XVII

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Dois anos depois...

Rodolffo deixou Maria Vitória no colégio e voltou para casa.  Juliette tinha acordado indisposta e ficou um pouco mais na cama.  Telefonou à Telma e avisou que possivelmente só iria de tarde.

- Juliette,  vamos ao hospital.

- Não creio ser necessário, respondeu ela, correndo imediatamente para o banheiro onde vomitou bastante.

- Vá lá.  Veste-te e vamos.

Chegamos ao hospital e estava bastante gente.  Eu estava cada vez mais enjoada e expliquei isso mesmo  ao médico que me atendeu.

- Vamos fazer um exame de sangue.  Vou pedir a recolha do sangue e depois espere na sala.

Enquanto esperávamos, Rodolffo levou-me até à cafetaria para que eu tentasse comer alguma coisa.

Uma hora depois o médico chama por mim.  Entrei eu e Rodolffo e o médico não esteve com rodeios.

- A senhora está grávida.  Esses enjoos são sintomas de gravidez.

- Não há dúvidas, doutor?  perguntou Rodolffo.

- Dúvidas nenhumas.  Muitos parabéns.

Agradecemos e saímos.  Eu não estranhei o silêncio de Rodolffo.   Eu estava ciente do que ia na cabeça dele.

- Rodolffo,  esse teu silêncio.   Nem ouses dizer o que julgas.

- Vou dizer o quê?  Que estou muito feliz pela criança que vem aí?

- Não eras tu que querias uma casa cheia de filhos?

- Meus filhos,  não de outros.

Juliette olhou para ele e depois voltou a cara para a janela e ficou a olhar a paisagem.  Lágrimas corriam pelas suas faces, mas não ousava dizer nada.

Entrou em casa e subiu para o seu quarto.  Entrou e trancou a porta.
Atirou-se para a cama e chorou durante horas.

Saiu já no final da tarde e Rodolffo tinha saído, possivelmente para ir buscar a filha.

Preparou o jantar e quando eles voltaram foi dar banho na menina, assim como o jantar.  Depois subiu de novo.  Colocou Maria Vitória para dormir no berço e deitou-se na cama dela.

Rodolffo esperou Juliette para jantar,  mas ela não veio.  Foi chamá-la e encontrou-a a dormir no quarto da filha.

Desceu e comeu sózinho.  Nessa noite não conseguiu dormir.  Pensamentos ruins afloravam a sua
mente e o facto dela se remeter ao silêncio quando ele falou nos filhos dos outros ainda o deixava mais aturdido.

O médico tinha dado a garantia 100% dele estar estéril, então como é que ela estava grávida?  Só podia ter outra pessoa.

Pensar que ela o pudesse estar a trair era como se facas fossem espetadas no seu peito.

A meio da noite foi até ao quarto da filha.  Não entrou porque ouviu Juliette a soluçar.

Fui então até ao jardim e caminhou por entre os canteiros.  Já o dia vinha chegando quando entrou para fazer o café.

Subiu para tomar um duche e quando voltou a descer eram horas de levar a filha à escola.  Não trocaram um bom dia sequer. Juliette tomou café sózinha e saiu para o trabalho.

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