Afundando

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POV: LINK.

Saí de Zora's Domain com (S/n)e Navi, lembrei-me do quanto aquele lago era longe de onde estávamos, o que me gerou um pouco de preguiça para caminhar até as águas cristalinas do Lago Hylia.

Link: - Tsc, o Templo da Água não poderia ser pelo menos um pouco mais perto? - Resmunguei pensando na grande distância que eu teria de percorrer, (S/n)olhou para mim indiferente, com sua harpa em mãos, seus dedos tocaram as cordas da harpa, causando o som da melodia de Sahyun, seu cavalo branco.

(S/n): - Oras, não reclame. É pelo bem de Hyrule... mesmo que provavelmente vamos ver aquela- - interrompeu a si mesma, a frase também foi cortada pelo som significativo do som das patas de Sahyun se tornando mais alto cada vez que se aproximava, ficando perto de sua dona que logo sorriu ao notar sua presença.

Link: - Ela quem? - Perguntei curioso, imaginei que ela estivesse se referindo a Princesa Ruto, lembro claramente do último encontro delas, não foi nada agradável para (S/n), as vezes me pego pensando nisso, achando que pelo menos um pouco do que aconteceu naquele dia é culpa minha.

(S/n): - Nada, ninguém. - Disse balançando a cabeça para os lados em negação, apoiando suas mãos em seu cavalo e logo após subindo nele. - Aliás, não vai chamar Epona? Se for com ela vai ser mais rápido. - Realmente, chamar Epona seria mais beneficente, porém eu não gosto de cansar as perninhas dela por causa de mim, coitadinha... mas é necessário! Com a ocarina do tempo em mãos, toquei a canção ensinada por Malon há sete anos atrás, Epona veio mais rápido do que eu esperava. Cumprimentei ela fazendo um carinho na lateral de seu rosto, enquanto minha testa deslizava sob a sua.

Link: - Boa garota! - Parabenizei a égua por sua cautela em vir quando precisei, então como presente e recompensa, peguei uma cenoura na minha bolsa, sempre costumo levar algumas pro caso de precisar dela. Dei de alimento a ela, que relinchou em alegria após receber, por fim montei em cima dela. - Vamos. - Disse olhando para (S/n), ela assentiu, suas mãos balançaram as cordas do cabresto, incentivando o cavalo a se mover. Fiquei um pouco atrás dela, mas Epona é rápida então logo consegui acompanhá-la. O lago Hylia estava totalmente diferente de como vimos quando crianças, aquelas águas abundantes se tornaram totalmente secas. Era possível ver o chão, nenhuma gota de água sequer, somente o solo seco. Ainda havia um local com pouca quantidade de água concentrada ali, coincidentemente na entrada do Templo da Água. - A coisa está feia mesmo.

(S/n): - Eu te disse.

Link: - Como você arrumou remédio pra mim nesse fim de mundo? - Era uma questão que eu tinha, pois segundo ela quando estive enfermo devido ao veneno de cobra ela conseguiu aqui um elixir.

(S/n): - Naquele laboratório ali. - Ela apontou para uma pequena casa de cor branca, em um ponto um pouco mais alto. - Aliás, acho que aquele cientista é meio biruta das ideias, ele mantém Octoroks em cativeiro.

Link: - Ah, dessas criaturas eu não tenho empatia alguma, que fiquem mesmo. - As memórias de como foi estressante lidar com eles em Zora's River, Lord Jabu-Jabu, Forest Temple e Zora's Fountain vieram a tona, esses bichinhos são tão estressantes quanto Deku Scrubs.

(S/n): - Não fala assim deles, tadinhos, eles são úteis para o sistema da vida, sabia? - Seu tom parecia sincero. - Sem eles, você nem estaria vivo, porque o remédio que eu te dei é feito com o líquido de espermatozóides dele. - Eu fiquei sem palavras com o que ela falou.

Link: - VOCÊ ESTÁ DIZENDO QUE ME SEU PORRA DE POLVO MUTANTE, (S/n)?! - Pude ver uma sorriso brincalhão se formando em sua face, ela começou a rir do meu jeito desesperado. - Como tira?! Eu vou vomitar!

(S/n): - Pois é, um remédio divino, não é?! - Seus olhos se apertaram enquanto ela ria profundamente da minha cara, me pergunto por um breve momento se ela está falando sério ou se está brincando comigo.

Link: - É sério, (S/n)... - Peguei seu braço direito, forçando ela a olhar para mim. - Eu bebi leite de polvo? - Seus olhos se entreabriram, depois ela tossiu com a falta de fôlego causado pela risada frenética. - Tsc!

