— Você está falando sério? — Micael perguntou ainda com os olhos arregalados devido a surpresa daquela revelação. Arthur enfiou as mãos no bolso de sua calça social e apenas assentiu. — A troco do quê?
— São coisas dela, eu não tenho muito o que fazer. — Deu de ombros e Micael bufou, não acreditando nem um pouco nele. — Você não precisa pilhar não, pode ir junto com ela se quiser, eu não vou a amarrar no pé da cama, se é o que está pensando.
— Eu só quero entender o motivo dessa mudança repentina, você nunca permitiu que ela pegasse nada em casa e muito menos que visse a criança.
— Só que eu cansei de guerra, Micael. Se a Sophia não me quer, o problema é todo dela, afinal eu também não a quero mais. — Micael ergueu uma sobrancelha pensando se acreditava ou não. — Com a Liz o assunto é mais complicado, eu não quero enfiar a Sophia drogada de volta na vida da minha filha, por isso eu estou perguntando a você e espero que responda com sinceridade, você acha que eu posso colocar as duas frente a frente? Responda como se o pai fosse você.
— Você não acha meio hipócrita falar que não quer enfiar a Sophia drogada na vida da Liz sendo que ela estava dentro de casa com a menina dessa forma?
— Mas eu não sabia. — Se defendeu e viu Micael bufar com deboche. — Não sabia mesmo.
— Está se fazendo de cego, você reconhece de longe alguem que usou pó. Você sabia que ela estava usando de novo e não falou nada, eu só não consigo entender o motivo, já que da primeira vez você a botou pra fora por conta do uso.
— Não estou aqui pra desabafar ou conversar sobre tudo o que eu já fiz ou deixei de fazer, Micael. — Falava baixo, havia pensado bastante sobre aquilo. — Eu só quero fazer as coisas certas dessa vez, você leva a Sophia em casa pra buscar as coisas dela? Se quiser eu posso mandar alguém levar tudo pra sua casa e lá ela escolhe o que presta ou não.
— E a menina?
— Você não respondeu minha pergunta sobre a Sophia.
— Eu acho que é um caminho bem longo até a Sophia estar bem, Arthur. Não tem como eu afirmar que ela está curada, mas posso dizer com certeza que ela já pode segurar a onda na frente da filha de vocês.
— Então tá, é só o que quero. — Deu de ombros. — Chega de fugir, vamos tratar a Sophia e assim cada um segue sua vida sem afetar a Liz. — Novamente deixou os irmãos surpresos. — Se tiver algo que eu possa fazer pra ajudar...
— Ajudar? Você quer ajudar? — Soltou uma risada debochada. — Qual seu plano hein, Arthur? Vai se fazer de bom moço e tentar levar a Sophia na lábia? Não vai funcionar, ela me ama.
— Eu sei que ama. — Assumiu com um tom triste. — Não é minha intenção reatar nada, eu já disse dez vezes.
— Essa mudança repentina se deve a quê então? — Diego finalmente se meteu e Arthur caminhou pra dentro e se sentou frente ao amigo. — Seja sincero, tudo isso é muito estranho.
— Tive tempo pra pensar e refletir sobre as coisas, gente. Não vale a pena viver do jeito que estávamos vivendo. Ninguém estava feliz, nem nos dois, muito menos a Liz.
— Eu espero de verdade que seja real. — Micael comentou com um sorriso. — Vai ser muito bom pra Sophia ter a Liz na vida dela e até mesmo você, se estiver de boa.
— E você não faz o gênero ciumento?
— A Sophia me ama, Arthur. Eu não preciso ter ciúmes de você. Afinal, eu sei que vocês tem uma filha juntos e isso é um elo pra toda vida, de certa forma, sempre haverá comunicação. — Micael deu de ombros, seguro de si. — Você pode ir a algumas reuniões apoiar a Sophia nesse recomeço se quiser. É bom pra você aprender a lidar com ela quando precisar.
— Ta, só me dizer o horário e o endereço que eu vou. — Se possível, surpreendeu ainda mais os dois. — É sério que vocês vão fazer essas caras pra tudo o que eu disser? — Soltou uma risada sincera, talvez a primeira após um longo tempo. — Estou tentando ser um ser humano melhor, podem me ajudar?
— Você foi cuzão demais no último mês pra eu esquecer tudo e agora sorrir porque vai entregar as roupas e objetos da Sophia. — Micael manteve o pé atrás.
— Eu sei o que eu fui, Sophia jogou na minha cara, se lembra?
— Tudo bem, a reunião é hoje, as seis e meia. — Cruzou os braços esperando a desculpa de Arthur, mas ele apenas deu de ombros.
— Me encaminha o endereço por mensagem e estarei lá, se você acha que isso vai fazer bem a ela.
— Vai. — Arthur assentiu e então se levantou pra sair da sala. Diego encarou o irmão, ainda desconfiado. — Será que isso tudo é verdadeiro?
— Arthur é meu melhor amigo, eu espero que seja verdadeiro, ele acabou se tornando alguém que eu nem conheço. — Suspirou. — E levar ele pra reunião? Que ideia idiota é essa?
— Eu falei com ele uns meses atrás que devia ir as reuniões pra apoiar a Sophia e ele riu de mim, debochando da minha cara. Eu falei isso agora pra testar.
— E vai deixar ele ir?
— Não que eu fique feliz com isso, mas vai ser ótimo pra Sophia sentir que esse traste está do lado dela. Quero dizer, a apoiando sabe? Deixando que veja a filha... Ela vai sentir segurança e com isso ter menos vontade de usar e perder tudo, consegue entender?
— Acho que tudo é achismo.
— O que eu perco por tentar?
— Aturar o Arthur não é perder muito? — Diego brincou e viu o irmão dar risada.
— Hoje é a primeira sessão de volta da Sophia, se o Arthur for mesmo, vai ouvi-la dizer o motivo da recaída e tals, vai ser ótimo, mais uma sessão extra de semancol pro seu amigo.
— Mas que beleza! — Diego deu risada. — Vamos trabalhar, me parece que sua noites vai ser bem animada.
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Doze Passos - Meu Anjo Da Guarda
RomanceDepois de anos lutando pela reabilitação da esposa, Arthur acaba desistindo e a expulsando de casa. Sophia se viu perdida, sem dinheiro e sem poder ver a filha. Confiou em gente que não poderia e fez muito mais do que devia pra conseguir alimentar...
