O primeiro almoço dela na minha casa foi muito agradável. Ela e a minha avó deram-se bem e praticamente colocaram-me de lado.
Após a avó ter saído nós fomos tomar café para a pergola que havia no jardim e tinha uma cadeira de balanço.
Sentámos lado e lado e eu aproveitei para lhe dar a primeira roupa do nosso filho. Quando chegou já lhe tinha oferecido as flores e chocolates.
- Que lindo. Parece uma roupa de baptizado.
- Achas? Achei uma gracinha e comprei.
- Ainda é cedo, Rodolffo. É a primeira mesmo. Eu ainda não comprei nada.
- Podemos comprar juntos. Chama-me quando fores.
Gostaste do almoço?
- Sim. Estava muito bom.
- Fui eu que cozinhei com a avó, mas como não sei os teus gostos, não sabia o que fazer.
- Eu como de tudo.
- Não tens enjoos?
- Até agora não, felizmente.
- Queres ficar aqui ou queres ir a algum lado.
- Prefiro ficar aqui. Ultimamente não me apetece ver muita gente.
- Não tens amigos?
- Não. O trabalho e a doença do meu irmão não me deixaram tempo para amizades.
- E amores?
- Nem amores.
- Deixas-me fazer um álbum com fotos da tua gravidez? Queria fazer pelo menos uma por mês.
- Porquê?
- Para termos recordações para lhe mostrar.
- Não temos do primeiro mês.
E esta roupa hoje nem mostra a barriga.
- Fazemos outro dia.
A partir dali o dia escolhido para as fotos era uma resenha autêntica. Rodolffo mandava-me empinar a barriga porque dizia que já se notava.
Hoje já completei 4 meses e ainda não se nota muito. Fizemos o primeiro ultrassom com a doutora Celina e ambos chorámos ao ouvir o coração dele. A doutora diz que no próximo já vai dar para saber o sexo.
Rodolffo tem sido muito amoroso comigo. Telefona diariamente e corre até minha casa se por acaso me ouve espirrar ao telefone.
Confesso que eu amo isso. Eu gosto dele, não nego. Até já rolou um beijo entre nós, mas eu fico retraída pois tenho dúvidas se ele é assim por mim ou se é só porque eu estou a gerar um filho dele.
Eu sei que no relacionamento com a Iara ele queria apenas um filho, não importava com quem. Pode muito bem ainda pensar do mesmo modo.
Não conversámos sobre isso porque eu não dei abertura e por isso, às vezes, fica um clima um pouco estranho.
Amanhã começa o julgamento dos dois. Rodolffo não quer que eu vá, mas eu quero olhar nos olhos deles. Quero assistir à queda da dupla diabólica. Aos dois junta-se um dos técnicos que foi subornado por Iara para roubar o sémen.
Quero que os três apodreçam na prisão
VOCÊ ESTÁ LENDO
Permita-se Amar
Fanfiction...e pela rua, lado a lado, somos muito mais que dois (M. Benedetti)
