Capítulo 12

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Irene seguia trancada em seu quarto, o silencio pesando o ambiente, apesar de ter em seu corpo um barulho audível que incomodava, queria desligar a sua mente de todos os problemas que estava enfrentando nesses últimos tempos. A morte de Daniel, os problemas e os vícios de Petra, o retorno do seu pior pesadelo, a morta que nunca esteve morta de verdade. Que sempre este viva nos seus sonhos mais medonhos e que seguia a perturbando quando despertava e via o rosto do seu marido, que ainda lembrava dela, via Caio que era o fruto do ventre desse mesmo pesadelo.

Ela podia ignorar todos os sinais do universo, mas ela sabia que Agatha poderia tirar Antônio dos seus braços. Ela de alguma forma sempre tirou ele dos braços dela. Quantas vezes se perguntou se ele lembrava dela quando os dois faziam amor. Sempre quis saber se ele buscava nela, algum resquício da personalidade de Agatha.

Ela não precisava que ele jogasse isso na cara dela, mas mesmo assim ele fazia. Sempre que pode, Antônio praticamente, desenhou e detalhou toda a personalidade da falsa morta. Como ela agia melhor que Irene, cozinhava melhor que Irene, dançava melhor que Irene, respirava melhor que Irene.

Aceitou por anos, calada, todas as comparações descabidas que o marido fazia, por que em sua alma o desejo de ter o genuíno amor de Antônio, parecia ser superior a todas essas certezas, que agora, com Agatha viva, ela não tinha mais. Definitivamente.

O silêncio no quarto foi interrompido por batidas na porta, que a fizeram respirar profundamente. Sabia que não era o marido, ele como sempre, desistiu dela quando não teve seu desejo atendido. Só torcia e rezava para que não fosse Agatha. Não teria energia para outra discussão com ela. Mas demonstrou surpresa quando viu Vinícius do outro lado do portal, com o sorriso gentil de sempre, era um homem bonito, ela não podia negar e discutir, sabia que se ela abrisse qualquer brecha ele entraria e os dois teriam grandes problemas.

— Vinícius? Aconteceu alguma coisa, pra você vir tão repentinamente bater na minha porta?

— Eu não diria que é tão repentino vir conversar com a mulher que tem me instigado tanto nos últimos dias.

— O que exatamente você quer dizer com isso? — Sabia que tinha sido gentil demais com ele quando estava querendo descobrir a história dos diamantes, mas nunca tinha sido mais do que isso, gentil.

— Eu quero dizer que eu sou o homem mais feliz e agradecido nesta cidade, por ser o seu vizinho do lado nessa pousada. Por poder ver o seu sorriso e a sua elegância em todas as refeições que fazemos por aqui.

— Agora você definitivamente me deixou perdida.

— Não acho que você esteja perdida, ou não esteja entendendo quais são as minhas intenções com você.

— Acontece Vinícius, que eu não estou e nunca estive interessada em sequer saber as suas intenções comigo. Essa aliança aqui no meu dedo já devia ser o suficiente pra que suas intenções fossem limitadas.

— E eu posso saber por quanto tempo essa aliança ainda vai permanecer no seu dedo? Por que eu sinceramente não acredito que o seu casamento tenha muito futuro...

— Eu não estou interessada e muito menos te dando a liberdade de achar ou deixar de achar em algo que se relacione ao meu casamento. Você devia se contentar com o que você sempre soube. Eu, Irene La Selva, sou uma mulher casada.

— Ah é? E porque mesmo que você está morando nessa pousada, tão longe do seu honrado marido?

— O que acontece na minha vida e na vida do meu marido não te diz respeito. Você definitivamente não tem um pingo de juízo. Se o Antônio desconfiar que essa conversa sequer existiu, você é um homem morto.

— Se o seu marido se importasse mesmo com esse casamento, ele não tinha te deixado aqui nessa pousada. Eu pelo menos não teria sequer deixado você sair de casa.

— Eu vou ter que ser repetitiva, já que você insiste em não entender. Os meus problemas não são da sua conta, e você, definitivamente, não tem nada a ver com a minha vida e o meu casamento!

A conversa se encerrou quando Irene bateu a porta na cara de Vinícius, sentindo-se exposta, parecia que sua vida tinha virado o assunto mais comentado na cidade. Os olhos de pena que ela recebia nas ruas depois do retorno de Agatha, agora chegavam cada vez mais perto dela. Ela sentia que as pessoas a olhavam com compaixão, se compadecendo da mulher tão poderosa que viu o seu castelo ruir com a volta da sua pior inimiga.

Sentia que a aproximação de Vinícius a machucava. Era uma ferida em seu peito saber que Vinícius jogava em suas conversas todas as verdades que os moradores da pequena cidade pensavam. A atitude de sair de casa e ir para a pousada, por duas vezes, era a confirmação de que Agatha conseguiu estremecer o seu casamento.

O que mais doía nela era saber que se Vinícius insistisse e ela cedesse, não necessariamente faria com que Antônio reagisse de forma negativa e obsessiva. Não sabia dizer se Antônio lutaria por ela por orgulho, ou por amor.

Se tivesse que escolher, em uma situação extrema, ela tinha certeza que Agatha seria escolhida. Isso doía mais que a dor de estar longe da sua casa, longe de Antônio.

— Eu tenho que descobrir o que essa desgraçada quer, eu não vou perder o meu Antônio. Não posso perder esse homem

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