Antônio dirigia até a pousada com todo o ódio que era possível sentir por Agatha, a mulher que ele havia amado tanto, se revelou uma assassina e uma chantagista. Tirar essa venda dos olhos, lembrar a quantidade de discussões que teve com Irene, e que nelas ele fazia questão de valorizar e gritar ao mundo a falsa ideia da esposa perfeita que Agatha havia sido, o deixava enojado.
E a sensação de terror só aumentava em pensar na possibilidade de que de fato ela tivesse matado Daniel e que pudesse fazer o mesmo com Petra e com Irene. Foi isso que o levou até a pousada. Ignorou os sinais por 30 anos, agora tinha que encarar a ex-mulher para cuidar das duas únicas mulheres que importavam em sua vida.
- Eu sabia que você não ia demorar a bater a minha porta Antônio...
O fazendeiro não disse nada. Levou as mãos aos bolsos da calça por que queria saber até onde ela ia, o que ela ainda queria com ele depois do que fizera, enforcá-la até a morte parecia ser uma boa ideia naquele momento.
- Entra, nós temos uma conversa muito séria pendente.
- Por que você não diz logo o que você quer? Eu tenho mais o que fazer.
- Bom, se você prefere decidir sobre a vida da sua esposa e da sua filha no meio de um corredor de uma pousada fuleira dessas... É, realmente você não mudou nadinha mesmo...
- Eu vou repetir só uma vez Agatha, eu neste momento estou morrendo de vontade de te matar, tudo dentro de mim me pede para fazer isso, te enfiar naquele caixão que você deixou vazio e poder finalmente nunca mais ter que olhar pra essa sua cara...
- Jura?! Desse jeito você me deixa emocionada meu querido... - O deboche que escorria entre o sorriso que ela dava o fazia borbulhar por dentro. - Bom, levando em consideração o que eu fiz, eu acho esse ódio todo meio exagerado, mas eu vou relevar tudo o que você está dizendo... O fato é que eu tenho nas minhas mãos a vida da sua esposa perua e da sua filha drogada. Já você tem o que pra me ameaçar? O Caio? Eu não me importo muito com ele mesmo, tanto que eu deixei ele pra você criar e você fez muito mal por que nem falar direito ele sabe, é um ogro, um verdadeiro fracasso que nem pra ser o escolhido para ter a sua sucessão ele serviu.
Agatha entrou no quarto após terminar seus ataques aos La Selva e Antônio avançou sobre ela, irritado.
- Escuta aqui, eu não vou permitir que você fale desse jeito deles... quem você pensa que é?
- Eu sou a sua ex-mulher, e em breve serei a sua futura esposa meu querido.
Antônio não aguentou a gargalhada e não fez a menor questão de debochar da ex, Agatha só podia estar louca.
- É impressionante, ficou 30 anos morta e agora eu descubro que você está viva e completamente louca.
- Não, imagina, eu estou perfeitamente lúcida.
- Ah é? Você acha mesmo que eu vou me separar da Irene, pra casar com você? - A gargalhada debochada novamente saiu incontrolável, Agatha seguia sorrindo como se não se abalasse
- Bom, realmente, a escolha é totalmente sua. Ou você se separa dela e nos casamos, ou eu mato a Irene e a Petra. Simples assim. - Agatha foi em seu ponto fraco, mas Antônio seguia firme.
- Eu nunca vou deixar a Irene por uma mulher tão pequena quanto você. - Antônio dizia enquanto se aproximava dela - Escuta bem o que eu vou te dizer Agatha, eu nunca tive vontade de bater em uma mulher, minha honra sempre foi maior que isso, eu não sou um covarde, mas a minha vontade nesse momento é socar você inteira. Então eu sugiro que você nunca mais ouse me ameaçar, ou ameaçar a vida da minha mulher e da minha filha. Eu mato você.
