Solução

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Às vezes, é reconfortante pensar que existe alguém no mundo disposto a nos proteger, a erguer escudos contra as tempestades. Mas eu não posso me dar ao luxo de virar vítima ou dependente todas as vezes. Desde pequena, fui moldada para ser forte, resiliente e independente. Minha mãe sempre repetiu, como um mantra sagrado, que eu nasci para conquistar o mundo e que eu não precisava de absolutamente ninguém ao meu lado para fazer isso acontecer. A força que carrego no peito é herança dela.

Por volta das 7 horas da manhã, o som contínuo e discreto de batidas na porta quebra o silêncio do quarto. Levanto-me do sofá, ajeitando o pijama, e vou verificar quem é. Ao abrir, dou de cara com Rebecca, que segura um tablet contra o peito e traz uma expressão visivelmente preocupada.

- Bom dia, Lara - ela diz, a voz baixa devido ao horário.

- Bom dia, Rebecca. Por gentileza, entre - respondo, dando espaço para ela passar.

Ela caminha até o centro da sala de estar e se vira para mim.

- Você já viu as imagens que estão circulando por todos os portais de K-media? Vim conversar diretamente com você sobre o que quer que a gente faça. Qual vai ser o nosso posicionamento?

- Olha, vou te falar a verdade, Rebecca: eu sou uma pessoa comum, uma civil. Amanhã ou depois, o público vai achar outro assunto e vão esquecer de mim. O meu foco aqui é apenas um: faça o que for preciso fazer, mas monte uma estratégia que não prejudique o Eun Woo de jeito nenhum.

Rebecca me olha por alguns segundos, e um sorriso brando e admirado surge em seus lábios.

- Você parece uma mãe leoa protegendo ele de tudo, Lara.

- No fundo, Rebecca, ele só queria sair e ter um momento de paz como as pessoas normais fazem. Infelizmente, foi um momento de deslize, um descuido nosso com o horário.

- Eu te entendo perfeitamente. Pensei exatamente o mesmo quando vi as fotos.

- Quais são as nossas opções reais no momento? - pergunto, cruzando os braços, assumindo uma postura analítica.

- Bom, a agência sempre cogita os caminhos padrão: assumir um relacionamento de vez, o que geraria um barulho imenso; emitir uma nota dizendo que você é apenas uma amiga de infância de longa data; ou... usar a imagem de forma comercial, como se aquele flagrante fosse, na verdade, uma publicidade intencional da marca de alta costura que ele estava vestindo na hora. Temos muitas opções, Lara, mas eu prefiro que você escolha. Afinal, isso condiz diretamente com a sua imagem e, de certa forma, nós acabamos quebrando uma cláusula de confidencialidade do seu contrato de prestação de serviços.
Coloco a mão no queixo, pensando rápido.

- Podemos colocar como publicidade combinada com amizade. Algo dizendo que estávamos fechando os últimos detalhes do conceito, trabalhando juntos. Apesar de que... bom, todo mundo sabe que aos olhos do público ainda vai parecer coisa de casal.
Nesse exato momento, a porta do quarto se abre vagamente. Cha Eun Woo sai de lá de dentro, com os cabelos bagunçados, os olhos semiabertos e uma expressão completamente desnorteada, tentando entender o fluxo de vozes na sala.

- Bom dia, príncipe. Dormiu bem? - pergunto, mudando o tom para algo mais suave.

Rebecca arregala levemente os olhos, alternando o olhar entre mim e ele.

- Ele... ele estava aqui no seu quarto esse tempo todo?

- Sim, Rebecca - respondo com naturalidade. - Ele ficou se culpando terrivelmente ontem à noite pelo que aconteceu. Quando ele finalmente se acalmou da crise de ansiedade, acabou pegando no sono aqui. Você, melhor do que eu, deve entender o peso esmagador do que eles passam todos os dias com essa falta de privacidade.

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