Entre Lágrimas e Promessas

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No milésimo de segundo em que a palavra "surpresa" escapou dos meus lábios, o ar da sala pareceu evaporar. Fui esmagada por uma onda bizarra de medo e ansiedade crônica. O olhar em choque, paralisado e quase assustado de Taehyung me atingiu em cheio, como um golpe físico que fez meu coração errar o compasso e disparar em um galope frenético. Engoli em seco, sentindo a garganta áspera, e forcei os músculos da face a desenharem um sorriso gentil, tentando desesperadamente suavizar a tensão palpável que havia se instalado. No canto do ambiente, Lua assistia a tudo com os dedos cravados na alça da bolsa, imóvel ao lado de Namjoon, que exibia uma linha rígida e compenetrada nos lábios.

​Antes que meu cérebro pudesse formular qualquer justificativa para o silêncio de Taehyung, dois braços magros e firmes me envolveram por trás em um abraço caloroso. O perfume sutil e familiar de Min Yoongi invadiu meus sentidos, trazendo um feixe instantâneo de conforto para o meu peito antes que seu sussurro rouco ecoasse perto do meu ouvido:

​- Ele ainda está digerindo o impacto... a cabeça dele deve estar um caos completo agora. Mas eu estou genuinamente feliz por você, Lara. Vou ser tio do bebê da mulher que mais estendeu a mão para nós quando o mundo estava desmoronando.

​Reconheci a cadência da voz dele e apertei o abraço de volta, sentindo um nó espesso se formar na garganta. Afastei-me o suficiente para encará-lo nos olhos, vendo a sinceridade brilhando ali.

​- Você não vai ser apenas um tio de consideração, Yoon - murmurei, a voz trêmula, mas convicta. - Você vai ser o padrinho oficial dessa criança.

​Ele piscou repetidamente, pego totalmente de surpresa pela honra, e aquele sorriso discreto, gengival e raro surgiu em suas feições. Logo em seguida, os demais meninos romperam o transe e se aproximaram em bando, me envolvendo em um abraço coletivo repleto de calor, murmúrios de parabéns e afagos nos meus cabelos. Era o ambiente mais acolhedor do planeta, mas o meu olhar, de forma magnética e dolorosa, foi atraído para o canto da sala. Taehyung, sem pronunciar uma única palavra, havia deixado a caixa da Dior sobre a mesa e começava a subir os degraus da escada de madeira, com os ombros curvados. Meu peito se contraiu em uma pontada aguda de rejeição, mas forcei cada terminação nervosa a não demonstrar o quanto aquela retirada dele me dilacerava.

​Jungkook foi o primeiro a se desvencilhar do grupo para quebrar o clima denso que ameaçava retornar.

​- Lara... é sério mesmo? - ele perguntou, os olhos redondos brilhando com uma animação quase infantil, um contraste puro com o homem que dominava os palcos do mundo. - Nós vamos ser tios de verdade?

​- Sim, Jeon - respondi, deixando escapar uma risada leve, a primeira amostra de oxigênio real em minutos. - Vocês vão.

​Os olhos dele faíscaram. Ele inclinou o corpo ligeiramente para a frente, demonstrando uma timidez adorável, os dedos mexendo-se com hesitação.

​- Eu posso... posso dar um oi oficial para a sua barriga?

​Assenti com a cabeça, tocada pela pureza do gesto. Jungkook se agachou de joelhos no tapete da sala, aproximando o rosto com um cuidado reverente da linha do meu moletom largo.

​- Oi, pequeno ou pequena princesa... - ele pronunciou com uma voz surpreendentemente doce e mansa. - Seja muito bem-vindo à nossa família maluca. Eu só espero, do fundo do meu coração, que você me ame muito mais do que a todos os outros tios que estão nesta sala.

​Uma gargalhada alta e genuína escapou dos meus lábios, limpando parte da névoa de preocupação. O humor cirúrgico de Jungkook sempre possuía o superpoder de aliviar qualquer atmosfera carregada.

​Foi nesse momento que Lua cruzou o tapete, aproximando-se com passos firmes enquanto chacoalhava um frasco plástico de vitaminas bem diante dos meus olhos.

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