me beliscando.

- Você que mandou. - disse ela levantando suas mãos.

- Foi apenas uma expressão.

  Ela sai rindo subindo uma escada que dava para o segundo andar.

   Olho tudo em redor. Solto um suspiro de felicidade.

Subo para conhecer a casa. O andar de cima tinha um banheiro, e dois quartos.

  Eduarda me contou que a um tempo atrás, dividia a casa uma colega de dança. Mas aí, ela recebeu uma proposta muito boa de viajar pelo mundo, pois era uma ótima dançarina... E agora tem que lidar com as contas da casa sozinha.

   Ela me mostra o quarto de tamanho médio. Uma cama de solteiro, um guarda roupa preto e branco com um grande espelho uma cômoda com um abajur com desenhos das ondas do mar. Um carpete cobria o chão. Uma janela e suas cortinas em azul... Lembrando-me, de certos olhos... De... De alguém, que nem mesmo deve estar pensando em mim.

Overturn || Rafael Lange/CellbitOnde histórias criam vida. Descubra agora