Cap. VI

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O obstetra foi intimado a prestar declarações, assim como o representante da Clínica que por isso o suspendeu até que tudo se esclarecesse.

Para que Juliette ficasse longe de tudo, Telma optou por dar-lhe férias e cedeu a sua casa de praia para ela ficar no próximo mês.

Iara quando soube da suspensão do amante ficou deveras apreensiva.

- E agora, o que fazemos?

- Nada. Mantemos a calma. Aquela virgenzinha é mais esperta do que parecia.

- E como foi na polícia?

- Tranquilo. Incitei eles a provarem que eu a violei. É só esperaram a altura certa para fazer o exame de ADN.

- E eu como fico, agora?

- Ficas como sempre foste, infértil, oca por dentro e de cabeça. Não tiveste jeito para enganar o trouxa do namorado, agora dá o teu jeito. Eu não posso fazer nada estando suspenso.

Quer dizer que ela vai ter o filho que devia ser meu e eu não posso fazer nada?

- Sim. A não ser que contes tudo e queiras ir presa ou que no final sequestres a criança e dês sumiço na mãe.

- Presa, eu? Eu não fiz nada ilegal.

- Não. Só subornaste o técnico do centro de congelação de esperma.

- O pior é que agora ela não me atende o telefone. Eu acho que ela também desconfia de mim.

- Eu vou sair de cena. Não quero mais confusão para o meu lado. Só não saio do País porque a polícia me proibiu e retirou o passaporte.

- E vais deixar-me no meio deste rolo todo? Depois de tantos anos?

- Devia ter-me afastado logo que te conheci. Eu sempre tive consciência de que perto de ti só me ferrava. Maldita hora que fui parar no cabaré.

- Deixa de ser frouxo. Ficaste comigo porque era bom todos os meses olhares o extrato bancário e veres os muitos zeros depositados.
Eu fazia das tripas coração para sacar dinheiro ao Rodolffo só para te agradar e agora vens com esse papinho.

Ele desligou o telefone e Iara tentou de novo ligar para Juliette. Como não atendeu, resolveu enviar uma mensagem.

Juliette

Já faz uns dias que não consigo falar contigo e estou preocupada.

Acabei de sair aqui da clínica e soube que o nosso médico foi suspenso.

Quando vires esta mensagem por favor liga-me.

Iara

Rodolffo estava no seu quarto e assistia a toda esta conversa. Pousou o aparelho em cima da cama e levou as mãos à cabeça massajando as têmporas. Estava incrédulo com o que acabara de ouvir e por momentos aquilo pareceu-lhe argumento para um filme de terror.

Ouviu tudo de novo e quanto mais ouvia, mais surreal lhe parecia. Pegou no telefone, nas chaves do carro e saiu sem destino.

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