CAPÍTULO DEZOITO.
CAPÍTULO POR CECÍLIA.
📍 SÃO PAULO — SP.
UNS DIAS DEPOIS.
Dentro do carro, eu conseguia sentir o nervoso do Tico. Hoje ele ia contar pra família da casa. Ele mandou o endereço pra eles e pediu pra eles ir na frente que ele já tava chegando.
— Eles vão amar, fica tranquilo. — falo quebrando o silêncio e colocando a mão na perna dele.
— Tô ansioso demais, mano... quero vê a reação deles.
Chegamos no local, e ele riu falando que todos já estavam ali. Ele me ajudou descer do carro, e fomos até o pessoal. Falamos com todos, e depois de uns segundos o Tico chamou a atenção de todo mundo.
— Se liga, minha família... eu chamei vocês pra vim aqui, porque eu queria contar uma parada pra vocês. — ele dá uma pausa. — Fazer isso sempre foi meu sonho, e hoje poder realizar isso pra gente, é uma das maiores felicidades da minha vida.
Eu estava perto do sobrinho dele, que estava com um dos braços entrelaçado no meu. Uns cochichos rolaram, e o Tico voltou a falar.
— Fico feliz demais em falar pra vocês que... eu comprei essa casa pra gente. — ele fala e o som de surpresa saiu da família dele.
Ouvi a mãe e a irmã dele chorando, e logo em seguida o sobrinho dele falando alguma coisa com ele que só falava que não tinha motivos pra ele agradecer nada. E eles ficaram um tempinho aqui fora, até todo mundo entrar na casa.
Assim que entramos, me liguei que tinha algum ar condicionado ligado, pelo geladinho da casa. Ouvi eles falando de todos os detalhes, achando tudo muito lindo, e o Tico que tava abraçado comigo só dava risada e concordava.
Uns minutos depois de todo mundo ver a casa inteira, começou a correria das mudanças, que levou o dia inteiro praticamente. Depois que acabou com tudo da mudança, todos foram descansar. O Tico e eu fomos pro quarto dele e sentamos na cama e só então ele soltou minha mão, silêncio entre a gente, e logo ouvi ele fungar.
Meu coração apertou e eu fiquei um pouco sem reação, até me aproximar e tocar nele.
— Que foi, Tico? Tá chorando, vida? — levei minha mão no rosto dele, e senti molhado. — Ô, meu amor. — seco o rosto dele e dou um beijo fazendo um carinho em seguida.
— Eu tô muito feliz, preta. Muito feliz, tá ligado? Comprei minha casa, a casa da minha família, já tá tudo quitado... a casa tem tudo, temos bagulho tudo. — ele ri baixinho. — Deus é muito bom, mano, eu tô muito feliz.
— Eu tô muito feliz por vocês também... por você. — faço um carinho na mão dele.
— Eu ainda não tô acreditando, tá ligado? Eu sempre me mudei muito por cauda de alugue, mano... o aluguel aumentava e nós tinha que sair fora, só no mesmo bairro nós morou em uma quinze casa. — ela conta e eu escuto a voz dele vacilando em alguns momentos. — E a casa tem vários quarto, pra minha mãe, pra meu sobrinho... pra geral. Eu tô muito feliz.
Ele ficou em silêncio e eu me aproximei, me encaixando entre as pernas dele, ficando com as costas encostada no peito dele que me abraçou forte e eu segurei os braços dele fazendo carinho.
— Ja chorei demais por faltar coisa na mesa, faltar o dinheiro do aluguel, a bolacha quando eu era mais novo, tá ligado? — assenti. — Até a bolacha Deus fazia milagre, trazia na porta. Por isso eu acredito em Deus demais... sei que cada um acredita no que quer... mas eu tô falando do que eu acredito.
Escuto a voz dele fraquejar, e ela respira fundo antes de voltar a falar.
— Eu ajoelhava pedindo, seja o que for, Deus sempre dava atenção... eu menor quando pedia a bolacha, pedia até a marca, pedia pra mandar uma bolacha, e batiam na minha porta, mano... — ele solta um riso nasal. — Deixando cesta básica pra nós... Deus sempre foi a minha vida... tá ligado, mano? — ele chora antes de terminar de falar.
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Amar | VEIGH.
Fanfictionamar é a coisa mais natural que existe no mundo, todos nós iremos amar e seremos amados, independente de qualquer coisa.