(S/n): - LEITE DE POLVO? AH-HA-HA-HA! - Ela colocou uma mão em seu peito, enquanto baixou levemente as costas perdendo as forças de tanto gargalhar. - Ai... - Ela suspirou, tentando controlar o seu riso que por sinal tinha um som bem marcante mas martelava a cabeça de qualquer um se ouvisse por muito tempo, após se recompor, seus olhos encontraram minha expressão indignada novamente, eu a encarava de braços cruzados, seus lábios se curvaram em um sorriso de novo. - Sua cara, hehehe...

Link: - De novo não.. - Ela começa a rir de novo, mas dessa vez numa risada mais reprimida, como se fosse para dentro. - Você não me respeita, né? Hum. - Seu dedo indicador deslizou sob um de seus olhos, secando uma lágrima que fugiu com sua crise de risos.

(S/n): - Hã? Respeito, mas... a sua cara! - levou as mãos na frente da boca, ocultando outro sorriso. - Cof Cof. - Fez um som limpando sua garganta. - Mas é sério, era brincadeira. Eu não dei "leite de polvo" pra você, na verdade, eu nem sei do que aquilo é feito, mas o que eu sei é que o velhinho costuma utilizar as águas do Lago Hylia para seus remédios. - Fiquei sem reação outra vez.

Link: - Eu acho que eu seria mais feliz se não soubesse dessa parte de água do lago. - Penso em como poderia ser anti higiênico, considerando que não sei se a água que ele coletou foi devidamente tratada ou se ele simplesmente pegou a água de qualquer jeito visto que ele mora literalmente à beira do lago. - Mas poxa, (S/n)! Isso não se faz, eu enfiei o dedo na minha goela umas três vezes enquanto você ria.

(S/n): - Ah, tu enfiou porque você quis. - Ela deu de ombros. - Vamos logo. - Caminhou em direção ao templo.

Link: - Já vou vestir a túnica. - Tirei o gorro da túnica Kokiri, guardando-o na bolsa, fiz o mesmo com o restante da túnica ficando apenas com a calça e a segunda pele de cor branca, colocando as vestes Zora. Observei meu reflexo na pequena concentração de água ali próximo a entrada do templo, me admirando. - Hm, nada mal...

(S/n): - Quase me esqueci de vestir. - Disse pegando a túnica na bolsa. - Aff, esse gorro não combina nada comigo. - Ela tentou colocar o gorro, mas seu cabelo cheio fazia com que ele não ficasse tão estático, da última vez no Templo do Fogo ela estava com o cabelo preso, o que facilitou, mas hoje ele estava completamente solto ao vento. - Ugh, que chatice! - Ela enfia a mão dentro da bolsa procurando por mais algo. - Eu não trouxe nada pra prender meu cabelo.

Link: - Quer ajuda? - Me ofereci para pelo menos tentar arrumar um jeito que o gorro não saísse fácil, ainda mais que iríamos entrar debaixo d'água.

(S/n): - Ah, sim, por favor. - Respondeu sem hesitar, me aproximei dela, segurando seus cabelos e dividindo ao meio. Seus cabelos ruivos eram bem cheios, macios ao toque, tão suave como um tecido de cetim.

Link: - Bastante cabelo, hein. Dá até para fazer uma doação para a princesa Ruto. - Eu ri por dentro, mas seu humor era bem parecido com o meu, o que fez ela rir também.

(S/n): - Que maldade, Link, haha.

Link: - Hehehe, só tô dizendo... - Me concentrei mais em seus cabelos, começando a trançar seus fios desde a raiz até as pontas, repeti o mesmo do outro lago. - Prontinho. - Ela tocou em uma das tranças, levando mais próximo da sua visão.

(S/n): - Nossa, que lindo! Nem eu sei fazer uma trança assim. - Fiquei orgulhoso por ela ter gostado.

Link: - Eu aprendi com Saria, a gente brincava muito de pentear o cabelo um do outro quando a gente era pequeno... - Eram boas lembranças. - Mas então, agora você pode vestir a túnica.

(S/n): - Oh, sim, sim, muito obrigada, Link. - Ela sorriu de novo, agradecendo pelo penteado feito por mim, vestiu a túnica por cima da roupa que já estava usando, uma simples blusa curta e calças largas bastante comuns em meio as gerudos. A túnica realça bem sua cintura fina, seu corpo estruturado de um jeito delicado, tendo um formato de ampulheta, ela ficava chamativa usando a cor azul. - Agora sim. - Já adiantou-se, colocando as botas de ferro nos pés, indo em direção até a água.

Link: - Quase esqueço das botas. - Equipei elas também, as botas eram pesadas para se andar que era impossível correr com elas. Ao pular na parte de água, afundamos completamente, entrando no Templo. (S/n)já estava olhando em volta, a situação não parecia tão legal.

(S/n): - Tô vendo que a gente vai ter muita coisa para fazer....

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O Deserto e o Tempo - Link x leitora. Onde histórias criam vida. Descubra agora