A sala do mapa era um espaço amplo e de teto alto, com janelas estreitas cobertas por cortinas e uma mesa grande no centro, ocupada por um enorme mapa de Pratória. Era ali que rei Gavin aguardava os participantes da reunião naquele fim de tarde.
Arian e Brethen foram os primeiros a chegar, seguidos de Capitã Alma, acompanhado do segundo tenente – o primeiro era Arture, que não estava em condições de participar. Depois de alguns minutos, os três membros do conselho chegaram juntos: Lady Alana, representante da casa Caelix, Lorde Syfas, representante da casa Amon, e Dom Julius, sacerdote e representante da casa Magnar.
– Não podemos mais negar – o rei Gavin disse. – que a Maré Sombria está de volta e é uma ameaça real. Houve uma tentativa contra a minha vida e, agora, contra a do meu filho. Temos motivo para acreditar que pessoas dentro do palácio possam estar envolvidas. Esse é apenas o começo de algo muito maior.
– Temos um prisioneiro sob nossa custódia – Capitã Alma acrescentou –, mas, até agora, conseguimos descobrir muito pouco. Fizemos um novo interrogatório com o homem sob o efeito de uma droga alucinógena esta tarde. Ele não disse muito, mas conseguimos um nome: Salazar.
– Só isso? – Arian perguntou.
– O problema desse tipo de interrogatório é que conseguimos apenas fragmentos. O sujeito não fala coisa com coisa. Ele repetiu esse nome algumas vezes, e também falou de montanhas e ondas. Ficava repetindo "Nem as montanhas resistem à força das ondas. A Maré está subindo..." e aí balbuciava mais coisas ininteligíveis e repetia tudo de novo. Vamos tentar novamente amanhã.
– E esse nome, "Salazar"? – Dom Julius interveio. – Há alguém no palácio com esse nome?
– Já checamos – Alma balançou a cabeça. – Não há nenhum empregado ou residente com esse nome, ao menos não registrado.
Brethen olhou para Arian, de pé ao lado dela. O maxilar rígido, as mãos em punho. Ele queria dizer algo que não podia falar na frente das pessoas naquela sala. Queria oferecer para ajudar usando magia.
– Vamos triplicar a segurança do palácio e realizar buscas – os olhos do rei passeavam pelos rostos de todos na sala. – Pelo que sabemos da Maré Sombria, com base no que vimos no passado, eles atuam em ramificações. Já convoquei meu mestre de espionagem para participar das investigações. Ele chega na próxima semana.
Arian deu um passo à frente e disse:
– Pai, os ataques às fazendas já foram investigados?
– Sim, – foi Alma quem respondeu – Capitão Jordan está coordenando as investigações.
– Eles devem estar conectados com isso tudo. E os saques nas vilas perto da fronteira também.
Rei Gavin franziu o cenho, confuso.
– O que quer dizer?
Arian olhou para Brethen, passando a palavra para ela.
– Minha vila natal foi atacada há alguns anos. – ela contou, procurando no mapa a região onde a vila ficava. Quando a encontrou, colocou o dedo ali – Na época eu não entendi o que significava, mas eu vi o símbolo da Maré Sombria esculpido em uma porta.
– Ataques desse tipo também eram um comportamento comum da antiga Maré Sombria – Arian explicou – para arrecadar fundos e financiar o movimento. Estão agindo sob os nossos narizes há anos.
– Isso é muito sério! – exclamou Lorde Syfas. Ele era um homem alto e magro, com cabelos grisalhos sempre impecáveis e barba bem aparada.
– É o que estamos dizendo, Lorde Syfas – Arian pareceu precisar se conter para não revirar os olhos, ele nunca foi o maior fã do Lorde. Então, se voltou para o rei. – Pai, acho melhor adiarmos o noivado.
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A Maré Sombria
FantasyBrethen não tem medo de nada. Ou, ao menos, de muito pouco. Treinada desde a adolescência em uma academia de guerreiros e assassinos, ela foi selecionada a dedo pelo príncipe Arian para ser sua Campeã. A partir daquele dia, Brethen se tornou a somb...
