A revelação

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​A semana derreteu pelos meus dedos como neve fina. Agora, com a iminência da viagem para a Coreia do Sul, meu peito abrigava um ecossistema caótico de ansiedade cortante e uma excitação eletrizante. Meu coração pulsava contra as costelas de forma quase dolorosa diante da expectativa de rever todos eles, de sentir o chão firme sob os pés e, acima de tudo, de encarar os olhos dele. Taehyung.

​Akira havia coordenado a logística da viagem com uma maestria cirúrgica. Bang PD já estava ciente de cada passo do nosso itinerário e nos aguardava para as festividades de Natal em Seul. Mas o detalhe que fazia meu sangue correr mais rápido? Os meninos não faziam a menor ideia. Seria uma surpresa absoluta, desenhada milimetricamente. Cada presente que preparei na mala continha um pedaço de um enigma: pequenas palavras estrategicamente ocultas. Quando juntas, formariam o veredicto. O segredo que guardei e protegi em meu próprio corpo pelos últimos três meses finalmente ganharia o mundo em voz alta.

Mas eu estaria verdadeiramente pronta para as consequências desse impacto?

​A ansiedade havia sequestrado meu sono na noite anterior, deixando minha mente em um loop infinito de cenários. Mas agora o tempo de hesitar havia expirado.

​- Lara, precisamos embarcar agora! - a voz grave de Akira ecoou pelo hall da residência. - Temos quase catorze horas de voo até Seul, não podemos arriscar o cronograma.

​- Eu sei, Akira, eu sei - respondi, ajustando o sobretudo escuro sobre o corpo. - Mas preciso fazer uma parada rápida em um lugar específico antes de cruzarmos os portões do aeroporto.

​- Tudo bem, mas seja breve. O tempo é nosso pior inimigo hoje.

​No banco de trás do carro, apertei os dedos sutilmente contra a minha barriga. Eu estava no terceiro mês. A silhueta ainda era quase imperceptível sob as camadas de roupas de inverno, mas a consciência daquela vida pulsando dentro de mim já havia reconfigurado cada estrutura do meu universo.

​O trajeto até o aeroporto transcorreu sem incidentes, mas a rigidez na postura de Akira denunciava que o nível de ameaça era alto. Seus olhos vasculhavam os retrovisores sem trégua. Eu tinha certeza de que o Bang havia dobrado o contingente de segurança. Ele havia entrado em pânico ao receber as notificações sigilosas das minhas admissões hospitalares na Suíça - e eu não precisava ser um gênio para deduzir que Lua, em um momento de puro desespero e cuidado, havia aberto o jogo sobre meu estado de saúde debilitado para Namjoon.

​Respirei fundo. Só precisava manter a fachada intacta até pisar em solo coreano.

​Ao descermos do veículo na área de desembarque privado, fomos imediatamente cercados por um cordão de segurança de elite. Lua caminhava ao meu lado com passos rápidos, e cruzamos o balcão de check-in em direção à aeronave. No entanto, no instante em que pisei no corredor do avião, meu ar sumiu por completo.

​Sentado em uma das poltronas da primeira classe, com os braços cruzados sobre o peito e um olhar que misturava severidade e alívio profundo, estava ele. Kim Namjoon.

​Meus olhos se arregalaram em choque, meus pés travando no carpete.

​- O quê?! Como você...?

​Antes que a pergunta ganhasse forma, Namjoon se levantou de um salto, encurtou a distância entre nós e me puxou para um abraço esmagador, daqueles que pareciam colar os pedaços quebrados da alma.

​- Você quase me matou de preocupação, sua teimosa - a voz dele ressoou abafada, vibrando contra o topo da minha cabeça.

​Ainda atordoada pela audácia da surpresa, afastei-me o suficiente para encarar suas covinhas e sua expressão protetora.

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