Tregua ne ?

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Por volta das sete horas da manhã, a névoa do sono começou a se dissipar, mas meus olhos continuavam pesados. O som sutil da fechadura correndo me fez congelar sob o edredom. Logo em seguida, as vozes de Jin e Yoongi ecoaram num sussurro abafado, quase coladas à madeira da porta.

​- Será que ela melhorou? - a voz de Yoongi continha uma nota áspera de preocupação.

​- Só entrando para saber, Yoongi. Não adianta ficar adivinhando aqui fora - Jin respondeu no mesmo tom milimetricamente baixo.

​- Verdade...

​- Entra você primeiro. Você tem mais intimidade com ela do que eu agora. Eu entro logo atrás, vai.

​Ouvi os passos macios de Yoongi cruzando o piso de madeira até pararem na ponta da cama. Houve uma pausa longa. Ele deve ter assimilado a cena: eu, encolhida sob a coberta, e Taehyung deitado ao meu lado, com um dos braços jogado por cima do meu corpo de forma protetora.

​- Tae? - Yoongi chamou, cutucando de leve o pé dele.

​- Hmmm... - Tae resmungou, a voz completamente arrastada pelo sono, movendo-se desconfortavelmente.

​- O que aconteceu aqui? Por que você está no quarto dela?

​Taehyung puxou o ar, tentando clarear a garganta sem fazer barulho. - A Lara passou muito mal durante a madrugada. Estava queimando de febre, tremendo de frio... Acho que foi insolação. Tentei sair do quarto depois de dar o remédio, mas ela não deixou. Pediu para eu ficar.

​- Devemos chamar um médico para ela? Uma ambulância? - a voz de Jin cortou o espaço, genuinamente alarmada.

​- Aparentemente ela está melhor agora. A temperatura baixou. Dei um antitérmico para ela, já já vou acordá-la para dar mais uma dose. Ela resmungou bastante a noite toda por conta da ardência nas costas. O corpo está em carne viva.

​- Beleza... - Yoongi soltou um suspiro pesado, daqueles que pareciam carregar o peso do mundo. - Vou descer e ver se acho algo leve para ela comer. Já que ela não toma água de coco de jeito nenhum, vou caçar um Gatorade ou um suco na geladeira.

​Houve um segundo de silêncio denso, o tipo de pausa em que as palavras não ditas machucam mais do que as faladas. Até que a voz de Taehyung quebrou o gelo, carregada de uma culpa sincera.

​- Yoongi... desculpa. Eu sei que você gosta dela.

​Yoongi demorou a responder. Quando o fez, sua voz saiu fria, cortante como uma lâmina de barbear:

​- Não vacila, Tae. Só isso. Não vacila.

​O som dos passos dos dois se afastando e o clique suave da porta se fechando trouxeram o silêncio de volta. Senti o colchão se mover de leve e, logo em seguida, a palma da mão de Taehyung, fria e macia, pousou com delicadeza sobre a minha testa, checando minha temperatura.

​Virei-me devagar na direção dele, abrindo os olhos aos poucos. Sem dizer nada, deslizei para mais perto e encostei o rosto novamente em seu peito, inspirando o calor da sua pele.

​- Está cedo... dorme mais um pouco - murmurei, a voz rouca. - Você passou a noite inteira acordado vendo se eu estava com febre. Dá para ouvir o seu cansaço.

​Ele sobressaltou-se de leve, surpreso. - Você acordou? Pensei que estivesse em um sono profundo.

​- Acordei quando o Yoongi abriu a porta, mas meu corpo ainda está anestesiado. Quero dormir mais.

​- Então dorme, meu amo...

​- Shhh... - Interrompi-o rapidamente, erguendo a mão com esforço e colando o dedo indicador sobre os lábios dele. Olhei fixamente em seus olhos castanhos. - As paredes desta casa têm ouvidos, Tae. E muitas expectativas também.

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