capítulo vinte e dois

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CAPÍTULO VINTE E DOIS.
CAPÍTULO POR CECÍLIA.
📍 SÃO PAULO — SP.
MESES DEPOIS.

— Então, Cecília. — o doutor começa a falar. — Tá tudo bem, tá? Nenhuma alteração... Durante essa alta que eu te dei, nesses meses, você sentiu alguma coisa? Alguma coisa diferente aconteceu?

— Da semana passada pra cá, eu tenho sentindo... ou não sei nem se é sentir. — tento explicar. — Mas é como se fosse uns clarões, não não sei explicar muito, é como se alguém tivesse ascendido alguma coisa. — dou os olhos.

— Com frequência? — assenti.

— Todos os dias, desde a semana passada. — contei. — Não comentei com ninguém, porque não sei o que é, então preferi deixar pra falar com o senhor sobre.

— Esses clarões, acontecem muito quando alguma coisa além da luz do ambiente estimula a retina, que envia um sinal para o cérebro. — ele me explica. — Isso é bom. — ele fala animado.

— É?

— É. Sabemos que o acidente fez com que suas retinas descolassem. — assenti. — A cirurgia, era de alto risto na época, e também tinha 0,2% de chances de obter sucesso pelo tempo que levou para os outros médicos descobrirem o motivo da sua cegueira.

— Sim, eu lembro.

— Mas esses clarões que você comentou, aumentam as chances de obter sucesso nessa cirurgia.

Meu coração bateu muiro forte, senti minha garganta fechar, e meu nariz queimar, me fazendo chorar.

— Aqui no Brasil, eu não conheço nenhum profissional que trabalhe com a vitrectomia. — ele volta a explicar. — Vitrectomia, é o nome da cirurgia que trata o descolamento de retina. — assenti, secando meu rosto. — Mas em Londres, eu tenho um amigo profissional nessa área, de 100% dos pacientes dele que fizeram essa cirurgia com ele, 95% foram tratados com sucesso.

Londres, tão longe. Tão contramão pra mim, e pra qualquer outra pessoa que fosse me acompanhar. A felicidade que eu senti minutos atrás, se desfez tão rápido.

— Eu posso te passar informações mais completas sobre o trabalho dele.

— Eu agradeço ao senhor, mas isso é algo fora de alcance.

— Desculpa perguntar, mas em qual sentido? No sentido financeiro? Se for, eles trabalham com planos de saúdes, e...

— Não, nem é por isso. — sorri. — É pela questão de eu não querer que ninguém pare a vida por mim.

Segundos em silêncio entre nós na sala, e eu entrei no assunto dos remédios e dos colírios. Depois de me entregar as receitas, o doutor me liberou da consulta.

— Te acompanho até a porta. — ele sempre fazia isso.

Andei pela sala que eu conhecia, quando cheguei próximo da porta, ouvi ele abrir, e senti o perfume do meu namorado em poucos segundos.

— Oi, amor.

— Oi, linda... cê tava chorando? Que foi? Aconteceu alguma parada? — o tom de voz era preocupado e eu ri balançando a cabeça negando.

— Tá tudo bem. — estiquei a mão, e ele segurou me puxando de leve pra perto dele.

— Então, vamos? — assenti. — Valeu aí, doutor. Fica com Deus.

— Vão com Deus, até a próxima Cecília.

Saímos da clínica, em silêncio, até entrarmos no carro e ele dar partida, e quebrar o silêncio.

Amar | VEIGH.Onde histórias criam vida. Descubra agora