O caos

32 0 0
                                        

Reduzi a velocidade da Volvo XC90 conforme a iluminação imponente da portaria do condomínio fechado começou a clarear o asfalto. O complexo residencial, conhecido pela sua segurança rigorosa de nível internacional e privacidade absoluta para celebridades e empresários, exibia uma estrutura de concreto arquitetônico e palmeiras imperiais que pareciam saudar a minha volta.

​Parei o carro exatamente ao lado da cabine blindada. O segurança de plantão, que já me conhecia há anos devido à minha rotina na clínica, inclinou-se com um sorriso profissional ao reconhecer o veículo, mas demonstrou uma leve surpresa ao notar o comboio que me seguia.

​- Boa noite, Lara. Bem-vinda de volta - cumprimentou ele, checando o painel magnético.

​- Boa noite, Marcos, obrigada - respondi, abaixando o vidro apenas o suficiente para falar. - Aquela van executiva preta que está logo atrás de mim faz parte da equipe de assessoria e produção do Eunwoo. Eles vão passar as próximas semanas hospedados comigo na casa principal. Já deixei a autorização expressa no sistema do condomínio, mas pode liberar a entrada de todos para mim, por favor?

​- Perfeito. O cadastro já consta aqui no sistema integrado. Vou liberar a cancela e emitir as credenciais de visitante para o motorista da van. Tenham uma excelente noite.

​- Obrigada, Marcos.

​A cancela eletrônica se ergueu lentamente. Avancei com o carro pelas ruas largas e perfeitamente arborizadas do condomínio, mantendo uma velocidade baixa. O silêncio da madrugada no interior do complexo era quebrado apenas pelo som sutil dos pneus no asfalto liso e pelo canto dos grilos.

- Essa é a sua casa de verdade, Lara? - Eunwoo perguntou, a voz saindo quase em um sussurro enquanto ele ainda assimilava o tamanho da propriedade através do para-brisa

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

- Essa é a sua casa de verdade, Lara? - Eunwoo perguntou, a voz saindo quase em um sussurro enquanto ele ainda assimilava o tamanho da propriedade através do para-brisa.

- Sim, Eunwoo. Está surpreso? - perguntei, virando-me no banco para encará-lo, deixando um sorriso de canto surgir nos meus lábios.

- Muito - ele confessou, balançando a cabeça devagar, sem desviar os olhos da fachada iluminada. - Ela é simplesmente linda. Tem uma energia forte, minimalista... combina muito com você.

- Digamos que aqui no Brasil eu construí uma reputação muito boa por conta da minha área de atuação e das minhas clínicas - respondi, com uma ponta de orgulho legítimo na voz. - O mercado de saúde de alto padrão e a fisioterapia avançada me permitiram conquistar o meu próprio espaço exatamente do jeito que eu sempre quis. Mas vamos entrar. A viagem foi longa e eu acredito que o Olaf já esteja bem acordado esperando por mim.

Descemos do carro simultaneamente. O ar da madrugada paulistana, levemente mais fresco e com aquele cheiro característico de vegetação após o sereno, tocou meu rosto, trazendo uma sensação definitiva de acolhimento. Dei a volta pelo capô da Volvo e caminhei em direção à imponente porta principal de madeira freijó, que possuía quase cinco metros de altura. Atrás de nós, o motorista da van executiva preta seguiu as minhas instruções prévias e manobrou o veículo com destreza, estacionando-o na garagem lateral coberta, que ficava estrategicamente escondida pelo projeto paisagístico para não quebrar a estética da fachada.

IntuiçãoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora