Rumo da vida

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O clique da porta se fechando às minhas costas pareceu ecoar pelo quarto, selando o resto do mundo do lado de fora. Sem dizer uma palavra, os dedos longos e firmes de Taehyung continuaram envolvendo os meus, guiando-me com uma delicadeza quase dolorosa para o interior do cômodo. O calor do toque dele queimava minha pele. Senti meu estômago dar um nó; eu me conhecia bem demais para saber o perigo daquela proximidade. Se ele desse mais um passo, se o seu perfume amadeirado me envolvesse um pouco mais, eu cederia. E a verdade era que, apesar de toda a mágoa, meu coração ainda não estava pronto para abrir mão dele.

​Taehyung quebrou o contato visual por um segundo para se sentar em uma poltrona de couro escuro. Mantendo uma distância segura, puxei uma cadeira estofada e me sentei logo à frente.

​O silêncio que se instalou foi denso, quase palpável. Foi então que ele ergueu os olhos. Lento e deliberado, o olhar de Taehyung desceu pelo meu rosto, demorou-se no contorno do meu pescoço e me mapeou dos pés à cabeça, fazendo um arrepio involuntário correr pela minha espinha. Havia ali uma mistura perigosa de arrependimento, desejo e posse.

​Apertei minhas próprias mãos no colo, tentando estabilizar o ritmo da minha respiração. Eu precisava falar alguma coisa. Precisava encontrar um jeito de quebrar aquele gelo e tornar as coisas mais leves entre nós, porque, no fundo da minha alma, eu já não aguentava mais viver naquele pé de guerra constante com o homem que eu amava.

 Precisava encontrar um jeito de quebrar aquele gelo e tornar as coisas mais leves entre nós, porque, no fundo da minha alma, eu já não aguentava mais viver naquele pé de guerra constante com o homem que eu amava

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Taehyung passou a mão pelo rosto, o som de sua respiração pesada preenchendo o espaço entre nós.

- Eu não sei por onde começar, Lara. Até uma hora atrás, no banheiro... estava tudo indo tão bem.

- E está tudo bem - respondi, tentando manter a voz o mais firme e controlada possível. Eu não queria mais desmoronar. - A gente não precisa brigar. Vamos só conversar.

Me levantei da cadeira antes que a proximidade física me fizesse esquecer da razão. Caminhei até o frigobar do quarto, precisando de algo para ocupar minhas mãos trêmulas. Peguei uma garrafa de vinho e a abri com cuidado, sentindo o olhar dele queimar minhas costas a cada movimento. Voltei com duas taças cheias, entreguei uma a ele e me encostei na parede oposta, cruzando os tornozelos.

- Não precisamos fazer com que esse momento seja chato ou doloroso, não é mesmo?

- Sim... - a voz dele saiu baixa, quase em um sussurro defensivo, enquanto ele encarava o líquido escuro na taça.

- Taehyung... estamos todos preocupados com você - continuei, dando um gole longo no vinho para buscar coragem. - Por mais que eu me faça de durona na frente dos outros, eu passo o tempo inteiro me perguntando como você está. São muitas perguntas sem resposta.

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