É urgente

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Acordei na manhã seguinte sentindo o corpo ainda atado por uma exaustão implacável, como se cada fibra dos meus músculos estivesse carregada de chumbo. O ar dentro do quarto estava gélido, mas a luz pálida do inverno que filtrava através das frestas da cortina trazia uma promessa silenciosa de recomeço. Dei um longo suspiro, esticando o braço com dificuldade para alcançar o celular na mesa de cabeceira. Com os dedos sutilmente trêmulos, digitei uma mensagem rápida para Lua. Precisávamos de ar puro, de um café forte e de qualquer distração que nos mantivesse temporariamente anestesiadas do caos dos últimos dias.

​Levantei-me com esforço, arrastando os pés até o banheiro de mármore. Ao encarar o espelho, deparando-me com as olheiras fundas e a palidez da pele, percebi que até a melhor maquiagem teria dificuldade em camuflar o cansaço. Fiz minha higiene matinal e forcei um sorriso sem vida no reflexo, como um ensaio mecânico para o dia que começava. Visti-me com camadas estratégicas de lã, calça térmica e um sobretudo pesado cinza, priorizando o conforto e a praticidade contra o inverno suíço.

​Antes de cruzar a porta principal, encontrei Akira. Ele mantinha-se em seu posto habitual na antessala, com a postura impecável de sempre e o olhar aguçado varrendo o ambiente.

​- Vou sair para tomar café com a Lua e aproveitar para conhecer alguns pontos turísticos da cidade - expliquei, forçando uma firmeza que eu não possuía na voz. - Na semana que vem começam as minhas aulas na faculdade, quero me sentir minimamente integrada antes de me enfiar nos livros.

​Ele acenou com a cabeça em um movimento milimetricamente preciso e respeitoso.

​- Farei a retaguarda, senhorita Lara. Aproveite o passeio com sua amiga, ela me parece ser uma excelente companhia.

​Sorri, genuinamente grata pela discrição e pela presença reconfortante dele. Contudo, antes que eu pudesse dar o primeiro passo em direção à saída, a expressão de Akira endureceu visivelmente. O brilho estritamente profissional em seus olhos deu lugar a algo mais sombrio, quase analítico.

​- Apenas um aviso, senhorita: tome cuidado redobrado hoje - ele murmurou, dando um passo à frente. - Os boatos e as especulações sobre você e o Taehyung ganharam uma proporção perigosa e descontrolada nas últimas horas nas redes coreanas e internacionais.

​Sinto o chão sob meus pés oscilar por um segundo. A simples menção ao nome dele funcionou como um choque elétrico na minha espinha.

​- Como assim, Akira? Que tipo de boatos?

​- Estão vinculando o seu nome ao dele com teorias cada vez mais agressivas e distorcidas. Não tenho todos os detalhes exatos do que a mídia descobriu, mas o Bang PD me instruiu pessoalmente a elevar o nível de segurança ao máximo. As ordens são claras e absolutas: você não pode ser exposta sob hipótese alguma.

​Minha mente foi sequestrada instantaneamente de volta para a Coreia. Um turbilhão de perguntas sem resposta me atingiu: Será que o Tae está bem? Será que a empresa ou a família estão pressionando-o? Os meninos, que até ontem estavam tão próximos e tangíveis na praia, agora pareciam habitantes de outro planeta, distantes e inacessíveis desde que o cronograma da turnê mundial recomeçou. Engoli em seco o nó amargo que se formou na minha garganta e apenas concordei com a cabeça, mascarando o pânico.

​- Entendi. Obrigada pelo aviso, Akira. Estarei atenta.

​Dirigi com atenção pelas ruas organizadas de Zurique até o ponto de encontro. Assim que Lua fechou a porta do carro e se acomodou no banco do passageiro, senti a intensidade do seu olhar queimar sobre mim. Ela tentava manter a sutileza, mas a curiosidade em suas pupilas era tão evidente quanto um farol na neblina.

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