Dois anos depois...
Rodolffo deixou Maria Vitória no colégio e voltou para casa. Juliette tinha acordado indisposta e ficou um pouco mais na cama. Telefonou à Telma e avisou que possivelmente só iria de tarde.
- Juliette, vamos ao hospital.
- Não creio ser necessário, respondeu ela, correndo imediatamente para o banheiro onde vomitou bastante.
- Vá lá. Veste-te e vamos.
Chegamos ao hospital e estava bastante gente. Eu estava cada vez mais enjoada e expliquei isso mesmo ao médico que me atendeu.
- Vamos fazer um exame de sangue. Vou pedir a recolha do sangue e depois espere na sala.
Enquanto esperávamos, Rodolffo levou-me até à cafetaria para que eu tentasse comer alguma coisa.
Uma hora depois o médico chama por mim. Entrei eu e Rodolffo e o médico não esteve com rodeios.
- A senhora está grávida. Esses enjoos são sintomas de gravidez.
- Não há dúvidas, doutor? perguntou Rodolffo.
- Dúvidas nenhumas. Muitos parabéns.
Agradecemos e saímos. Eu não estranhei o silêncio de Rodolffo. Eu estava ciente do que ia na cabeça dele.
- Rodolffo, esse teu silêncio. Nem ouses dizer o que julgas.
- Vou dizer o quê? Que estou muito feliz pela criança que vem aí?
- Não eras tu que querias uma casa cheia de filhos?
- Meus filhos, não de outros.
Juliette olhou para ele e depois voltou a cara para a janela e ficou a olhar a paisagem. Lágrimas corriam pelas suas faces, mas não ousava dizer nada.
Entrou em casa e subiu para o seu quarto. Entrou e trancou a porta.
Atirou-se para a cama e chorou durante horas.
Saiu já no final da tarde e Rodolffo tinha saído, possivelmente para ir buscar a filha.
Preparou o jantar e quando eles voltaram foi dar banho na menina, assim como o jantar. Depois subiu de novo. Colocou Maria Vitória para dormir no berço e deitou-se na cama dela.
Rodolffo esperou Juliette para jantar, mas ela não veio. Foi chamá-la e encontrou-a a dormir no quarto da filha.
Desceu e comeu sózinho. Nessa noite não conseguiu dormir. Pensamentos ruins afloravam a sua
mente e o facto dela se remeter ao silêncio quando ele falou nos filhos dos outros ainda o deixava mais aturdido.
O médico tinha dado a garantia 100% dele estar estéril, então como é que ela estava grávida? Só podia ter outra pessoa.
Pensar que ela o pudesse estar a trair era como se facas fossem espetadas no seu peito.
A meio da noite foi até ao quarto da filha. Não entrou porque ouviu Juliette a soluçar.
Fui então até ao jardim e caminhou por entre os canteiros. Já o dia vinha chegando quando entrou para fazer o café.
Subiu para tomar um duche e quando voltou a descer eram horas de levar a filha à escola. Não trocaram um bom dia sequer. Juliette tomou café sózinha e saiu para o trabalho.
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Permita-se Amar
Fanfiction...e pela rua, lado a lado, somos muito mais que dois (M. Benedetti)