- Antônio quantas vezes eu tenho que repetir? Eu não tenho medo de você. - Antônio engoliu em seco o seu ódio - Eu estou sendo até que bastante justa, tô jogando limpo com você, te deixando escolher... Você tem essas duas opções. Qual vai ser?
- Você não entendeu ainda? Eu não vou deixar a Irene nunca!
- Ok, você que sabe, espero que você esteja pronto pro velório dela... Sabe como é né, enterro com caixão fechado é tão triste, é uma pena. - Agatha disse com uma tranquilidade, uma frieza que o fez por um segundo acreditar que ela realmente seria capaz de cumprir suas bravatas - Eu faço questão de retalhar ela inteira com a minha faca, da mesma forma que eu retalhei tantas vagabundas na cadeia. A Petra eu não pretendo fazer o mesmo, sabe como é?! Detesto repetir cenários, o dela eu deixo você velar com caixão aberto, ok?
- Você não seria capaz...
- Paga pra ver, paga pra ver se eu não sou capaz. - o deboche havia sumido e Agatha agora realmente parecia uma matadora, uma assassina confessa, a assassina que ficou 20 anos numa cadeia pública tendo que ser mais forte que tudo para sobreviver por tantos anos. - Você fica urrando aos quatro cantos que me conhece, mas você NUNCA me conheceu de verdade. Eu seduzi você naquele puteiro da Cândida, e depois de 3 encontros você me pediu em casamento, me levou pra debaixo do seu teto e nunca percebeu que eu te trai com quase todos os seus peões, fugir com o meu médico foi somente a melhor oportunidade de escapar de você e seguir a minha vida longe desse homem nojento que você é.
- Finalmente você está se revelando, uma vagabundos de primeira.
- A vagabunda de primeira que vai acabar com a vida das pessoas que você ama, se você não se casar comigo e me passar todos os seus bens.
- Tudo se resume a dinheiro? Sempre foi por dinheiro...
- É o dinheiro que move o mundo. Você é um fazendeiro tão importante, já devia saber disso.
- A minha família é muito mais importante que o dinheiro. Eu sempre amei você, e naquela época eu daria tudo que eu tinha se isso fizesse com que você ficasse viva, do meu lado.
- Bom sendo assim, se você ama tanto a Irene...
- É óbvio que eu amo a Irene
- Então você não vai negar o meu pedido.
- Isso não é um pedido. Isso é chantagem!
- Dê o nome que quiser, o que importa é que no final de tudo eu termino rica.
Mesmo sabendo que aceitar a chantagem não era a melhor opção, neste momento, Antônio não tinha escolha. Daria todo o seu patrimônio contanto que pudesse salvar Irene e Petra das mãos de Agatha.
- O que eu tenho que fazer?
- Nossa, foi mais fácil do que eu imaginei. - Agatha estava realmente surpresa, Antônio brigava tanto pra ter aquele pedaço de terra minúsculo de Aline, achou que por todo o seu patrimônio ele lutaria mais. - Você realmente vai colocar a sua família acima do seu dinheiro?
- Eu faço qualquer coisa pela minha família. E se eu tiver que passar tudo o que eu tenho em meu nome pra deixar elas vivas, eu faço. Agora tem uma condição.
- Você não esta em condições de me pedir nada. Eu achei que tinha sido clara.
- Eu vou fazer o que você quer, mas se você fizer, ou mandar fazer algo com a minha mulher e a minha filha, quem te mata sou eu.
- Eu sou uma mulher de palavra, você pode confiar em mim, é só você andar na linha.
Antônio não respondeu, saiu daquele quarto em direção a empresa e no caminho só ligou para Silvério, manter suas mulheres vivas, era tudo o que importava naquele momento.
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I NEED YOU
Fanfiction#antorene • Fanfic de que parte de uma suposta briga do casal Antônio e Irene La Selva após o retorno de Agatha e depois o reencontro na mansão. Recados: - tentei colocar as falas o mais próximo possível do que as personagens falam na novela, entã...
